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Richard Ríos

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Richard Ríos

Depois que deixei Vitória em seu apartamento eu não conseguia conter minha empolgação, além da frustração também, porra elas estavam a metros de distância nos últimos dois anos, como isso é possível?

Chego em casa e lembro de tudo que ela me falou, das coisas que a nossa filha gosta e mesmo ela pedindo para ir com calma eu estou ansioso pra caramba para conhecê-la, e não posso mentir que fiquei aliviado em saber que ela e o Diego são apenas amigos, mesmo tendo certeza que eu seria o último homem na face da terra que ela ficaria.

Olho para o relógio e vejo que ainda é cedo, elas não devem estar dormindo ainda e uma ideia surge, pego meu celular e as chaves do carro e saio de casa.

...

— Oi. — digo sorrindo assim que ela abre a porta. Ela me encara por um longo momento e eu faço um esforço enorme para olhar em seus olhos e não no seu corpo. Não que seus olhos me acalmem muito.

— O que está fazendo aqui ? — ela diz e une as sobrancelhas.

— Sei que você pediu para irmos com calma mas eu estava ansioso pra caramba, então pensei que poderíamos sair para jantar, nós 3.

— Deixando claro que estou falando com você como mãe nesse momento. Como mãe. Porque eu e você… O que sinto não vai mudar.

— Vai aceitar meu convite ou continuar com a surra verbal? Preferia tapas em outras condições.

— Richard!

— Desculpa. Faço piadas quando estou nervoso.

Antes que ela responda algumas vozes nos interrompe e vejo Diego entrar na sala com a minha filha no colo, porra esse cara não desgruda nunca? Eles se aproximam e vejo aqueles olhinhos curiosos me encararem.

— Florzinha porque não vai brincar com o tio Diego lá dentro?

— O tio Diego já vai embora e não quer brincar de princesa comigo.

— Eu tenho treino amanhã lindinha.

— Eu posso ir ?

— Depois falamos sobre isso tá bom ?

— Florzinha vai brincar lá dentro que a mamãe já vai.

— Ei eu conheço você. — ela diz apontando para mim e sorri, e aquele sorriso me desmonta.

Vitória suspira e parece se dar por vencida, se despende do Diego e pede para que eu entre.

— Me dá alguns minutos para trocar de roupa.

Eu apenas concordo com a cabeça e observo ela se afastar. Tamborilo o sofá, nervoso, nunca fiquei assim antes, acho que vou passar mal. Meu coração dispara, minhas mãos suam. Tem dois presentes no carro. Não sei se elas vão gostar e isso… Porra, isso me mata.

Esse é o momento em que minha vida vai mudar de verdade, certo? Se tudo for bem hoje, minha filha pode me ver como pai no futuro. Posso estar aqui por ela para sempre.

Ouço passos e vejo Vitória em um vestido florido, escuro. Os cabelos estão soltos e ela usa coturnos escuros, parecendo tanto a garota por quem me apaixonei e… sendo a mulher mais linda que já vi. Algo mudou em todos esses anos. A maturidade não a envelheceu, só a tornou mais perfeita.

Meu coração jamais bateu tão forte ou tão rápido. Ela entrelaça os dedos aos dela, meus olhos ardem porque… Deus, ela parece comigo. A mistura de orgulho e felicidade que sinto é tão absurda que meus lábios tremem e eu os mordo para não chorar e fingir que tudo está perfeitamente bem. Mas a verdade é que nunca tive tanto orgulho de não ter usado uma camisinha antes.

Ela me vê e para, abraçando a perna da Vitória, que não consegue mais andar.

— Vamos jantar com ele hoje? Ele é o seu amigo? — ela pergunta, e Vitória assente, rindo. Como se a timidez fosse só um teatro, a garotinha corre em minha direção.

— Oi!

Meu coração se enche, meus olhos queimam pra cacete e eu engulo o nó
em minha garganta.

— Oi.

A vontade de chorar é esmagadora e eu só me seguro por ela. Para não assustá-la. Mas quando ergo os olhos para Vitória e a vejo nos assistindo, com um sorriso contido… Meu peito queima. Não é incomodo, apenas confortável. Como dormir abraçado com alguém debaixo de um cobertor no tempo frio. É esmagador e calmo ao mesmo tempo. Parece que o mundo só faz sentido agora. Parece que esse é o nascimento da minha filha para mim. Parece que finalmente estou em casa.

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