Capítulo 13

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Às vezes eu realmente queria conseguir te odiar
Eu tentei, mas isso é apenas algo que não consigo fazer
Meu coração sabe qual é a verdade
Eu jurei que não faria isso

Don't you


Era absolutamente normal se preocupar quando se tinha muito a perder. Joe aprendeu desde cedo que erros poderiam resultar em problemas graves no futuro, assim como a morte premeditada de uma mosca que servia para alimentar um sapo. Como ciclo da mãe natureza funcionaria se o sapo morresse de fome, e não comido por uma ave ou cobra? O problema triplicaria no fim do dia, e nem mesmo um humano seria capaz de amenizar os ricos da extinção.

Então sim, ele era uma pessoa muito preocupada.

Ele se preocupava com o que comeria, e como dormiria. Joe se preocupava com quantos germes havia na mão da pessoa que apertava a sua, assim como se preocupava se lavara corretamente os talheres que usava nas refeições. Suas preocupações aumentavam quando se tratava de ácaros, infecções generalizadas, cortes, e IST. Ele ficava horas pensando sobre seu corpo no hospital, sofrendo para conseguir sobreviver até fazer transfusão de sangue, ao mesmo tempo em que se questionava se o sangue seria bom o suficiente.

Ele cresceu com aquelas ideias insanas.

Desde que aprendeu a falar criou duvidas aos montes.

Sua palavra favorita sempre foi o Por que.

Por que isso?

Por que aquilo?

É certo, por quê?

É errado, por quê?

Sua mãe ficava facilmente louca com tantas perguntas, deixando-o sem respostas muitas vezes.

Para tudo na vida existia uma explicação lógica. A cadeia de acontecimentos era aberta como um leque diante dos olhos de Joe, e ele estudava cada passo com grande entusiasmo. Fascinado com a maneira que a natureza resolvia os problemas eliminando os alvos mais fáceis.

Ele amava o futebol, porque seu irmão amou antes. Era uma explicação razoável, aceitável, bem-vinda, e o suficiente. Não precisava elaborar para encantar.

Ele amava vermelho, porque lhe caia muito bem. Sem profundidade, poesia, menos ainda sentimentalismo.

Joe Burrow era racional, porque nasceu daquela maneira. Sem suposições vazias, ou tentativas falhas de ser outra pessoa, além dele mesmo.

Acreditava que uma mente como a dele não podia ser quebrada. Estava além de muitas outras. Uma em um milhão. Buscada e desejada. Invejada pelos menos favorecidos. Imitada sem sucesso.

Ser quem era não o tornava perfeito, porque nenhuma criatura era digna da perfeição. Cada um tinha sua fraqueza. Até os homens mais fortes dos quadrinhos sofriam com suas fraquezas. No entanto, era algo que um garoto não compreendia totalmente, ainda que fizesse perguntas a adultos tolos.

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