Capítulo 45. O final

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Eleonor estava sentada no sofá da sala, segurando com as duas mãos uma caneca quente de chá valeriana, misturada com camomila. Era um esforço para enganar os nervos que, mesmo com todos os remédios e ervas, desde que teimar em se manter à flor da pele. O aroma doce preenchia o ambiente quando Marta apareceu na porta. Seu semblante traz um misto de choque e preocupação.

— Quer um chá? — Eleonor perguntou, tentando subir mais casualmente do que se sentia.

— Você está preocupado? — Marta rebateu, sua voz tremia levemente.

— Não... — Eleonor hesitou. — Talvez um pouco ansiosa. Sei que eles foram para o hospital com Layla.

Marta sentou-se devagar na poltrona ao lado, aceitando a xícara que Eleonor lhe oferecia.

— Lamento muito pela menina — disse Marta, segurando a xícara com dedos trêmulos.

— A mãe dela estava envolvida nesse sequestro. Ela está muito machucada. — Eleonor suspirou, as palavras pesando como chumbo.

— Coitada... — Marta murmurou, olhando para o chão. — Não consigo nem imaginar o que ela deve estar sentindo.

Eleonor declarou os olhos, fixando-os em Marta, como se pesasse cada palavra antes de falar.

— Marta... eu sei que você não gosta da nossa família. Eu sei que o Enrico falou coisas horríveis para Vitória. Mas por que ela quer ficar aqui? Nós éramos amigos. Você sabe como minha família sofreu... como Enrico sofreu. E eu sei que você sofreu mais do que todos.

Marta falou o olhar, confuso com a direção da conversa.

— O que você está tentando dizer, Eleonor?

— Eu vi a brigada de Vitória com Layla. — Eleonor hesitou, confundindo no chá. — Ela a chamou de prostituta de luxo, Marta. Isso não foi só um deslize. O Vitória não precisa daquela cadeira de rodas... e quando eu ia entrevir, o Lecce apareceu.

— Você acha que ela está fingindo? — Marta disse, surpresa, mas com um quê de cautela na voz.

— Eu tenho certeza de que algo não está certo. E ninguém aqui está bem com isso. — Eleonor soltou um suspiro pesado.

Marta segurou a xícara com mais força, mordendo os lábios inferiores. Parte dela sabia que havia algo errado com a atitude de Vitória, especialmente em relação a Enrico, mas ela tinha escolhido ignorar até então.

— Talvez seja melhor que Vitória vá embora antes que eles voltem ao hospital. Já fizemos muito... demos casa, assistência, tudo o que preciso.

Marta fechou os olhos por um instante, tentando organizar os pensamentos. A alegria que sentira ao ver Vitória acordar depois de tanto tempo inconsciente parecia estar se dissipando diante da situação.

— Partiremos amanhã. Mas talvez Vitória deva se desculpar antes.

Eleonor olhou com uma expressão cansada, mas determinada.

— Na verdade, Marta... talvez fosse melhor que ela nunca tivesse aparecido aqui nesta história. Sua presença aqui foi um erro.

As palavras de Eleonor eram cortantes, mas honestas. Marta não respondeu imediatamente. O peso da culpa começou a se formar em seu peito. Sabia que foi um erro permitir que sua filha permanecesse ali.

Os barulhos apressados ​​na porta ecoaram pela casa, interrompendo qualquer tentativa de calmaria. Eleonor largou o que estava fazendo e foi atendendo.

— Vocês já voltaram? — Disse, sua voz sobre informações de interesse.

— Viemos pegar algumas roupas para Layla e Enrico — respondeu Lucca, a expressão cansada.

A garota do CapoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora