Quando finalmente se mexeram, foi como se o mundo tivesse levado um pequeno susto junto com eles. O banco traseiro da caminhonete estava um caos, a camisa branca de Alessandro tinha perdido completamente qualquer dignidade, o cabelo de Simone estava uma versão mais embaraçada e mais culpada do rabo de cavalo de antes, e os dois carregavam no rosto aquela mistura impossível de satisfação, atraso e a consciência muito clara de que a vida real ainda os esperava do lado de fora.
Simone foi a primeira a se sentar de verdade, puxando o ar e tentando reorganizar o próprio corpo com alguma pressa que já não combinava em nada com os minutos anteriores.
— Meu Deus... murmurou, passando a mão no rosto. — A Eduarda.
Alessandro, ainda recostado, olhou para ela com o tipo de serenidade culpada que só um homem muito satisfeito consegue sustentar.
— Eu sei.
— Não, você não sabe. Ela já tateava o banco à procura da própria calça. — A minha irmã está na baia. A minha mãe está na sede. A caminhonete tem um para-choque amassado. E eu estou desse jeito.
Ele se ergueu também, mais devagar, embora o olhar ainda viesse quente demais para qualquer compostura real.
— "Desse jeito" está muito bonito.
Simone lançou-lhe um olhar escandalizado e puxou a calça bege do assoalho.
— Não me ajuda.
— Eu estou tentando.
— Não, você está admirando. É diferente.
Alessandro sorriu, porque era verdade. Ela vestiu a calça depressa, enfiou as botas sem a menor cerimônia, abotoou a camisa dele até onde conseguiu e depois parou diante do reflexo escuro da janela, tentando fazer alguma coisa útil com o próprio cabelo. O problema é que o reflexo mostrava exatamente o que ela não queria ver.
O rosto corado, a boca claramente beijada demais, e uma expressão inteira de mulher que tinha se esquecido do mundo por tempo suficiente para isso deixar vestígio. Alessandro, por sua vez, puxou a camisa como pôde, passou a mão pelos cabelos e então, sem qualquer vergonha real, olhou de novo para Simone. Ela estava linda, ainda mais porque parecia culpada.
— Não me olha assim... avisou, já sem sequer virar o rosto.
— Você sabe que eu não consigo.
— Alessandro.
— O quê?
— A Duda vai saber.
— Saber o quê, princesa?
Agora ela se virou, completamente ofendida.
— Não se faça de sonso comigo.
Ele soltou um riso baixo, mas não insistiu. Porque, no fundo, ela tinha razão. Eduarda podia não saber cada detalhe, e não precisava, graças a Deus, mas reconheceria imediatamente a diferença entre uma carona inocente da lagoa até a baia e o tipo de atraso que deixava duas pessoas com aquela cara.
Simone passou a mão pela gola da camisa dele nela e parou por um segundo. Os olhos desceram para o pescoço dele, e lá estava o estrago. Roxo, marcado e absolutamente comprometedor. Ela fechou os olhos horrorizada.
— Meu Deus.
Alessandro arqueou uma sobrancelha.
— Quer mais uma vez?
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Como 2 e 2
RomantizmNunca passou pela cabeça de Simone Tebet passar por um turbilhão de emoções durante o segundo turno das eleições presidenciais, muito menos descobrir que ainda era capaz de sentir desejo e paixão por alguém. Ainda mais quando o tal alguém se trata d...
