O ar no na biblioteca da mansão Corallo estava denso. As janelas altas deixavam a luz dourada da tarde entrar, mas a tensão entre as pessoas presentes parecia obscurecer qualquer sensação de calor ou aconchego. Eleonor estava sentada com a postura de quem comandava um império, uma taça de vinho branco equilibrada entre os dedos, enquanto Enrico andava de um lado para o outro, incapaz de conter a inquietação que o consumia.
— Você bebeu seu Chardonnay com o quê? — Enrico estourou, a voz carregada de impaciência.
Eleonor arqueou uma sobrancelha, sua expressão firme, mas tranquila.
— Enrico, cuidado com o tom de voz, ou eu vou perder minha paciência. — Seu tom era gélido, e ela pousou a taça com um leve estalo sobre a mesa de mármore.
Do outro lado do salão, Don Corallo, sempre com um leve ar de diversão, interrompeu:
— Eleonor, você realmente achou que ele aceitaria isso numa boa, como diz os jovens — Ele gargalhou, como se já previsse o desfecho.
— Claro que não — respondeu Eleonor, com um sorriso cortante. — Ele herdou sua personalidade.
— E sua falta de habilidade em seguir ordens — retrucou Don Corallo, jogando as mãos no ar como se fizesse um brinde a si mesmo.
— Licença, podemos voltar ao assunto? — Ele parou abruptamente no centro da sala, mirando a mãe. — Isso não vai acontecer.
Eleonor levantou-se devagar, ajeitando a barra do vestido de seda. Sua postura não era a de uma mulher disposta a recuar.
— Perdão? Eu pedi sua autorização, Enrico? Porque, francamente, não me lembro.
— Você não vai levar minha mulher! — Enrico exclamou, cruzando os braços.
— E ela não tem o direito de escolher, Enrico? — rebateu Eleonor, sem hesitar.
Enrico hesitou por alguns instantes antes de dizer: — Tem... é que... — Ele procurou as palavras, mas sua mente parecia travada entre o orgulho e o medo de expor seus verdadeiros sentimentos.
— É que... — Eleonor o imitou com deboche, revirando os olhos. — Você é controlador como todos os homens Corallo. Layla não é sua propriedade.
— Esse gênio ruim definitivamente veio do seu lado da família, Eleonor. — Joseph, sempre disposto a provocar, riu.
— Mãe, eu acho que deveríamos falar com ela primeiro. — Enrico ignorou o comentário, virando-se novamente para a mãe.
— Já falei com ela antes de falar com você, querido — respondeu Eleonor, com um tom de paciência fingida. — Acha que eu suportaria esse sermão ridículo sem saber o que ela quer?
— Ela concordou? — A voz de Enrico saiu fraca, quase um sussurro, e seu rosto perdeu a cor. A ideia de Layla querer ir para longe dele o atingiu como um soco no estômago.
— Enrico, ela não está indo para a guerra. São apenas férias na Itália.
Antes que ele pudesse responder, uma voz surgiu da entrada da biblioteca:
— Por que não posso ir? — Layla estava ali, com o olhar firme, os braços cruzados.
Todos se viraram. O silêncio tomou conta por um instante, enquanto Enrico parecia ser perfurado pela intensidade dos olhos dela.
— Layla, amore mio, é que... — Enrico começou, mas parou, percebendo que suas palavras estavam se embaralhando na garganta.
— Por que não posso ir? — Ela repetiu, sua voz desafiadora, mas controlada.
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A garota do Capo
RomanceATENÇÃO, ESSE LIVRO É EXTREMAMENTE ERÓTICOE CHEIO DE FETICHES. SE VOCÊ FOR SENSIVEL NÃO LEIA, NÃO ABRA, NÃO INCOMODE (PODE HAVER CENAS QUE OS PURITANOS CONSIDEREM NOJENTAS) Livro 1. da Serie "os Herdeiros da Máfia" Layla, uma jovem que perdeu tud...
