Capítulo 50. Dias em Porto

1.8K 34 2
                                        

Primeiro eu gostaria de pedir aos meus leitores uma coisa,
Paciência
Confiem na sua autora que eu vou fazer tudo ser perfeito.
Se preocupem menos,
tem coisas que não são entendidas
agora mas vai ser depois. 
Mas uma coisa, amanhã é meu aniversário.
Agora novamente, fiquem calmos. O final vai ser mara.
Ps: Fiz capas novas e todos os irmãos vão ter uma capa neste estilo




━━━━━━ • ✿ • ━━━━━━


Layla embarcou no trem em Lisboa com o coração pesado e a mente inquieta. O som das rodas de ferro cortando os trilhos parecia amplificar sua ansiedade a cada quilômetro que a aproximava de Porto. Matteo havia sido breve no pedido de ajuda, mas suas palavras transmitiram uma urgência inegável. Paula precisava dela – e, embora Layla não a conhecesse, algo na situação a comoveu. Ao descer na estação, o céu nublado de Porto refletia sua própria apreensão.

O endereço que Matteo havia enviado a levou a uma pequena casa em uma rua discreta. A fachada estava desgastada pelo tempo, com janelas de madeira descascadas e cortinas pesadas que bloqueavam a luz do dia. Quando Layla bateu à porta, ela demorou alguns segundos até ouvir passos lentos e arrastados se aproximando.

A porta se abriu e revelou uma mulher jovem, mas visivelmente desgastada. Paula tinha uma barriga volumosa, indicativa de uma gravidez avançada, e seu rosto estava pálido, quase translúcido, como se cada dia fosse uma luta para continuar de pé. Seus olhos estavam fundos, e suas pernas, inchadas, eram um reflexo de cansaço extremo.

— Paula? — perguntou Layla, sua voz gentil, mas com uma ponta de hesitação.

A mulher assentiu, segurando a porta aberta com dificuldade.

— Você é a Layla? Matteo me falou de você — respondeu, com um suspiro exausto, dando espaço para que ela entrasse. — Desculpe... estou muito cansada. Esse inferno de gravidez... achei que seria algo simples, algo que eu poderia ignorar, mas essas últimas semanas têm sido difíceis demais.

Layla entrou e observou o interior modesto da casa. O ambiente era frio, sem sinal de um lar preparado para acolher um bebê. Não havia berço, roupas infantis ou qualquer item que indicasse a chegada de uma criança. Apenas móveis básicos e uma desorganização que parecia ter se acumulado com o passar dos dias.

— Matteo me contou um pouco. Ele pediu para que eu viesse ajudar e...

— E buscar o bebê, certo? — interrompeu Paula, sua voz carregada de uma mistura de alívio e desespero. — Você vai levar ele, não vai?

A pergunta fez Layla parar. Havia algo profundamente triste naquela rejeição tão explícita.

— Sim — respondeu Layla, com firmeza, mas também com ternura. — Não se preocupe.

— Que bom... — murmurou Paula, visivelmente aliviada.

Layla ajudou Paula a se deitar em um sofá desgastado, onde a mulher parecia ter passado a maior parte de seus dias. Ela estava fragilizada, tanto física quanto emocionalmente. Suas palavras revelavam uma desconexão completa com a gravidez – um processo que, para ela, parecia ser uma prisão, e não uma experiência transformadora.

— Você sabe o sexo do bebê? — Layla perguntou, tentando suavizar o silêncio tenso enquanto ajustava um travesseiro sob a cabeça de Paula.

— Não quero saber — respondeu rapidamente, com um tom quase defensivo. — Não quero me apegar. Matteo é quem recebe essas notícias.

A garota do CapoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora