Capítulo 37

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Bárbara estava em seu quarto, sentada na penteadeira, retirando os brincos quando ouviu a porta se abrir. Pelo reflexo do espelho, viu Alonso entrar e fechar a porta atrás de si.

— Precisamos conversar. — Ele disse, com um tom sério.

Bárbara continuou o que fazia, sem demonstrar surpresa.

— Sobre o quê?

Alonso cruzou os braços e se encostou à cômoda.

— Sobre a Penélope.

Bárbara revirou os olhos e soltou um suspiro impaciente.

— Claro. O que foi agora?

— Ela veio até mim muito abalada, dizendo que você recusou a proposta dela sem motivo.

Bárbara se virou lentamente para encará-lo, um sorriso cínico surgindo em seus lábios.

— E você, como um bom tio protetor, veio tirar satisfações, não é?

Alonso respirou fundo, tentando manter a calma.

— Bárbara, eu só quero entender. Você mesma exigiu que ela fizesse essa proposta, e quando ela fez um bom trabalho, você recusou.

— Eu não sou obrigada a aceitar algo só porque foi "um bom trabalho", Alonso. Esse é o problema de vocês, acham que qualquer esforço mediano merece aplausos.

Ele franziu a testa.

— Então qual foi o problema real?

Bárbara se levantou, caminhando até a cama e sentando-se na beira.

— O problema é que eu não suporto essa garota metida se achando importante.

Alonso fechou os olhos por um momento, como se estivesse contando até dez.

— Isso não é motivo profissional para rejeitar a proposta dela, Bárbara.

Ela riu e inclinou a cabeça.

— Desde quando você se preocupa tanto com profissionalismo? Você mesmo coloca a Penélope em posições que ela não tem competência para ocupar, só porque tem pena dela.

Alonso suspirou.

— Você tem que parar com essa implicância.

— E ela tem que parar de achar que pode se meter em tudo. — Bárbara cruzou os braços. — Ou pior, que pode me enfrentar.

Alonso a encarou por um longo momento antes de balançar a cabeça.

— Eu realmente não entendo você.

Bárbara sorriu, maldosa.

— E eu não entendo você, que não percebe o que está debaixo do seu nariz.

Ele arqueou a sobrancelha.

— O que quer dizer?

Bárbara se levantou e caminhou lentamente até ele, mantendo o olhar fixo.

— Você nunca pensou que talvez a sua adorável sobrinha tenha segundas intenções ao querer tanto a minha aprovação?

Alonso franziu a testa, confuso.

— Segundas intenções?

Bárbara soltou um riso debochado.

— Você é tão ingênuo, Alonso... Ou prefere fingir que é?

Ele estreitou os olhos.

— Seja clara, Bárbara.

Ela se inclinou um pouco para ele, como se fosse contar um segredo.

— Eu acho que a sua sobrinha tem uma quedinha por você.

Alonso arregalou os olhos, surpreso.

— O quê?!

— Ora, querido, faz todo sentido. Ela te idolatra, corre para você sempre que leva um "não", chora nos seus braços como se você fosse o único homem do mundo capaz de protegê-la... E, convenhamos, Penélope sempre teve uma obsessão por você.

— Isso é um absurdo, Bárbara!

Ela deu de ombros.

— Só estou dizendo o que qualquer um com olhos enxergaria.

O que Bárbara não sabia era que, do outro lado da porta, Penélope estava ali, ouvindo tudo. Seu rosto estava vermelho de raiva e humilhação, os punhos cerrados ao lado do corpo.

As palavras de Bárbara ecoavam em sua mente como um veneno.

Ela não ia deixar isso passar.

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