Capítulo 16. De volta a rotina

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Quando a manhã chegou, Layla se levantou silenciosamente, o corpo ainda preguiçoso pelos eventos da noite anterior. Ela se vestiu e deu um beijo rápido em Enrico antes de sair do quarto. Sua rotina de tarefas chamava, e apesar de ele protestar com um resmungo sonolento, ela apenas sorriu, lançando um olhar cúmplice.

— Fique mais um pouco, Layla — ele pediu, esticando o braço para tentar segurá-la.

— Não posso, Enrico — ela respondeu, ajustando o vestido. — Tenho muito a fazer.

Ele suspirou, caindo de volta nos travesseiros enquanto a porta se fechava atrás dela. Rolou de um lado para o outro na cama por algum tempo, sem conseguir voltar a dormir ou encontrar algo que realmente o motivasse. Frustrado, decidiu se levantar e fazer algo produtivo.

Enrico trocou de roupa e foi até a academia que sua mãe insistira em montar. Embora fosse uma parte da casa raramente utilizada, parecia uma boa oportunidade para gastar um pouco de energia. Ao abrir a porta, deparou-se com Lucca e Lecce em uma conversa descontraída.

— Já estão acordados? — perguntou, interrompendo a troca de palavras entre os dois.

Lucca, que estava com um halter em uma das mãos, levantou uma sobrancelha com um sorriso malicioso.

— Olha só, o fugitivo do quarto! — provocou. — O que aconteceu? Layla te deu uma folga?

A risada de Lucca ecoou pela sala, mas Enrico apenas revirou os olhos, caminhando até o banco de supino para começar seu treino. Lecce, por sua vez, virou as costas para os dois, movendo-se em direção a um dos aparelhos para ajustar o peso, como se estivesse alheia à conversa.

— Muito engraçado, Lucca — rebateu Enrico com um tom sarcástico. — Talvez você devesse se preocupar menos com a minha vida e mais com o que vai fazer hoje.

— Ah, não se preocupe, irmão. Eu sempre arrumo o que fazer — respondeu Lucca, piscando para ele.

Lecce virou-se de costas para os irmãos, caminhando até um dos aparelhos para ajustar os pesos. Seu silêncio parecia mais pesado que os próprios halteres que segurava, mas Enrico ignorou, concentrando-se na conversa com Lucca.

— Layla está de alta, então resolveu voltar ao trabalho — comentou Enrico, enquanto aumentava a velocidade da esteira.

— E você? Vai voltar à rotina também? — Lucca perguntou, com um olhar curioso.

— Bom, acho que não tenho escolha... embora ela pudesse ter ficado mais uma semana na cama — respondeu, com um sorriso que mesclava provocação e nostalgia.

— Ah, eu vi bem como vocês estão na cama — disse Lucca, rindo.

Enrico parou abruptamente, encarando o irmão com um olhar desconfiado.

— O que quer dizer com isso?

— Ontem à noite ouvi ela chamando seu nome. — Lucca gargalhou, se divertindo com a reação de Enrico. — Conseguiu chegar ao final feliz?

Enrico revirou os olhos, mas não perdeu a chance de devolver a provocação:

— Que comentário nojento, Lucca. — Ele sorriu de canto. — Só estava dando prazer à minha dama. E que maravilha, por sinal... tão doce quanto mel. Ela é perfeita para mim, feita sob medida.

Enrico acelerou o ritmo na esteira, mantendo um tom firme, quase desafiador. Ele sabia exatamente o que estava fazendo: deixando claro para Lecce, mesmo indiretamente, que Layla era sua. Lecce permaneceu calado, mas sua expressão endureceu antes de sair da academia sem uma palavra.

— Lecce anda estranho ultimamente — comentou Enrico, quebrando o silêncio após a saída do irmão.

— Estranho ou com ciúmes? — Lucca sugeriu, arqueando uma sobrancelha.

A garota do CapoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora