Enrico saiu da sala onde estava o terapeuta com passos firmes e o maxilar tenso, os dedos inquietos movendo-se em punhos ao lado do corpo. A paciência, se ainda existia, havia evaporado por completo. Ele atravessou o longo corredor até o escritório do pai, o coração pulsando de orientação a cada passo. Encontrou Don Corallo revisando alguns documentos com a calma de quem parecia alheio à tempestade que se aproximava.
— Don Corallo, isso é insustentável! — Enrico irrompeu na sala, a voz carregada de frustração.
O pai flui o olhar, as sobrancelhas arqueadas em uma mistura de reprovação e expectativa.
— Enrico...
— Não, pai! — Enrico interrompeu, a impaciência transbordando. — Eu sou um homem adulto, e Vitória também é uma mulher adulta. Ela precisa entender que o tempo dela passou! Continuar com isso vai magoar não apenas ela, mas também a Layla.
O silêncio que se seguiu foi denso, pesado. Don Corallo recostou-se na cadeira de couro, medindo as palavras que viriam. Após o que pareceu uma eternidade, respondeu com o tom ponderado de quem sabia o peso de sua influência:
— O que você sugere, então?
Enrico respirou fundo, lutando para organizar o turbilhão de pensamentos.
— Ela precisa de um lugar para recomeçar. Arranje uma casa para ela longe daqui, um ambiente onde possa se tratar de forma adequada. Sua presença aqui, pai, é uma sombra. Isso vai acabar destruindo meu relacionamento... — Ele hesitou por um instante, antes de completar, em um tom mais baixo: — Eu posso perder a Layla.
Don Corallo assentiu lentamente, como quem finalmente se permite concordar.
— Tudo bem, filho. Vamos resolver isso. Vou conversar com Marta; ela já tinha dito aqui que Vitória está incomodando. A menina só faz chorar.
— Obrigado, Don.
— E Layla? Trouxe-a para cá?
— Sim. Vou procurá-la.
Enrico saiu da sala ao lado do pai, os olhos vasculhando cada canto da casa à procura de Layla. Ao chegar à sala de estar, ele avistou Lucca, relaxado no sofá, o olhar fixo na tela de seu celular enquanto jogava algo que envolvia explosões e tiros.
— Viu e Layla? — Enrico disse, sua voz de urgência.
Antes que Lucca pudesse responder, uma voz fina e compartilhada de sarcasmo veio de trás dele:
— Aquela moça magrinha que estava no café da manhã? — Vitória mudou-se em sua cadeira de rodas, um sorriso malicioso nos lábios. — Ela estava no jardim com Lecce. Vi os dois se beijando. Voltei para dentro porque, bem, não quis interromper o clima .
Enrico virou-se para ela, o rosto suportando instantaneamente.
— O quê?
Ele saiu para o jardim como um raio. Ao cruzar a porta de vidro, avistou Lecce próximo a uma mesa, distraído. Sem pensar, agarrou-o pelo colarinho com força suficiente para sacudi-lo.
— Cadê a Layla? Você está a beijando?
Lecce arregalou os olhos, empurrando Enrico para longe com firmeza.
— O quê? Ficou maluco? Solta! Eu não fiz nada disso!
Vitória, como uma sombra sinistra, mudou-se novamente, um olhar de falsa inocência em seu rosto.
— Mas foi o que você me disse, Lecce... Não era ela quem estava noiva?
— Vitória, volte para sua cadeira de rodas e pare de ser ridícula! — Lecce retrucou, os nervos à flor da pele.
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A garota do Capo
RomanceATENÇÃO, ESSE LIVRO É EXTREMAMENTE ERÓTICOE CHEIO DE FETICHES. SE VOCÊ FOR SENSIVEL NÃO LEIA, NÃO ABRA, NÃO INCOMODE (PODE HAVER CENAS QUE OS PURITANOS CONSIDEREM NOJENTAS) Livro 1. da Serie "os Herdeiros da Máfia" Layla, uma jovem que perdeu tud...
