A madrugada era sufocante, e o quarto de Enrico parecia encolher a cada segundo. Incapaz de suportar o aperto, ele levantou-se de supetão, vestiu-se e saiu. Começou a dirigir sem rumo pelas ruas próximas, os faróis cortando a escuridão. Passou por locais familiares, lugares onde Layla poderia estar, mas nenhum sinal dela. Cada esquina deserta, cada prédio vazio intensificava sua angústia. A ideia de que alguém poderia tê-la escondido começou a se infiltrar em sua mente, corroendo sua calma já frágil.
Desesperado, Enrico voltou para a mansão e buscou refúgio no jardim. Caminhou até a mesa próxima às árvores, onde o silêncio parecia menos opressivo. Antes passou pela biblioteca e apanhou a caixa de charutos do pai e uma garrafa de uísque, um ato impulsivo que, no fundo, sabia que Layla desaprovava.
Sentado ali, acendeu o charuto com mãos trêmulas. Tragou fundo, deixando a fumaça invadir seus pulmões. Mas, ao invés de alívio, sentiu o desespero se intensificar. As lágrimas começaram a brotar em seus olhos, ardendo com a fumaça e com o peso de sua aflição.
— Onde está você, Layla? — sussurrou para a noite, como se ela pudesse responder.
O tempo passou devagar. Duas horas se arrastaram entre goles amargos de uísque e tragos que mais o sufocavam do que aliviavam. O céu começava a clarear, e os sons matinais da mansão enchiam o ar. Funcionários se aproximaram, mas Enrico estava alheio a tudo, imerso em seu torpor e confusão.
Um toque macio em sua perna o tirou de seus pensamentos. Ele olhou para baixo e viu Bola de Neve, o gato de Layla, esfregando a cabeça contra ele.
— Onde está nossa Layla? — murmurou, pegando o gato no colo e deixando-o repousar em seu braço. — Inferno, Bola de Neve. Isso é um inferno.
O momento foi interrompido por uma voz feminina e suave:
— Bola de Neve?
Enrico virou-se, surpreso, e viu Vitória parada a alguns passos de distância.
— Ele é preto. — Ela apontou para o gato.
— Ela. — Enrico corrigiu secamente.
— Ah... Desde quando você gosta de gatos, Enrico? Sempre foi mais de cachorros.
Ele deu de ombros, o cansaço transparecendo em cada movimento.
— Gosto só da Bola de Neve.
Vitória se aproximou, analisando cada detalhe dele.
— Você está bem? — perguntou, com uma expressão que simulava preocupação.
— Estou bêbado e cansado, só isso. — Enrico respondeu, levando o copo à boca para mais um gole.
A luz suave da manhã filtrava-se pelas árvores, mas Enrico mal notava o cenário ao redor. Seu humor estava sombrio, e a presença de Vitória só intensificava o peso em seus ombros. Ele sabia que ela estava tentando algo, mesmo que não dissesse abertamente. A insistência dela pairava como uma sombra, e ele não tinha paciência para lidar com isso.
Quando Vitória soltou um grito repentino, ele franziu o cenho, a preocupação momentânea substituindo o cansaço.
— Ai! — ela exclamou, levando uma mão à cabeça, os olhos lacrimejando de forma quase convincente.
— O que houve? — Enrico perguntou, o tom mais confuso do que preocupado.
— Minha cabeça... dói muito. — Vitória falou com a voz trêmula, embora estivesse claramente atuando.
Enrico suspirou, tentando manter a paciência. Ele colocou Bola de Neve na cadeira próxima e foi até ela.
— Vou chamar sua mãe.
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A garota do Capo
RomanceATENÇÃO, ESSE LIVRO É EXTREMAMENTE ERÓTICOE CHEIO DE FETICHES. SE VOCÊ FOR SENSIVEL NÃO LEIA, NÃO ABRA, NÃO INCOMODE (PODE HAVER CENAS QUE OS PURITANOS CONSIDEREM NOJENTAS) Livro 1. da Serie "os Herdeiros da Máfia" Layla, uma jovem que perdeu tud...
