Quando Layla acordou em um sobressalto, o movimento brusco assustou Enrico, que dormia ao lado dela na cama. O quarto estava mergulhado em penumbra, iluminado apenas pelo brilho fraco da lua entrando pela cortina semiaberta.
— O que houve? — ele perguntou, com a voz rouca de sono, passando uma das mãos pelos cabelos desgrenhados.
— Desculpa, eu dormi. — Layla respondeu, ajeitando-se na cama. Seu coração ainda batia acelerado, talvez pelo sonho que não conseguia recordar.
— Já faz umas horas. — Enrico sorriu, com aquele jeito calmo que sempre a fazia sentir-se segura.
— Íamos jantar... — Layla murmurou, olhando ao redor como se tentasse se situar no tempo. Havia um tom de tristeza em sua voz, como se lamentasse o momento perdido.
— Ainda podemos ir, se quiser.
— Enrico, que horas são?
Ele se inclinou ligeiramente para olhar o relógio na mesa de cabeceira. Os ponteiros marcavam 2h da manhã.
— Está tarde, mas lá você estaria tomando café.
— Lá?
— Na Itália.
Houve um breve silêncio, pesado, mas carregado de significados. Layla abaixou o olhar para as mãos que repousavam no cobertor, como se as palavras de Enrico trouxessem à tona memórias difíceis.
— Eu te magoei indo embora? — ela perguntou, hesitante, como se já soubesse a resposta.
Enrico suspirou, apoiando-se em um dos cotovelos para encará-la.
— Layla, não diria que me magoou. Você precisava do seu tempo, mas eu não imaginava que seria tão longo.
— Eu fiquei pelos negócios da família. Seu pai pediu...
— E ele não me contou. Na verdade, eu não tinha esperança de que você fosse voltar. Nos últimos dias, eu... Eu não sabia de nada e...
— Me perdoa por isso. — Layla interrompeu, sua voz quase um sussurro.
Enrico observou-a por um instante, seus olhos refletindo a luta interna entre o passado e o presente.
— Tudo bem. — Ele assentiu. — Esse tempo longe foi bom.
— Mesmo? — Ela o encarou com incredulidade.
— Sim. Eu descobri que vou te amar para sempre, Layla. E não sabia que seria capaz de amar uma pessoa assim, de longe, sentir saudade e, ainda assim, encontrar essa calmaria.
As palavras dele derreteram as últimas barreiras que ela tentava manter. Layla se aproximou mais, seus movimentos tímidos, mas decididos. Beijou o canto da boca de Enrico, e ele retribuiu com um sorriso caloroso, sussurrando com a voz carregada de emoção:
— Amore mio.
Layla fechou os olhos por um momento, absorvendo o peso das palavras. Quando os abriu novamente, encarou Enrico com intensidade.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Sim. — Ele respondeu sem hesitar, seu olhar ainda fixo no dela, cheio de paciência e curiosidade.
— Complete a frase: Isabel é...
Enrico inclinou levemente a cabeça, como se a pergunta o pegasse de surpresa, mas respondeu com tranquilidade:
— Uma amiga que ficou com muita pena de mim quando soube que minha esposa estava na Itália.
— Mesmo? — Layla arqueou as sobrancelhas, desconfiada.
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A garota do Capo
RomanceATENÇÃO, ESSE LIVRO É EXTREMAMENTE ERÓTICOE CHEIO DE FETICHES. SE VOCÊ FOR SENSIVEL NÃO LEIA, NÃO ABRA, NÃO INCOMODE (PODE HAVER CENAS QUE OS PURITANOS CONSIDEREM NOJENTAS) Livro 1. da Serie "os Herdeiros da Máfia" Layla, uma jovem que perdeu tud...
