Capítulo 16 - Azriel (Parte 2)

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Não acredito que vou ter o meu primeiro filho biológico com 540 anos. Ainda estou sem acreditar, mesmo depois de fazer milhares de contas e saber que a criança nasceria em algum dia de setembro. Entornei a taça de vinho, enquanto meus irmãos mais novos me encaravam, curiosos.

- Melhor pegar mais leve, papai - Cassian brincou, tomando a taça das minhas mãos. Eu estava praticamente estirado na poltrona do escritório, praticamente derrotado - A Lizzie sabe que você está bebendo tanto assim e que está aqui?

- Não - afirmei. Eu tinha dito a ela que não beberia mais nada alcoólico enquanto ela estivesse grávida, pois ela também não poderia tomar por causa do bebê. Porém, tive que voltar aos velhos hábitos - E ela está dormindo.

- Qual a novidade que você achou? - Rhys perguntou, ansioso.

- Me encontrei com o bastardo - falei, passando as mãos pelo cabelo, tentando o manter no lugar. De repente, a sala ficou silenciosa, mas eu sentia que ela fervilhava em curiosidade. Não demorou muito para o Rhys voltar a me perguntar sobre o que eu tinha descoberto.

- Onde?

- Na Mansão da Madame - seus olhos roxos esbanjavam preocupação.

- Então quer dizer que ela sabe?

- Tem poucas coisas que aquela mulher não deve saber, Rhys - Cas disse, pensativo. Ele não estava mentindo, de fato. A Madame é muito mais que uma velha caduca.

- Foi o Eureka quem contou que ele estaria lá? - Rhysand continuou, tentando se manter neutro à situação.

- Não - respondi, sem ânimo algum - A Madame chamou a Lizzie para lá. Eu não a deixaria ir sozinha. Então, acabei esbarrando com eles.

- Eles? - o Grão-Senhor perguntou, sem entender.

- Koa e Seren também estavam lá - pontuei.

- Descobriu mais alguma coisa? - Rhysand persistiu, quase que em desespero por informações. Quando não respondi de imediato, ele reformulou a pergunta - Acha que ele pode tentar tomar a Primaveril agora que está livre?

Eu sabia que seu desespero vinha de dois fatores: uma crise política em Prythian que poderia ocorrer se o Duke decidisse matar e reivindicar o trono da Primaveril e uma vingança familiar contra os Grão-Senhores da Noturna. Tamlin não poderia se defender do jeito que está atualmente, então seria fácil matá-lo.

Porém, duvido que algo do tipo fosse acontecer. Se o Duke quisesse tomar o trono negado a ele no nascimento, a próxima parada do feérico deveria ter sido na Primaveril, não o castelo no meio do oceano.

Contudo, por mais que Rhys não devesse se preocupar tanto com o Duke, eu deveria. Lizzie com certeza fará de tudo para passar mais tempo com o pai (o que eu não a culpo), mas não posso deixá-la simplesmente sair sozinha em uma longa jornada em alto mar com uma gravidez de risco. Parece que esse feriado deverá ser diferente dos outros.

- Não - falei, de forma fria, tentando organizar os meus pensamentos - Ele só parece interessado em achar a filha...

- Por falar nessa família dele... - Rhys me cortou - Deveríamos ir atrás dessa garota antes dele e, se ele tentar alguma coisa, teremos uma garantia ou poderíamos fazer um acordo com o macho.

- Concordo, - Cas se ajeitou na poltrona, desconfortável com a situação - mas não acho que podemos ser tão radicais - ou seja, sem tortura.

Cassian tem um código de honra bem rígido. Nesse caso, ele não machuca fêmeas e crianças, principalmente inocentes. Enquanto isso, Rhysand não tem esses mesmos limites, em especial quando se trata das suas paranoias para "proteger a sua família". Não posso julgar muito, pois a minha régua moral é ainda mais desregulada.

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