Capítulo 56. Sangue e Flores.

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Layla estava sentada em uma cadeira de encosto alto no salão, com o olhar fixo no decorador à sua frente. Ao lado dela, Eleonor e Enrico a observavam em silêncio. O ar estava pesado com a tensão crescente, e Layla parecia prestes a perder a paciência.

— Qual é o problema? — perguntou ela, estreitando os olhos para o decorador, que, segundo Eleonor, era o melhor em casamentos sofisticados.

— Amore mio — Enrico segurou sua mão delicadamente, tentando acalmá-la. Seu tom era doce, mas carregava um pedido de conciliação. — Devemos seguir o que as pessoas estão acostumadas.

Layla virou-se para ele com um brilho desafiador nos olhos. — E por que não pode ser do meu jeito?

Enrico hesitou, olhando para Eleonor em busca de apoio antes de responder. — Amor, você quer que tragam árvores inteiras plantadas para a decoração.

— Exatamente.

Ele suspirou, tentando manter a calma. — Amorzinho, minha linda, não faça isso comigo. Você me deixa sem reação.

Layla cruzou os braços e levantou o queixo em desafio. — Enrico, eu não vou matar flores para a decoração. Qual é o problema em usar árvores floridas?

Antes que o noivo pudesse responder, Eleonor interveio. — E se usássemos flores artificiais? Assim, não matamos as árvores e ainda podemos criar um belo arco decorativo.

Layla ponderou por um instante, mas o decorador interrompeu com um suspiro audível de desagrado. — Eu não costumo trabalhar com esse tipo de material — disse ele com um tom de desprezo que fez Layla erguer uma sobrancelha.

— Então chegamos a um impasse — declarou ela, cruzando os braços com firmeza.

— Meu amor, eu organizo grandes festas, eventos memoráveis, casamentos emblemáticos — argumentou o decorador. — Não posso usar flores artificiais.

Layla levantou-se de repente, seus passos ecoando no chão de mármore enquanto seus olhos brilhavam de irritação. — Talvez você não seja o que eu preciso. Façam como quiserem. No dia, eu coloco o vestido e fico lá.

Sem esperar resposta, ela saiu do salão batendo os pés com força, o som de seus sapatos ecoando pelos corredores. Layla era contra um casamento grandioso desde o início e havia lutado para que a cerimônia fosse no jardim da mansão. Mas agora, tudo parecia estar escapando de suas mãos, e aquele decorador insistente estava transformando sua visão em um espetáculo opulento que ela desprezava.

Enrico pediu licença a Eleonor e saiu do salão, apressando o passo pelos longos corredores da mansão. Ele sabia exatamente onde encontrar Layla. A tensão no ar parecia conduzi-lo direto à cozinha.

Quando ele entrou, viu-a de costas, inclinada sobre o fogão, mexendo vigorosamente o conteúdo de uma panela com água fervendo. Seus movimentos eram bruscos, quase mecânicos, e o vapor que subia parecia um reflexo da frustração que emanava dela. A cozinha, geralmente acolhedora com seus aromas e móveis rústicos, agora parecia envolta em uma atmosfera pesada e tensa.

— Layla... — começou ele, sua voz suave tentando romper a barreira de tensão.

Ela girou nos calcanhares em um movimento abrupto, a colher ainda em sua mão como se fosse uma extensão de sua raiva. Seu rosto estava ruborizado, e os olhos brilhavam com lágrimas contidas.

— Eu vou explodir, Enrico! — declarou ela com intensidade, apertando a colher com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.

Enrico respirou fundo e se aproximou lentamente, como se estivesse tentando acalmar um animal selvagem. — O que está havendo, amore mio? — perguntou ele, sua preocupação evidente.

A garota do CapoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora