Capítulo 06. Conhecendo os Corallos.

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Don Corallo, um mafioso nascido na Itália, mantinha uma presença imponente mesmo aos 63 anos, ainda ativo nos negócios que haviam se tornado sua vida. Sua aparência refletia uma mistura de charme endurecido pela vida e pela idade. Seu cabelo uma vez escuro estava agora salpicado de fios grisalhos, penteado para trás com precisão meticulosa. Os traços de seu rosto eram marcados por linhas de experiência e decisão, um queixo firme e olhos penetrantes que denotavam uma astúcia aguçada.

Layla saiu da cozinha determinada a encontrar Don Corallo. Ele era conhecido por sua personalidade exigente e temperamento forte, e a recente partida de seu mordomo de confiança havia deixado um vazio difícil de preencher na dinâmica da casa.

Ao chegar à biblioteca, Layla parou por um momento diante da porta entreaberta, sentindo uma pontada de nervosismo. Ela hesitou antes de bater suavemente, consciente do ambiente intimidante que a aguardava do outro lado. O cheiro penetrante de cigarro que emanava da sala já começava a incomodá-la, mas Layla sabia que não podia permitir que isso a distraísse de sua missão.

Com um suspiro para reunir coragem, ela abriu a porta e adentrou a biblioteca. O ambiente era rico em madeira escura, estantes repletas de livros antigos e móveis elegantes que refletiam o gosto refinado de Don Corallo. No centro da sala, uma mescla de fumaça de cigarro flutuava no ar, criando uma atmosfera densa e carregada.

No canto mais afastado, Don Corallo estava sentado em uma poltrona de couro escuro, concentrado em algo diante dele. Seu perfil endurecido pela vida e pelas decisões difíceis era ainda mais marcante de perto. Layla sentiu um arrepio percorrer sua espinha enquanto se aproximava, respeitosa e determinada a cumprir sua tarefa.

Don Corallo ergueu o olhar ao perceber sua presença, seus olhos escuros avaliando-a por um instante antes de ele falar.

— Licença.

— O que quer? — Don Corallo perguntou, sua voz carregada de irritação e rudeza.

— Desculpe, senhor, sou Layla. Sua esposa me pediu para servir o almoço — Layla se aproximou com cautela, observando-o sentado na poltrona de couro.

— Não estou com fome — ele respondeu abruptamente.

— O senhor está bem? — Layla perguntou, preocupada com a resposta áspera dele.

— Por que quer saber? — sua resposta veio carregada de desconfiança.

Layla se sentiu um pouco acuada pela grosseria, mas lembrou-se do conselho que ouvira sobre como lidar com personalidades difíceis como a de Don Corallo. Um animal ferido se defende, ela pensou consigo mesma enquanto se aproximava um pouco mais.

Don Corallo segurava um cigarro que soltava uma fumaça espessa como um dragão, mas o que chamou mais sua atenção foi a mão machucada dele, com um corte visível.

— Senhor, sua mão está machucada — Layla disse, sua voz suavizando um pouco. Ela hesitou por um momento antes de continuar: — Senhor, eu aprendi que um bicho ataca a gente muitas vezes por instinto.

— E você acha que eu sou um bicho?

— Todos somos. — Layla respondeu calmamente, enquanto abria as cortinas fechadas e deixava a luz natural inundar a biblioteca. Ela sorriu gentilmente para Don Corallo, buscando suavizar a tensão no ambiente. — Me deixe te ajudar — ela continuou, determinada a oferecer sua ajuda apesar da resistência inicial dele.

— Vai fazer o que? — ele perguntou, ainda com semblante sério e desconfiado.

Layla se ajoelhou ao lado de Don Corallo, enfrentando seu olhar bravo com serenidade. Ela decidiu compartilhar uma história pessoal para tentar criar uma conexão com ele.

A garota do CapoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora