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Richard Ríos
— Você é um filho da puta. Um canalha. Um desgraçado. Tem vezes que quero tirar sua cabeça do corpo. Tem vezes que quero te sacudir para que acorde. E eu me odeio por chorar por um idiota como você. — Vitória dispara.
Engulo em seco, absorvendo as suas palavras. Abro a boca para falar que nossa filha está alguns metros de distância mas ela me interrompe.
— Mas, porra, Richard, eu te amo.
E subitamente não tenho uma palavra sequer. Minha boca seca, como um deserto. Meu coração, que já batia como um louco, dispara de uma forma que jamais pensei ser possível. Isso era tudo que eu não esperava ouvir depois de tudo que aconteceu hoje.
— Quer fingir que vai me trocar por ela ? Bem, eu não acredito em você.
Engulo em seco, me aproximando. Vitória ergue a cabeça para me ver, mas parece infinitamente mais gigante do que eu.
— Vitória, seja lá o que te disseram…
— Eu sei do contrato, sei das armações e sei sobre meu pai. Quer que eu grite pra todo mundo ouvir ? Quer que eu grite que o filho da puta que me abandonou é um monstro? Porque eu sei disso desde que nasci. E eu não dou a mínima que descubram.
Engulo tudo que cogitei dizer. Ela sabe de tudo. Sua garganta oscila e Vitória me olha profundamente, dando mais um passo à frente, diminuindo mais um pouco a distância entre nós.
— Eu amo você, Richard. E você veio aqui, provou que me ama e lutou por mim. É minha vez de fazer o mesmo. Você tentou por semanas. Eu posso tentar por anos. Eu enfrentaria milhões de pessoas e o filho da puta do seu empresário. Por você. Então pode tentar me afastar, mas eu te garanto, Richard Ríos, que tentar correr de mim não vai me fazer te amar menos.
Seus olhos se tornam marejados e ela morde a boca, tentando segurar o choro.
— Eu sou tão sua que me irrita. Não consigo pensar, não consigo comer, não consigo respirar sem estar impregnado na minha mente. Penso em você o tempo todo. É como se… É como se eu te amasse tanto que renegasse cada pedacinho meu que tenta existir longe de você.
Tudo para quando diz que me ama. É tão recíproco que dói. Vitória me olha desse jeito, fala desse jeito, e eu me apaixono com força pela mesma mulher que amo desde que sei da sua existência. Ela se aproxima ainda mais, se é que é possível e respira fundo, liberando as primeiras lágrimas. Ela toca o meu peito, onde meu coração bate.
— Porque isso não é mais seu e você sabe. Isso é da nossa família. Você lutou por nós... Confiamos em você, amamos você. Então por favor, confie em nós de volta.
— Não vai poder voltar atrás, Vitória. — aviso, porque ela parece não ligar.
— Eu sei. Mas passar o resto da vida te xingando é tudo o que mais quero.
— Vai ser difícil. — Ela sorri.
— Quero isso, jogador. Sei das consequências, e também sei que quer proteger Maju.
— Eu...
— Eu a protegi a vida toda, sozinha. Você prometeu que faria isso comigo e se não lutar por nós, quebra essa promessa. Ceder para aqueles dois aproveitadores é quebrar essa promessa. — Ela me encara, esperando. — Está nas suas mãos, Ríos.
Meu coração dispara e eu não tiro os olhos dos seus. Não até segurar seu rosto, trazendo-o para mim. Não até colidir minha boca na sua. Eu beijo Vitória, ela arfa, aliviada, e eu faço o mesmo, sorrindo, antes de beijá-la mais forte. Ela acaricia minha nuca como sempre faz e eu sinto nossas lágrimas se misturando, mas não paro. Esse beijo era tudo que eu precisava para meu coração despertar. A eletricidade que nos percorre é mútua e não preciso que diga. Está em como sinto nossos corações em sintonia. Está na certeza de que somos um quando estamos juntos.
Isso não é um beijo de despedida. Isso sou eu mostrando para Vitória que ela é minha e eu sou todo seu. Foda-se o contrato, foda-se a Natália, foda-se tudo. Vitória é minha, esse momento é nosso. E isso é ser imbatível.