Capítulo 45

73 6 2
                                        

Alonso respirou fundo antes de entrar no quarto de hóspedes, onde Beatriz estava organizando algumas roupas na mala. Ele se aproximou cauteloso, sabendo que a conversa não seria fácil.

— Beatriz, podemos conversar um instante? — perguntou com a voz calma, tentando evitar um confronto.

Beatriz fechou a mala devagar e se virou para encará-lo, os braços cruzados.

— O que foi agora, Alonso?

Ele passou a mão pelos cabelos, um gesto nervoso.

— Não quero que interprete isso como algo pessoal, mas acho que seria melhor para você e para Penélope ficarem no nosso outro apartamento enquanto estiverem na cidade. Lá vocês terão mais privacidade e conforto.

Beatriz soltou uma risada incrédula.

— Ah, Alonso, não me diga que isso foi ideia sua. Porque soa exatamente como algo que a sua esposa sugeriria.

— Bárbara levantou o ponto, sim — ele admitiu, hesitante. — Mas eu concordo com ela. Aqui em casa pode ser um pouco tumultuado, e sei que você gosta de tranquilidade…

Beatriz o interrompeu com um olhar afiado.

— Não me venha com essa desculpa. Você quer me convencer de que a Bárbara está preocupada com o meu bem-estar? Com a minha tranquilidade? — Ela balançou a cabeça, indignada. — Alonso, ela simplesmente não quer a minha presença aqui. E conseguiu exatamente o que queria!

Ele suspirou, cansado.

— Beatriz, eu só quero evitar conflitos. Sei que você e Bárbara não se dão bem…

— Porque eu enxergo quem ela realmente é! — rebateu, elevando o tom. — E você, Alonso? Por que continua permitindo que ela te manipule?

Ele abaixou os olhos, sentindo-se encurralado.

— Não se trata disso…

— Se trata exatamente disso! — Beatriz se aproximou, os olhos cheios de frustração. — Ela conseguiu o que queria: nos afastar. E você, como sempre, está fazendo o jogo dela.

Alonso respirou fundo, tentando conter a tensão.

— Eu não quero brigar com você, Beatriz. Só estou pedindo que aceite essa solução. O apartamento é ótimo, você e Penélope ficarão muito bem lá.

Beatriz cerrou os dentes, mas no fim apenas soltou um riso seco.

— Claro, Alonso. Se essa é a sua decisão… quem sou eu para contestar? — Sua voz carregava um sarcasmo amargo. — Amanhã mesmo estaremos fora da sua casa. Ou melhor, da casa dela.

Ele tentou segurar a mão da irmã, mas ela se afastou.

— Boa noite, Alonso.

Sem mais palavras, Beatriz voltou para a mala, encerrando a conversa.

---

Já no quarto do apartamento que agora chamariam de lar temporário, Beatriz observava Penélope, que terminava de desfazer as malas com um semblante confuso.

— Mamãe, por que tivemos que sair da casa do tio Alonso tão de repente? — perguntou a jovem, franzindo a testa.

Beatriz suspirou, sentando-se na beira da cama e olhando para a filha.

— Porque a mulher dele fez o que sempre faz: envenenou seu tio contra mim.

Penélope piscou, surpresa.

— Bárbara? Mas o tio Alonso sempre ouve você, não?

Beatriz soltou uma risada amarga.

— Não quando se trata daquela mulher. Ela tem um jeito de manipular tudo ao redor, de fazer com que as coisas sempre saiam como ela quer. E agora conseguiu nos mandar para cá, longe daquela casa.

Penélope se sentou ao lado da mãe, pensativa.

— Mas por quê? O que ela ganha com isso?

— O controle, minha filha. Ela quer garantir que ninguém ao redor do Alonso abra os olhos para o que ela realmente é. E como eu não caio no teatro dela, eu era um problema. Agora, com a gente longe, ela tem o campo livre para continuar fingindo ser a esposa perfeita.

Penélope abaixou o olhar, incomodada com a situação.

— Isso não é justo.

— Não, não é — concordou Beatriz, amargamente. — Mas eu prometo a você, minha filha… essa história ainda não acabou.

Amor Pecaminoso Histórias para pegar e não largar. Descubra agora