Layla estava desacordada havia dias. Durante sua ausência do mundo consciente, o quarto se encheu de vestígios de amor e preocupação: flores coloridas de diferentes espécies enfeitavam a janela, um pelucia gigante em forma de coala ocupava a poltrona ao lado, e pequenos bilhetes com palavras de encorajamento relacionadas vam sobre a mesa ao lado da cama.
Enrico saiu por um momento, apenas para lavar o rosto no banheiro, mas ao retornar, seu coração disparou ao ver os olhos de Layla abertos. Ela estava imóvel, os olhos fixos no teto, como se tentasse compreender onde estava.
— Onde... onde eu estou? — Disse, sua voz baixa e rouca, quase irreconhecível.
Enrico correu até ela, segurando sua mão com cuidado.
— Você não está no hospital, amore mio. Está segura agora — ele disse, tentando conter a emoção que transbordava em sua voz.
Layla piscou lentamente, os lábios pálidos se moveram quase sem força.
— Achei... achei que tinha sido um pesadelo — murmurou, uma respiração entrecortada. — Posso arrumar um gole de água?
Enrico foi até o frigobar, onde seus irmãos levaram garrafas de água e sucos. Ele pegou uma garrafa, colocou o canudo e voltou para o lado dela. Com delicadeza, segurou o canudo próximo aos lábios de Layla, que sorveu fracamente o líquido. Ela suspirou, fechando os olhos por um momento.
— Como você se sente? — Disse ele, com a voz cheia de cuidado e dor.
— Um lixo — respondeu Layla, os olhos se enchendo de lágrimas.
Enrico engoliu em seco, sentindo-se impotente.
— Me perdoe, amor... — começou ele, tropeçando nas palavras. — Me perdoe por demorar tanto, por não estar lá quando você mais precisar... por deixar eles te levarem.
As palavras de Enrico pareciam abrir uma ferida ainda maior. Layla fechou os olhos com força, e uma lágrima solitária escorreu pelo canto de seu rosto.
— Minha mãe... — começou ela, e sua voz tremeu. — Minha mãe estava lá, Enrico. Ela viu o que fez comigo. Ela viu... e não fez nada para me ajudar. Que tipo de mulher faz isso?
O corpo de Layla começou a tremer enquanto soluços dolorosos escapavam de seus lábios.
— Nenhum dor, Enrico... é tão forte quanto saber que ela estava lá, que ela me viu sofrer, e escolheu não fazer nada.
Ela chorava agora, um choro que não era apenas tristeza. Era uma mistura de dor, raiva e uma agonia profunda que parecia cortar sua alma em pedaços.
Enrico agarrou-se para seus braços com cuidado, abraçando-a enquanto ela permanecia deitada.
— Me perdoe, amor — ele repetia, sua voz embargada enquanto lágrimas escorriam por seu próprio rosto. — Eu daria tudo para apagar isso... tudo...
Layla chorou como se o mundo desabasse ao seu redor, cada lágrima carregando a dor de ser traída por quem deveria protegê-la.
— Mães têm filhos para cuidar deles... — sussurrou Layla, entre os soluços. — Não para destruí-los...
Enrico ajeitou Layla para que ela se sentasse na cama, segurando-a enquanto ela chorava contra seu peito. Ele apareceu ali por horas, sem dizer uma palavra, apenas compartilhando sua dor, até que, exausta, Layla adormeceu novamente.
Com cuidado, ele a deitou, ajeitando os travesseiros para que ela fique confortável. Enrico acariciou seus cabelos por um longo momento, seu coração estava pesado. Ele sabia que poderia pagar todos os remédios do mundo, mas nenhum deles curaria a dor que rasgava a alma de Layla.
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A garota do Capo
RomanceATENÇÃO, ESSE LIVRO É EXTREMAMENTE ERÓTICOE CHEIO DE FETICHES. SE VOCÊ FOR SENSIVEL NÃO LEIA, NÃO ABRA, NÃO INCOMODE (PODE HAVER CENAS QUE OS PURITANOS CONSIDEREM NOJENTAS) Livro 1. da Serie "os Herdeiros da Máfia" Layla, uma jovem que perdeu tud...
