Capítulo 42

65 4 6
                                        

Bárbara cruzou as pernas com elegância, recostando-se na poltrona, enquanto Beatriz permanecia de pé diante dela, os braços cruzados e a expressão carregada. Penélope havia se afastado para “dar um tempo” às duas, mas Bárbara sabia que a garota estaria espiando em algum canto, morrendo de curiosidade para saber como a mãe lidaria com ela.

Beatriz pigarreou, ajeitando o casaco como se quisesse reforçar sua postura autoritária.

— Vamos deixar as máscaras caírem, Bárbara — começou, estreitando os olhos. — Eu sei muito bem que você não passa de uma manipuladora. Não confio em você e nunca confiei.

Bárbara riu baixinho, sem um pingo de abalo.

— Que bom que já começamos sendo sinceras, cunhadinha. Mas sabe o que é engraçado? — inclinou-se um pouco para frente, mantendo o olhar fixo em Beatriz. — Alonso confiou. E continua confiando.

O rosto de Beatriz se contraiu por um instante, mas ela se recompôs rapidamente.

— Isso porque ele é cego! Você tem envenenado a mente dele esse tempo todo!

Bárbara arqueou uma sobrancelha.

— Se ele confia em mim, talvez seja porque eu sou confiável… — disse, com um sorrisinho venenoso. — E você, querida Beatriz? Por que será que o Alonso nunca se importa muito com as suas opiniões? Talvez porque, diferente de mim, você nunca teve influência sobre nada.

Beatriz ficou vermelha de raiva.

— Você pode enganar o Alonso, mas não a mim. Eu sei que tem algo errado acontecendo aqui, e eu vou descobrir!

Bárbara soltou um suspiro entediado e levantou-se devagar, aproximando-se de Beatriz até ficarem a poucos centímetros de distância.

— E o que você vai fazer, hein, Beatriz? — sussurrou, com um olhar afiado. — Inventar mais uma teoria absurda como a da sua filha? Se rebaixar ainda mais para tentar me derrubar?

Beatriz apertou os punhos, mas Bárbara não recuou.

— Eu sou a mulher do Alonso — continuou Bárbara, com uma calma cortante. — A dona dessa casa. A mulher com quem ele dorme e em quem confia. E você? — deu um passo para o lado, inclinando a cabeça. — Você é só a irmã que ele tolera por obrigação.

Beatriz engoliu seco, visivelmente afetada.

— Sua sorte é que eu não tenho provas ainda…

Bárbara sorriu, passando as mãos pelos cabelos com tranquilidade.

— Então sugiro que você as encontre antes de vir bancar a justiceira comigo. Caso contrário… — fez uma breve pausa, olhando-a de cima a baixo — vai acabar se humilhando, como sua filha fez no jantar.

Beatriz cerrou os dentes, mas não respondeu. Estava furiosa, mas sem saída.

Bárbara, satisfeita, voltou a se sentar com toda a calma do mundo, pegando uma taça de vinho da mesa ao lado.

— Se me der licença, cunhadinha, eu tenho coisas mais importantes para fazer do que perder meu tempo com você.

Beatriz hesitou, mas, sem argumentos, apenas bufou e saiu da sala com passos firmes.

Bárbara sorriu sozinha, levando a taça aos lábios.

Ela sempre ganhava.

Amor Pecaminoso Histórias para pegar e não largar. Descubra agora