040. A NAMORADA.

5.7K 303 69
                                        

𝐀𝐍𝐈𝐓𝐀 𝐂𝐀𝐌𝐏𝐎𝐒

É a primeira vez depois de alguns meses assumidos oficialmente na mídia que vamos sair juntos.

A repercussão foi negativa, óbvio. As mensagens que chegam na minha DM são de mal a pior. De “destruidora de lares” a “você nunca será a Bruna”, já li de tudo. Não posso dizer que não esperava por isso. Claro que esperava. Raphael e Bruna eram o casal perfeito na visão de todos, e eu? Eu sou a vilã da história, a amante que saiu da sombra.

Mas quer saber? Eu não me importo. Pela primeira vez em anos, eu me sinto a namorada. Sei que não sou a primeira, mas ele faz questão de mostrar, a todo momento, que sou a escolhida. Não são palavras vazias ou gestos calculados; é a forma como ele me olha, como se o mundo inteiro pudesse esperar enquanto ele segura minha mão.

É o jeito como ele faz questão de responder aos olhares de julgamento com um sorriso de canto, sempre com uma mão firme na minha cintura, como quem diz: "Ela é minha." E isso? Isso basta.

Paro em frente ao espelho do quarto, ajeitando meu cabelo em um coque baixo, os fios rebeldes insistindo em escapar pelas laterais. Raphael está sentado na cama atrás de mim, com as pernas abertas e os braços apoiados nos joelhos, me observando de um jeito que só ele faz. É aquele olhar que mistura desejo e curiosidade, como se estivesse tentando desvendar o que passa pela minha cabeça.

Queria dizer que estou bem. Que essas mensagens e olhares não me afetam, mas não consigo. Não quero admitir que, no fundo, me sinto insegura em sair com ele.

– Tá pensando em quê? — ele pergunta, a voz baixa e rouca, cortando o silêncio que pairava entre nós.

Olho meu reflexo no espelho, mas não consigo encará-lo diretamente.

– Só... — começo, mas paro, respirando fundo. – Só pensando se vale a pena, sabe?

Ele franze o cenho, se levantando devagar e vindo na minha direção.

– O que não vale a pena?

Mordo o lábio, hesitando. Não quero jogar isso nele, mas as palavras saem antes que eu possa segurar.

– Ouvi tanta coisa nesses meses, Raphael. Coisas horríveis, de gente que nem conheço e... de pessoas que conheço também. As esposas, as namoradas dos seus colegas... Eu sei o que elas falam sobre mim, ouvi pelos cantos. E os caras? Eles nem precisam dizer nada, o julgamento tá estampado na cara deles.

Ele para atrás de mim, a mão quente pousando no meu ombro, enquanto sua outra mão sobe lentamente até segurar meu queixo e me fazer olhar para ele pelo reflexo.

– Deixa eles olharem, falarem, pensarem o que quiserem. Quem importa aqui sou eu e você. Só eu e você, entendeu?

Queria acreditar nisso, mas o nó na garganta não diminui.

Dou um sorriso meio sem graça e decido cortar o assunto antes que ele insista mais.

– Tá, tá bom, filósofo do amor. Agora sai daqui, vai. Preciso me vestir.

Ele arqueia uma sobrancelha, cruzando os braços.

– Pra quê? Já vi tudo o que tem aqui, nada de novo.

Reviro os olhos, rindo, e começo a empurrá-lo suavemente em direção à porta.

– Isso não te dá passe livre pra ficar me olhando toda vez que vou trocar de roupa.

– Por que não? Sou seu namorado, tenho direitos.

– Direitos de quê, Raphael? — rio, empurrando com mais força enquanto ele se faz de pesado, parando no meio do caminho.

𝐀𝐃𝐔𝐋𝐓É𝐑𝐈𝐎. - 𝐑𝐀𝐏𝐇𝐀𝐄𝐋 𝐕𝐄𝐈𝐆𝐀.Onde histórias criam vida. Descubra agora