Capítulo 29

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Bárbara observou Penélope se levantar com um sorriso satisfeito, mas havia algo na postura dela que a incomodava. A jovem estava empolgada, talvez até demais, como se já tivesse conquistado um espaço que ainda não lhe pertencia. Alonso, por sua vez, parecia satisfeito com a decisão de dar uma chance à sobrinha, sem perceber — ou ignorando propositalmente — a tensão silenciosa no olhar de sua esposa.

— Vou preparar algo incrível, tia, prometo. Você não vai se arrepender! — Penélope disse, radiante, pegando sua bolsa.

Bárbara apenas sorriu, um sorriso calculado.

— Espero que sim, Penélope. Vou aguardar sua proposta.

A jovem se despediu com um beijo rápido no rosto do tio e saiu da sala com leveza, deixando no ar um perfume adocicado que Bárbara considerou excessivo. Alonso, satisfeito com o desfecho da conversa, pegou um copo de whisky e se recostou na poltrona.

— Isso foi bem resolvido, não acha? — ele disse, tomando um gole da bebida.

Bárbara cruzou as pernas, estudando o marido.

— Se você acha que dar espaço a uma jovem inexperiente na empresa é uma boa ideia, Alonso, quem sou eu para discordar?

Ele soltou uma risada curta.

— Não precisa ser tão cética, querida. Você mesma disse que avaliará o trabalho dela.

— Claro, e eu o farei. — Bárbara se levantou, ajeitando o vestido. — Agora, se me dá licença, tenho assuntos da empresa para resolver.

Deixou Alonso ali e subiu para seu quarto, onde Julieta já organizava algumas roupas no closet. Assim que a viu, a empregada percebeu o humor de Bárbara e optou pelo silêncio, mas sua patroa quebrou o silêncio primeiro.

— O que acha de Penélope trabalhar na empresa?

Julieta, surpresa com a pergunta, hesitou antes de responder.

— A senhorita quer minha opinião sincera?

Bárbara lançou-lhe um olhar de soslaio.

— Eu nunca espero nada além disso.

Julieta se aproximou, abaixando um pouco a voz.

— Acho que ela quer mais do que um simples cargo. Essa menina não está interessada só no trabalho.

Bárbara deu um pequeno sorriso.

— Isso é óbvio. A questão é: até onde ela quer chegar?

Julieta deu de ombros.

— Talvez ela só queira provar algo para o senhor Alonso... ou para alguém mais.

Bárbara encarou sua imagem no espelho e ajeitou a gola do robe de seda.

— Isso eu vou descobrir.

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No dia seguinte, na empresa

A rotina na empresa começou cedo. Bárbara chegou como sempre, impecável e preparada para mais um dia de trabalho. Lurdinha já a aguardava na recepção, com a agenda organizada.

— Bom dia, Bárbara. Seu café já está na mesa, e o senhor Franco ligou mais cedo para confirmar a reunião de hoje à tarde.

— Ótimo — Bárbara respondeu, pegando alguns documentos que Lurdinha lhe entregava. — Algo mais?

— Sim… A senhorita Penélope chegou há alguns minutos e está aguardando para falar com você.

Bárbara levantou o olhar, surpresa.

— Tão cedo?

Lurdinha assentiu.

— Disse que veio trazer a proposta que a você pediu.

Bárbara cruzou os braços, ponderando. Não esperava que Penélope levasse o pedido tão a sério — achava que a sobrinha de Alonso se limitaria a algumas ideias vagas e dependeria da boa vontade do tio para conseguir um espaço na empresa. Mas agora estava curiosa.

— Mande-a entrar.

Poucos segundos depois, Penélope surgiu na porta, sorridente e confiante. Usava um blazer claro, combinando com sua saia, e segurava uma pasta em mãos.

— Bom dia, tia! Espero que não esteja ocupada.

— Estou sempre ocupada, mas vamos ao que interessa. — Bárbara indicou a cadeira à sua frente. — Você disse que trouxe a proposta?

— Sim! Passei a noite trabalhando nela. Quero que veja que estou realmente interessada em contribuir.

Bárbara observou enquanto a jovem abria a pasta e retirava alguns papéis. Penélope deslizou a primeira folha sobre a mesa e começou a explicar.

— Eu analisei o perfil da empresa e pensei em algo que pode fortalecer a presença da marca nas redes sociais. Acredito que um marketing mais dinâmico e interativo pode atrair um público novo e fidelizar clientes antigos.

Bárbara pegou a folha e leu rapidamente, enquanto Penélope continuava:

— Aqui estão algumas estratégias que imaginei, como campanhas segmentadas e parcerias estratégicas. E também incluí uma análise de concorrentes para mostrar como podemos nos destacar.

Bárbara manteve a expressão impassível enquanto folheava os documentos. O material não era perfeito, mas mostrava esforço. Havia pesquisas, sugestões plausíveis e até uma tentativa de análise de mercado.

— Fez tudo isso sozinha? — perguntou, sem levantar os olhos.

— Sim. Quer dizer… Fiz algumas pesquisas, claro, mas elaborei tudo sozinha.

Bárbara finalmente pousou os papéis sobre a mesa e encarou Penélope.

— Tenho que admitir, Penélope, estou surpresa. Não achei que traria algo tão estruturado.

O rosto da jovem se iluminou.

— Então gostou?

— Eu disse que avaliaria. Ainda não decidi nada. — Bárbara se recostou na cadeira. — Mas há algo aqui.

Penélope sorriu, satisfeita.

— Fico feliz! Quero mostrar que posso contribuir de verdade.

Bárbara assentiu lentamente, ainda analisando a jovem à sua frente. Talvez Penélope não fosse apenas uma garota mimada em busca de atenção. Talvez houvesse, de fato, alguma ambição ali — e isso a tornava ainda mais imprevisível.

— Muito bem. Deixe esse material comigo. Vou analisar com calma e dou um retorno.

Penélope se levantou, parecendo orgulhosa de si mesma.

— Obrigada pela oportunidade, Bárbara.

Bárbara apenas observou enquanto a jovem saía da sala. Quando a porta se fechou, ela pegou os papéis novamente e começou a analisá-los mais a fundo. Penélope tinha potencial, mas ainda havia muito a provar.

Bárbara não dava nada de graça — e se Penélope quisesse um lugar ali, teria que mostrar que merecia.

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