Capítulo 57. Seguranças ou eu.

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O café da manhã na casa da família Corallo tinha se tornado um evento marcante novamente. Com os preparativos para o casamento de Enrico e Layla, a presença de todos à mesa fazia o salão de jantar ressoar com conversas intensas e emoções apaixonadas. O ambiente exalava tradição e luxo, com uma longa mesa de madeira escura adornada por uma toalha de linho impecavelmente branca. Sobre ela, pratos de porcelana finamente acomodavam frutas frescas, queijos variados, croissants dourados e pães recém-assados, enquanto jarros de café e suco de laranja completavam o banquete.

As grandes janelas abertas deixavam entrar a luz do sol matinal, que iluminava o brilho de cristal no teto e fazia brilhar as joias delicadas de Layla. Ao fundo, o som distante de pássaros se misturava ao ruído do movimento na cozinha.

— Eu sou contra — declarou Layla, cruzando os braços. Sua expressão era firme, mas a faísca de determinação em seus olhos não estava despercebida.
— Você não tem direito a voto, amore mio — respondeu Enrico com um sorriso, enquanto cortava um pedaço de queijo fresco com uma precisão quase metódica.

Layla virou para encarar Don Corallo, que estava sentado na ponta da mesa, imponente e calmo. Ele certamente teve uma xícara de café com a confiança de quem viveu conversas e decisões lideradas.

— Senhor? — Ela o encarou, esperando que ele interferisse a seu favor.
— Eu concordo com Enrico, Layla — disse Don Corallo com uma voz grave e firme. — Na verdade, todos nós concordamos. Vai ser melhor assim. Mesmo que Fernandes tenha levado aquela doente ao hospital, ainda há pessoas associadas a ela que podem representar uma ameaça.

Layla respirou fundo, tentando não perder a compostura.
— Senhor, eu entendo os riscos, mas seguranças, na minha opinião, são uma medida extrema.

— Ou os seguranças, ou eu — interveio Enrico com um sorriso malicioso. — Seria um prazer te seguir 24 horas por dia.

Lucca, que até então mantinha-se calado, decidiu intervir.
— Claro, grande empresa pela qual você fez tanto barulho para organizar. Seria ótimo você abandonar ela. — Sua voz tinha um tom sério e provocador.

— Vocês deviam falar mais baixo — Matteo disse, interrompendo uma conversa com um tom cansado. Ele lançou um olhar exasperado para os irmãos. — Anya está dormindo no carrinho.

Todos olharam para o pequeno carrinho de bebê ao lado de Matteo. Dentro, a pequena Anya dormia pacificamente, o rosto rosado e sereno, uma mãozinha segurando o cobertor.

Don Corallo abriu um sorriso ao olhar para a netinha.
— Falando em nossa netinha — começou ele, com um tom sugestivo. — Assim que passamos pelo casamento de Enrico e Layla, estou pensando em procurar uma esposa para você, Matteo.

Matteo, que havia acabado de tomar um gole de café, quase cuspiu ao ouvir aquilo.
— Como é? — Ele tossiu, olhando incrédulo para o pai.

— Minha sugestão inicial era trazer a mãe de Anya para cá — contínuo Don Corallo —, mas Layla foi contra. Então, estou considerando uma lista de mulheres adequadas. Podemos organizar algumas festas para que você possa conhecer.

— Ah, então Enrico pode escolher uma esposa, e eu não posso? — Matteo retrucou, levantando uma sobrancelha.

— Quem disse que foi Enrico quem escolheu? — rebate Don Corallo com seriedade. — Fui eu quem escolhi Layla para ele. Eles tiveram sorte de se apaixonar. Se você tiver uma oportunidade, também pode ter sorte.

— Claro, porque Mia foi uma "ótima" escolha — Matteo respondeu com sarcasmo.

— De início, pareceu. — Don Corallo estreitou os olhos.

A garota do CapoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora