Capítulo 31. Entorpecido

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A madrugada era sufocante, e o quarto de Enrico parecia encolher a cada segundo. Incapaz de suportar o aperto, ele levantou-se de supetão, vestiu-se e saiu. Começou a dirigir sem rumo pelas ruas próximas, os faróis cortando a escuridão. Passou por locais familiares, lugares onde Layla poderia estar, mas nenhum sinal dela. Cada esquina deserta, cada prédio vazio intensificava sua angústia. A ideia de que alguém poderia tê-la escondido começou a se infiltrar em sua mente, corroendo sua calma já frágil.

Desesperado, Enrico voltou para a mansão e buscou refúgio no jardim. Caminhou até a mesa próxima às árvores, onde o silêncio parecia menos opressivo. Antes passou pela biblioteca e apanhou a caixa de charutos do pai e uma garrafa de uísque, um ato impulsivo que, no fundo, sabia que Layla desaprovava.

Sentado ali, acendeu o charuto com mãos trêmulas. Tragou fundo, deixando a fumaça invadir seus pulmões. Mas, ao invés de alívio, sentiu o desespero se intensificar. As lágrimas começaram a brotar em seus olhos, ardendo com a fumaça e com o peso de sua aflição.

— Onde está você, Layla? — sussurrou para a noite, como se ela pudesse responder.

O tempo passou devagar. Duas horas se arrastaram entre goles amargos de uísque e tragos que mais o sufocavam do que aliviavam. O céu começava a clarear, e os sons matinais da mansão enchiam o ar. Funcionários se aproximaram, mas Enrico estava alheio a tudo, imerso em seu torpor e confusão.

Um toque macio em sua perna o tirou de seus pensamentos. Ele olhou para baixo e viu Bola de Neve, o gato de Layla, esfregando a cabeça contra ele.

— Onde está nossa Layla? — murmurou, pegando o gato no colo e deixando-o repousar em seu braço. — Inferno, Bola de Neve. Isso é um inferno.

O momento foi interrompido por uma voz feminina e suave:

— Bola de Neve?

Enrico virou-se, surpreso, e viu Vitória parada a alguns passos de distância.

— Ele é preto. — Ela apontou para o gato.

— Ela. — Enrico corrigiu secamente.

— Ah... Desde quando você gosta de gatos, Enrico? Sempre foi mais de cachorros.

Ele deu de ombros, o cansaço transparecendo em cada movimento.

— Gosto só da Bola de Neve.

Vitória se aproximou, analisando cada detalhe dele.

— Você está bem? — perguntou, com uma expressão que simulava preocupação.

— Estou bêbado e cansado, só isso. — Enrico respondeu, levando o copo à boca para mais um gole.

A luz suave da manhã filtrava-se pelas árvores, mas Enrico mal notava o cenário ao redor. Seu humor estava sombrio, e a presença de Vitória só intensificava o peso em seus ombros. Ele sabia que ela estava tentando algo, mesmo que não dissesse abertamente. A insistência dela pairava como uma sombra, e ele não tinha paciência para lidar com isso.

Quando Vitória soltou um grito repentino, ele franziu o cenho, a preocupação momentânea substituindo o cansaço.

— Ai! — ela exclamou, levando uma mão à cabeça, os olhos lacrimejando de forma quase convincente.

— O que houve? — Enrico perguntou, o tom mais confuso do que preocupado.

— Minha cabeça... dói muito. — Vitória falou com a voz trêmula, embora estivesse claramente atuando.

Enrico suspirou, tentando manter a paciência. Ele colocou Bola de Neve na cadeira próxima e foi até ela.

— Vou chamar sua mãe.

A garota do CapoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora