Enrico estava sentado à mesa de jantar com seus pais, tentando disfarçar a ansiedade que crescia em seu peito. A conversa parecia correr de forma natural até que o telefone tocou. A mãe de Enrico atendeu, e ele não pôde evitar que seus olhos se fixassem nela, tentando decifrar cada expressão em seu rosto. Quando ela finalmente desligou, ele sentiu como se o ar tivesse sido arrancado de seus pulmões. Seu coração parecia querer parar enquanto aguardava, desesperado, por qualquer palavra que esclarecesse a ligação.
Para aliviar sua inquietação, Enrico monitorava discretamente as câmeras instaladas na porta da casa de Layla. Dia após dia, ele observava seus movimentos: ela saía e entrava sempre sozinha, o que lhe trazia uma sensação de alívio. Mas então, algo inesperado aconteceu. Em uma noite, ela saiu e não voltou. A princípio, ele imaginou que ela estivesse retornando para casa, mas os dias passaram, e Layla continuava dizendo que ainda estava em Lisboa. Ele sabia que era mentira.
— O que ela faz em Porto? — perguntou, quebrando o silêncio tenso que pairava na sala.
— Não sei — respondeu a mãe, com a mesma serenidade de sempre.
— Por que ela precisa sair com tanta urgência? — insistiu, tentando manter a voz controlada.
— Não sei — repetiu ela, ainda imperturbável.
— Será que ela está com problemas? — A inquietação em sua voz era evidente agora.
— Enrico, acalme-se — interveio Eleonor, sua irmã mais velha, com um tom firme e tranquilizador. — Todos nós sabemos o mesmo que você. Precisamos atender ao pedido de Layla. Ela vai nos contar o que está acontecendo.
Enrico riu, mas o som estava longe de ser alegre.
— Da mesma forma que ela disse que voltaria? Isso foi há meses, Mamãe! Cinco meses! — Ele quase gritou, seu autocontrole se desfazendo.
— Enrico, vamos resolver isso. Agora, respire. — A tentativa de Eleonor de acalmá-lo não teve grande efeito.
— Ok — respondeu ele, bufando de frustração. Determinado, começou a organizar os preparativos: o avião, os contatos, tudo que fosse necessário para encontrar Layla e obter as respostas que tanto ansiava.
Naquela noite, o sono foi um luxo que ele não conseguiu alcançar. Virava de um lado para o outro na cama, com os pensamentos se sobrepondo como ondas em uma tempestade. Pela manhã, arrastou-se para o trabalho, exausto e mentalmente desgastado. A situação tornava-se insuportável. Respeitar o espaço de Layla e essa filosofia de "deixe ir, se for seu, voltará" não combinavam com ele. Enrico não era esse tipo de homem. Ele precisava de ação, de respostas, de controle.
Seu coração estava decidido: ele não deixaria mais o destino ditar os rumos de sua vida. Era hora de descobrir a verdade, custasse o que custasse.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Matteo dirigia calmamente. Ainda faltava muito tempo para elas chegarem, mas ele já sentia a ansiedade crescendo em seu peito. Tornar-se pai era algo intenso, uma mistura de alegria, medo e expectativa que parecia inundar cada canto de sua mente.
Ele estacionou no aeroporto e ficou pacientemente aguardando a chegada do avião. Quando finalmente o viu pousar, sentiu o coração acelerar. Layla desceu devagar, carregando algo que, à distância, parecia uma pequena bola branca envolta em panos. Mas, conforme ela se aproximava, Matteo pôde ouvir o som de um choro delicado e insistente.
— Layla — ele chamou, quase sem acreditar.
— Você me deve tanto, Matteo, tanto — disse Layla, a voz exausta. A neném havia chorado durante boa parte do voo. — Eu juro...
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A garota do Capo
RomanceATENÇÃO, ESSE LIVRO É EXTREMAMENTE ERÓTICOE CHEIO DE FETICHES. SE VOCÊ FOR SENSIVEL NÃO LEIA, NÃO ABRA, NÃO INCOMODE (PODE HAVER CENAS QUE OS PURITANOS CONSIDEREM NOJENTAS) Livro 1. da Serie "os Herdeiros da Máfia" Layla, uma jovem que perdeu tud...
