Capítulo 35

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Bárbara chegou à empresa mantendo sua postura impecável, como se nada do que acontecera no café da manhã a tivesse afetado. Mas, por dentro, seu humor estava longe de ser tranquilo. Penélope estava se tornando mais ousada a cada dia, e a ideia de vê-la ao lado de Franco em qualquer situação já era o suficiente para incomodá-la.

Assim que entrou em seu escritório, Lurdinha já a aguardava com sua agenda em mãos.

— Bom dia, Bárbara. O senhor Franco já está na sua sala, como combinado. E a senhorita Penélope chegou logo depois, pediu para falar com você.

Bárbara respirou fundo, ajeitou o blazer e caminhou até sua sala, onde encontrou Franco sentado confortavelmente, revisando alguns documentos. Ele ergueu os olhos ao vê-la entrar e sorriu.

— Bom dia, Bárbara.

— Bom dia, Franco. Vejo que já se acomodou — ela disse, colocando sua bolsa sobre a mesa.

Ele riu baixinho.

— Apenas me adiantei. Temos muito o que discutir hoje, não?

Bárbara estava prestes a responder quando a porta se abriu novamente. Penélope entrou com a mesma confiança de sempre, segurando uma pasta contra o peito.

— Espero não estar interrompendo nada importante — disse ela, sorrindo.

Bárbara recostou-se na cadeira, cruzando as pernas.

— Isso depende. Imagino que tenha vindo trazer sua proposta.

— Exatamente! — Penélope caminhou até a mesa e colocou a pasta diante da tia. — Trabalhei bastante nela. Tenho certeza de que vai gostar.

Antes que Bárbara pudesse abrir os documentos, a jovem se virou para Franco e sorriu de forma casual.

— Ah, Franco, ainda bem que está aqui. Queria agradecer por toda a ajuda com as ideias. Você foi realmente um grande apoio.

Bárbara ergueu os olhos, estreitando-os levemente. Franco apenas sorriu, despreocupado.

— Fico feliz em ajudar. Você fez um bom trabalho sozinha também.

Penélope lançou um olhar de soslaio para Bárbara, seu sorriso malicioso denunciando sua verdadeira intenção.

— Sim, mas é ótimo contar com alguém tão experiente e... atencioso.

O ar na sala ficou carregado por um instante. Bárbara manteve a expressão fria, mas Franco percebeu a tensão em seu olhar.

— Suponho que queira que eu analise isso agora — Bárbara disse, ignorando a provocação da sobrinha e abrindo a pasta.

Ela passou os olhos pelos documentos, analisando cada detalhe da proposta com atenção. Penélope, ao contrário do que Bárbara esperava, havia feito um trabalho sólido. O material estava bem estruturado, as estratégias eram bem pensadas e a pesquisa de mercado demonstrava dedicação.

Bárbara fechou a pasta e pousou as mãos sobre ela, olhando diretamente para Penélope.

— Você se esforçou. Fez um ótimo trabalho.

O rosto da jovem se iluminou.

— Então significa que eu consegui?

Bárbara inclinou a cabeça levemente, mantendo um sorriso enigmático.

— Não.

O sorriso de Penélope vacilou.

— Como assim? Mas você disse que estava bom!

— Está. Mas bom não é suficiente para mim — Bárbara disse, com a voz tranquila, porém firme. — Você fez um ótimo trabalho para alguém que está começando, mas ainda não está no nível que a empresa exige.

Penélope abriu a boca para protestar, mas foi interrompida por Franco.

— Isso não tem nada a ver com o trabalho em si, tem? — ele perguntou, olhando diretamente para Bárbara.

Ela se virou para ele, mantendo a pose.

— O que quer dizer com isso?

Franco cruzou os braços, analisando-a.

— Sei reconhecer quando suas decisões são profissionais e quando são... pessoais.

Bárbara sentiu o sangue ferver com aquela observação. Franco a conhecia bem demais.

— Se acha que estou misturando as coisas, talvez esteja enganado — disse ela, encarando-o com firmeza.

Franco não respondeu de imediato, mas o olhar que ele lançou dizia que não acreditava em uma palavra do que ela dizia.

Penélope, por sua vez, cruzou os braços e soltou um riso irônico.

— Bom, então suponho que devo tentar de novo, já que minha proposta “não é suficiente”.

Bárbara apenas sorriu de forma calculada.

— Exatamente. Pode tentar quantas vezes quiser.

A jovem lançou um último olhar para Franco antes de pegar a pasta e sair da sala. Quando a porta se fechou, o silêncio reinou por alguns instantes.

Franco apoiou-se na mesa e olhou diretamente para Bárbara.

— Você realmente não suporta a ideia dela trabalhando comigo, não é?

Bárbara pegou sua caneta e começou a rabiscar distraidamente um papel, evitando seu olhar.

— Não seja ridículo, Franco. Apenas tenho altos padrões.

Ele sorriu de lado, divertido.

— Claro que tem.

Bárbara manteve a compostura, mas no fundo sabia que ele estava certo. E isso a irritava ainda mais.

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