Apesar das feridas físicas de Layla terem sido curadas, as cicatrizes emocionais permanentes eram profundas, invisíveis aos olhos, mas inegáveis em sua presença. Enrico sentiu o peso daquela não dita, uma barreira invisível que ele precisava aprender a atravessar com paciência e cuidado. Ao estacionar o carro diante da imponente mansão dos Corallos, ele lançou um olhar incerto para Layla. Ela era pálida, uma expressão indecifrável, como se o mundo à sua volta fosse feito de sombras e não de luz.
A casa parecia viva com cores e filhos. Balões em tons pastéis flutuavam preguiçosamente pelo salão principal, e uma faixa com a inscrição "Bem-vinda de volta, Layla" tremulava sob a brisa que vinha da varanda. A sala estava cheia de rostos sorridentes, familiares e amigos reunidos para comemorar seu retorno. Mas Layla estava imóvel no centro de tudo, como uma flor que não conseguiu desabrochar.
— Bem-vinda de volta, bella! — Matteo exclamou, aproximando-se com uma taça de espumante e um sorriso aberto que parecia tentar iluminar o ambiente.
— Obrigada — respondeu Layla, sua voz baixa, quase um sussurro, sem brilho.
O calor da recepção ter aquecido seu coração, mas ao contrário, parecia apenas realçar a distância que ela sentia de tudo e de todos. A casa, que outra fora um refúgio, parecia agora um lugar estranho. O ar tinha outro peso, o cheiro das flores nos vasos parecia agridoce, e os detalhes do ambiente, que antes de passarem despercebidos, agora a sufocavam. Ela se disse se a casa havia mudado ou se era ela que já não se encaixava mais ali.
Os sorrisos foram aos poucos diminuindo à medida que as pessoas notavam a tristeza velada no rosto de Layla. A alegria cuidadosamente planejada parecia fora de lugar, deslocada diante da fragilidade dela. A música cessou, os risos diminuíram, e o som das conversas se transformou em um murmúrio constrangido.
— Me desculpe... Estou cansada — ela disse, tentando forçar um sorriso que nunca chegou aos seus olhos.
— Eu te levo para o quarto — Enrico ofereceu, com a voz tingida de uma tristeza que ele não conseguiu esconder. Ele achou que Layla apreciava o gesto, mas o olhar dela foi suficiente para mostrar que, mais uma vez, ele não sabia como alcançá-la.
Subiram as escadas em silêncio, os passos ecoando como batidas de um relógio que marcavam uma melancolia incômoda. Quando chegou ao quarto, Layla parou na porta por um instante. Tudo estava como ela havia deixado. O castelo da da bola de neve ainda brilhava próximo da janela, mas agora parecia um monumento às coisas que ela perdeu. Seu olhar se demorou no espaço vazio onde seu gatinho costumava se enroscar, e uma onda de tristeza silenciosa a invadiu.
Sem dizer nada, ela caminhou até a cama, os ombros curvados pelo peso de uma exaustão que não era apenas física. Enrico se mudou e, com gestos gentis, deixou as cobertas sobre ela, como se tentasse vigiar-la do mundo fosse tudo o que ele pudesse fazer.
— Está com fome? — ele disse baixinho, a esperança mal contida em sua voz.
Layla balançou a cabeça elevada, sem olhar para ele. Virou-se para o lado, encolhendo-se como se desejasse desaparecer entre os lençóis. Enrico hesitou, os olhos dela fechados o impedindo de dizer algo mais. Então, saiu do quarto, fechando a porta atrás de si com um pesar que parecia preencher todo o corredor.
Na sala, os sorrisos já haviam desaparecido, assim como o brilho dos balões que ainda flutuavam no teto, como se também carregassem o peso da atmosfera sombria que se instalava. O riso, que antes ecoava vibrante, agora era apenas um fantasma distante. As pessoas evitavam trocar olhares, como se o silêncio fosse menos doloroso do que admitir que uma festa havia se transformado em algo opressivo. Todos sabiam que Layla estava de volta, mas a verdadeira Layla, aquela que sorria com facilidade e iluminava qualquer ambiente, parecia ter ficado presa em algum lugar inalcançável.
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A garota do Capo
RomanceATENÇÃO, ESSE LIVRO É EXTREMAMENTE ERÓTICOE CHEIO DE FETICHES. SE VOCÊ FOR SENSIVEL NÃO LEIA, NÃO ABRA, NÃO INCOMODE (PODE HAVER CENAS QUE OS PURITANOS CONSIDEREM NOJENTAS) Livro 1. da Serie "os Herdeiros da Máfia" Layla, uma jovem que perdeu tud...
