Capítulo 36

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Penélope caminhava apressada pelos corredores da empresa, segurando a pasta contra o peito como se aquilo fosse um grande fardo. O rosto estava vermelho, os olhos marejados, e sua respiração vinha entrecortada. Quando finalmente encontrou Alonso em seu escritório, ela não hesitou em entrar, batendo a porta atrás de si.

— Tio... — começou, a voz embargada.

Alonso levantou os olhos dos documentos que analisava e franziu a testa ao ver o estado da sobrinha.

— O que foi, Penélope? O que aconteceu?

Ela se aproximou rapidamente, jogando a pasta sobre a mesa dele antes de se sentar em uma das cadeiras, escondendo o rosto nas mãos.

— Eu fiz exatamente o que a tia Bárbara pediu! Trabalhei duro, fiz uma proposta excelente e, mesmo assim, ela recusou!

Alonso suspirou, recostando-se na cadeira.

— Tem certeza de que estava realmente bem estruturada? Você sabe como a Bárbara é exigente.

— Sim! Ela mesma disse que estava ótima! Mas, mesmo assim, recusou sem nenhum motivo válido! — Penélope levantou o olhar, lágrimas escorrendo por suas bochechas. — Eu não entendo por quê!

Alonso observou a sobrinha por um momento, tentando analisar a situação. Bárbara realmente podia ser extremamente rigorosa, mas algo naquela reação de Penélope parecia indicar que havia mais do que apenas um problema profissional.

— Ela te deu alguma justificativa?

— Disse que “não era suficiente”, mas eu vi no olhar dela... Não foi isso. Eu sinto que ela fez isso de propósito.

Alonso suspirou e se levantou, contornando a mesa para se aproximar da sobrinha.

— Penélope, você precisa entender que no mundo dos negócios nem sempre conseguimos o que queremos de primeira. Bárbara é uma empresária experiente, e talvez ela tenha visto algo que você não percebeu.

— Não, tio! Não é isso! — Ela olhou para ele, os olhos brilhando com indignação. — Você sabe como ela me trata! Sempre me despreza, sempre me olha com essa superioridade!

Alonso passou a mão pelos cabelos, tentando encontrar as palavras certas.

— Eu sei que vocês duas não têm a melhor relação, mas Bárbara nunca tomaria uma decisão dessas sem um motivo.

— Você não entende... — Penélope fungou, enxugando as lágrimas. — Eu só queria que, pelo menos uma vez, ela reconhecesse meu esforço de verdade...

Alonso apertou os ombros da sobrinha e suspirou.

— Olha, eu vou conversar com a Bárbara, ver se consigo entender melhor o que aconteceu. Mas não fique assim, você ainda tem muito o que aprender.

Penélope assentiu devagar, mas seu olhar mostrava que ela não estava nada satisfeita.

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Enquanto isso, em outro ponto da cidade, Bárbara entrou em um elegante café onde já havia marcado um encontro com Gyselle. Assim que a viu, a amiga sorriu e acenou, chamando-a para sentar-se.

— Nossa, que cara é essa? — Gyselle perguntou assim que Bárbara largou a bolsa na cadeira ao lado e suspirou pesadamente.

— Penélope.

A amiga arqueou as sobrancelhas e riu.

— O que ela aprontou dessa vez?

Bárbara pegou o menu, mas nem olhou para ele antes de responder.

— Ela simplesmente me tira do sério. Hoje, foi à empresa com uma proposta que eu mesma exigi dela. E, para minha surpresa, fez um trabalho decente. Mas, mesmo assim, eu não pude aceitar.

— Por quê?

Bárbara finalmente desviou os olhos para Gyselle.

— Porque eu não quero essa menina perto de mim.

Gyselle riu.

— Você tem um problema sério com essa garota.

— E tenho motivos! — Bárbara rebateu, impaciente. — Ela se faz de boazinha na frente do Alonso, mas quando estamos sozinhas, sempre me provoca. E agora está metida onde não deve.

— Acha que ela quer te desafiar?

Bárbara apoiou o cotovelo na mesa e suspirou.

— Acha? Eu tenho certeza.

— Mas você não poderia simplesmente deixar passar?

— Não. — Bárbara estreitou os olhos. — Ela precisa saber qual é o lugar dela.

Gyselle balançou a cabeça, sorrindo.

— Você realmente não gosta dela.

— Detesto.

Gyselle riu e tomou um gole do seu café.

— Bom, se serve de consolo, você continua no controle da situação.

Bárbara sorriu de lado.

— Sempre.

Mas, no fundo, ela sabia que Penélope não desistiria tão facilmente. E isso a incomodava mais do que gostaria de admitir.

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