Capítulo 39

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Penélope estava inquieta. A conversa com Bárbara tinha mexido com sua cabeça de uma forma que ela não conseguia ignorar. Aquela fala sobre Franco, o tom de voz dela, a maneira como Bárbara fez questão de insinuar que ele "não era para ela"… algo não estava certo.

Deitada na cama, Penélope começou a conectar os pontos. Bárbara tinha exigido que ela levasse uma proposta para a empresa, mas depois rejeitou sem motivos aparentes. Franco estava na sala quando isso aconteceu, e o olhar dele para Bárbara foi diferente, como se ele soubesse exatamente por que ela recusou. E a forma como Bárbara falou dela ali no quarto… não era só desprezo. Tinha algo mais.

Penélope se sentou na cama de repente.

— Meu Deus… será que a Bárbara e o Franco…? — murmurou para si mesma.

No começo, a ideia parecia absurda. Mas quanto mais pensava, mais sentido fazia. Franco sempre aparecia na empresa, e Bárbara sempre parecia tensa perto dele. Agora, lembrando de algumas conversas passadas, as peças começaram a se encaixar. Ela lembrou de um dia em que viu Bárbara mexendo no celular e sorrindo de um jeito diferente, e depois Franco apareceu minutos depois no escritório. Eles sempre estavam se provocando, mas… e se houvesse algo além disso?

Penélope sentiu um arrepio. Se isso fosse verdade, significava que sua tia estava traindo Alonso!

Dias depois…

Gyselle decidiu organizar um jantar em sua casa e chamou Bárbara, Alonso e Penélope. Como a sobrinha de Alonso estava morando com eles, seria estranho não convidá-la.

— Vai ser algo simples, só para colocarmos o papo em dia. Pedro sente falta de conversar com Alonso — disse Gyselle a Bárbara ao telefone.

Bárbara aceitou sem pensar duas vezes. Ela gostava da companhia de Gyselle e estava precisando relaxar.

Na noite do jantar, todos estavam reunidos na casa de Gyselle e Pedro. A mesa estava bem arrumada, e o clima parecia tranquilo… até Penélope começar a falar.

— Tio, tem algo que eu venho pensando há dias e preciso falar… — disse ela, encarando Alonso com um olhar carregado de intenção.

Bárbara imediatamente ficou atenta, sentindo que aquilo não era um bom sinal.

— O que foi, Penélope? — Alonso perguntou, curioso.

A jovem respirou fundo e, com um olhar sério, soltou a bomba:

— Eu acho que a Bárbara e o Franco têm algo.

O silêncio na mesa foi instantâneo. O rosto de Bárbara permaneceu impassível, mas por dentro, seu coração acelerou. Alonso franziu a testa, confuso, e Gyselle arregalou os olhos, sem saber como reagir.

— O quê? — Alonso perguntou, como se não tivesse entendido direito.

Penélope assentiu, decidida.

— Eu não tenho provas concretas, mas tudo faz sentido! O jeito que eles se olham, as coisas que ela me disse no outro dia… Ela mesma me aconselhou a ficar longe dele, mas sem motivo nenhum! Por que ela se importaria tanto com isso?

Bárbara respirou fundo e soltou uma risada baixa e debochada.

— Penélope, querida, você acabou de admitir que não tem provas. Mas ainda assim teve coragem de sentar aqui e soltar uma teoria absurda dessas?

— Não é absurda! Eu sei que tem algo errado entre vocês!

— "Sabe" ou "acha"? Porque são coisas bem diferentes. — Bárbara inclinou a cabeça, com um olhar afiado.

Gyselle e Pedro olhavam de um para o outro, sem saber se intervinham ou não. Alonso estava visivelmente desconfortável.

— Eu acho muito engraçado como você está desesperada para me acusar de algo sem ter nada concreto. Parece até que está tentando me atingir de alguma forma, Penélope. Será que isso é algum tipo de vingança infantil porque eu não aceitei sua proposta na empresa?

— Não é isso! Eu só estou falando porque faz sentido!

— Ah, então agora qualquer coisa que "faz sentido" é uma verdade absoluta? — Bárbara riu novamente e olhou ao redor da mesa. — E vocês, estão achando essa teoria mirabolante convincente?

Todos estavam calados. Até Alonso, que amava a sobrinha, parecia desconfortável com a falta de provas.

— Você deveria ter vergonha, Penélope — Bárbara continuou, seu tom de voz carregado de superioridade. — Sair acusando uma mulher casada dessa maneira, em um jantar, na frente de todos. Ainda bem que eu sou uma mulher equilibrada e sei lidar com esse tipo de situação. Mas e se fosse outra pessoa? Você já parou para pensar no estrago que poderia causar?

Penélope abriu a boca para responder, mas não conseguiu encontrar palavras. Alonso passou a mão no rosto, claramente incomodado com a situação.

— Acho que esse assunto já deu, não é? — Alonso cortou, tentando encerrar o clima tenso.

— Concordo. — Bárbara pegou sua taça de vinho e tomou um gole, satisfeita por ter revertido a situação.

Penélope sentiu o rosto queimar de vergonha. Ela sabia que Bárbara tinha saído por cima, e o pior: todos pareciam concordar com ela.

Mas, no fundo, Penélope ainda não estava convencida. Se ela não tinha provas agora… ela iria conseguir.

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