O sol da manhã entrava timidamente pelas janelas do carro, iluminando o interior com um brilho suave e dourado. Era por volta das sete, e a cidade começava a ganhar vida ao redor deles. O som distante de motores e passos apressados misturava-se ao barulho da música que tocava no carro, vibrante e animado. Layla ajustou a alça da bolsa no colo, olhando de relance para Matteo.
Ele estava sempre à vontade, como se nada no mundo pudesse tocá-lo. Matteo abriu a porta para ela com um movimento casual, segurando-a por um breve instante antes de ir para o outro lado e ocupar o banco do motorista. Assim que se acomodou, ligou o som e aumentou o volume até que a música preenchesse o espaço ao redor deles. O carro deu partida suavemente, e Matteo começou a cantar junto com a música, balançando os ombros e batendo no volante com os dedos.
Layla observava a cena, sentindo a estranha dualidade de sua companhia: enquanto Matteo parecia imerso em sua bolha de alegria despreocupada, ela carregava um peso no peito que parecia crescer a cada milhão. Ele notou. Sempre notava.
— Está muito sério, Bella . O que está acontecendo? — Matteo perguntou, os olhos ainda na estrada, mas a voz repleta de uma curiosidade que beirava a provocação.
— Você está de tão bom humor... e tudo parece tão tenso.
Matteo deu uma risada leve, aquela típica que sempre parecia zombar das situações e disse:
— Cresci na casa de um descendente da máfia italiana. Aprendi que nada é tão ruim que não possa piorar.
— Enrico foi socado. — Layla soltou, direta.
— Ah, ele estava louco, Bella . E, para ser honesto, nem foi bem assim. Eu só exagerei um pouco na narrativa. Faz parte do show. — Matteo arqueou as sobrancelhas com exagero, uma mão soltando o volante para gesticular dramaticamente.
— Você é muito estranho, Matteo.
— Já fui chamado de coisas piores. — Ele enviou de lado, seus olhos ainda fixos na estrada.
O silêncio que se acalmou não era desconfortável, mas carregava algo diferente, como se Matteo estivesse se preparando para dizer algo importante. Com um movimento tranquilo, ele abaixou um pouco o volume da música. Sua postura, geralmente descontraída, pareceu ficar um pouco mais séria.
— Sabe, Enrico sempre foi o favorito do nosso pai. Ele era como uma versão pequena de Don Corallo. Meu pai adorava isso. Minha mãe... — Matteo fez uma pausa, apertando levemente o volante. — Ela sofreu de depressão pós-parto. Nunca tivemos exatamente aquele momento de reconexão. Algumas mães superam, pedem perdão. A minha nunca pediu. Logo depois ela ficou grávida de Lucca e Lecce e eles tiveram a melhor mãe do mundo.
Layla virou o rosto para ele, surpresa pela vulnerabilidade repentinamente em sua voz. — Deve ter sido difícil.
Matteo deu de ombros, mas havia algo em seu sorriso que não alcançava os olhos. — Foi o que foi. Mas tive uma coisa que nunca esqueci. Um dia, vi um homem enfrentar o Don Corallo. Nunca tinha visto ninguém fazer isso antes. Ele simplesmente... não se intimidou. Essas coisas para o meu pai que me fizeram pensar: "Quero ser assim quando crescer". Claro, meu pai o comprou depois. Todo mundo tem seu preço. Mas por um momento, ele foi incrível.
— Quem era ele? — Layla gritou, intrigada.
— Um procurador. — Matteo soltou uma risada curta, como se estivesse rindo de algo distante. — Perguntei ao tio Al na época. Ele e eu éramos próximos, antes de ele virar Fernandes.
Layla assentiu, compreendendo aos poucos. — E foi isso que você fez entrar nesse mundo?
Matteo olhou para ela de lado, com um sorriso cheio de ironia e disse:
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A garota do Capo
RomanceATENÇÃO, ESSE LIVRO É EXTREMAMENTE ERÓTICOE CHEIO DE FETICHES. SE VOCÊ FOR SENSIVEL NÃO LEIA, NÃO ABRA, NÃO INCOMODE (PODE HAVER CENAS QUE OS PURITANOS CONSIDEREM NOJENTAS) Livro 1. da Serie "os Herdeiros da Máfia" Layla, uma jovem que perdeu tud...
