Alguns anos antes...
Enrico segurava firme o volante enquanto os pneus do carro deslizavam pela estrada sinuosa. A noite estava escura, e a única luz vinha dos faróis que cortavam a escuridão como lâminas. Ele sabia que estava sendo seguido — conseguia ver os faróis dos veículos atrás dele refletidos no espelho retrovisor. O coração batia descompassado, e sua mente estava focada em apenas uma coisa: escapar.
— Enrico, está tudo bem? — perguntou Vitória, sentada no banco do passageiro. Sua voz estava embargada, e ela apertava o cinto de segurança como se aquilo fosse a única coisa que a mantinha no controle.
— Não. — Ele respondeu, secamente, sem desviar o olhar da estrada. — Eles não vão parar até me alcançar. Esse território é uma linha tênue, e eles acham que eu a cruzei.
— Não seria melhor parar e conversar? — Vitória sugeriu, mas no fundo sabia que não era uma possibilidade.
— Não é assim que as coisas funcionam, Vittoria. — Sua voz era grave, marcada pela tensão.
A mansão dos Corallo, destino da noite, parecia cada vez mais distante à medida que o perigo se aproximava. Vitória tentava disfarçar o nervosismo, mas a cada curva, seu corpo se movia instintivamente como se pudesse ajudar a desviar o carro do perigo. Enrico, por sua vez, estava tão concentrado nos carros atrás dele que mal notava o que acontecia ao redor.
Foi quando, de repente, um vulto cruzou a estrada. Uma figura indistinta — talvez um cervo ou um cachorro — surgiu do nada, e o instinto de Enrico o fez virar o volante bruscamente.
— Enrico, cuidado! — Vitória gritou, mas era tarde demais.
O carro derrapou, saiu da estrada e, com um estrondo ensurdecedor, colidiu contra uma árvore. O mundo virou de cabeça para baixo por alguns segundos intermináveis antes de tudo se apagar.
Os dias que se seguiram foram um borrão para a família de Enrico. Ele ficou inconsciente, entre a vida e a morte. Quando finalmente abriu os olhos, a primeira visão que teve foi a de sua mãe. Ela estava sentada ao lado da cama, segurando sua mão firmemente. Os olhos vermelhos denunciavam as lágrimas que havia derramado, e em sua outra mão, um rosário pendia delicadamente, balançando com os movimentos de seus dedos enquanto ela rezava baixinho.
— Enrico... meu filho... — A voz dela era um sussurro cheio de alívio e emoção. — Graças a Deus, você voltou para mim.
A imagem de sua mãe o inundou como uma memória distante. Em seus sonhos, ele havia visto aquele mesmo olhar, aquelas mesmas orações. Mas havia algo incompleto na visão. Uma pergunta que queimava em sua mente.
— Vitória... — Ele chamou, com a voz rouca e entrecortada. — Onde está Vitória?
Sua mãe evitou o olhar por um instante, e o silêncio dela pareceu pior do que qualquer resposta que pudesse dar. O coração de Enrico acelerou novamente, desta vez por medo. As lembranças do acidente começaram a emergir, confusas, como fragmentos de vidro quebrado que ele tentava juntar.
— Enrico, descanse... — Sua mãe tentou acalmá-lo, mas ele não conseguia ignorar a sensação crescente de que algo estava terrivelmente errado.
Enrico despertou sobressaltado, o peito subindo e descendo rapidamente enquanto sua mente ainda se ajustava entre o sonho e a realidade. Sua própria voz ecoava em seus ouvidos, chamando por Vitória. O nome que escapara de seus lábios parecia estranho, como uma palavra de outra época, cheia de peso, mas sem mais sentido em sua vida. Ele passou a mão pelo rosto, tentando dissipar a sensação desconfortável que o sonho havia deixado.
Olhou ao redor do quarto, escuro e silencioso, iluminado apenas pela luz fraca da lua que passava pelas cortinas entreabertas. Ao seu lado, Layla dormia tranquilamente, os cabelos espalhados pelo travesseiro e o rosto sereno. Seu coração, que ainda martelava com o resquício do pesadelo, começou a desacelerar ao observá-la. Era como se a simples visão dela fosse um bálsamo para sua alma inquieta.
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A garota do Capo
RomanceATENÇÃO, ESSE LIVRO É EXTREMAMENTE ERÓTICOE CHEIO DE FETICHES. SE VOCÊ FOR SENSIVEL NÃO LEIA, NÃO ABRA, NÃO INCOMODE (PODE HAVER CENAS QUE OS PURITANOS CONSIDEREM NOJENTAS) Livro 1. da Serie "os Herdeiros da Máfia" Layla, uma jovem que perdeu tud...
