O encontro entre eles foi agitado, movido por muitos sentimentos, e pouca paciência.
Tudo o que Penélope queria era fazer uma tatuagem, a possível dor ou o fato do lugar escolhido deixar o seu rosto em brasas não eram um problema. O seu maior probl...
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Sempre achei que novembro passava bastante rápido, mas esse ano o tempo se superou. Mal pisquei e era dezembro, especificamente 23 de dezembro. Eu estava dirigindo para a casa dos pais da Penélope, e nós dois passaríamos a noite toda com eles e o restante da família dela. Não sei como, mas Penélope estava estranhamente calma sobre tudo isso, e ela calma me preocupava mais do que ela nervosa.
— Ah, aquele carro é do meu tio. Ele já chegou! — Penélope exclamou assim que eu parei com minha moto atrás de um carro preto enorme.
A Lancaster desceu da moto, verificando a bolsa com os presentes que eu trouxe para a mãe, o pai e tio dela, e os que ela comprou para eles também. Segundo ela, o restante da família não merecia presentes e ela não me deixou gastar dinheiro com nenhum deles, nem queria que eu comprasse presente pra mãe dela, eu que insisti. E para evitar estressar ela ainda mais eu apenas concordei.
— A sua mãe não sabe mesmo? — perguntei pela milésima vez pois no fundo esperava pelo momento em que ela diria que sim, sabia.
— Não. Achei melhor não contar. Pra evitar alguma invenção dela. — Penélope concordou, pegando na minha mão quando começamos a atravessar o caminho entre o jardim até a varanda da casa.
— Acho que isso pode piorar as coisas, não?
— Nah, ela não vai querer perder o controle na frente de todo mundo. Acredite. — Penélope ergueu a mão e apertou a companhia ao invés de entrar, como na primeira vez que me trouxe aqui. Esse lugar não era visto como seu antigo lar. Ela estar aqui não lhe fazia bem e eu começava a me sentir mal por ela estar se esforçando tanto para rever pessoas que não lhe faziam bem.
— Podemos ir embora quando desejar. Se quiser voltar, é só falar. — Toquei nas costas dela ao falar.
Penélope me olhou surpresa, e depois, grata, e concordou, virando seu rosto ao barulho da porta se abrindo e a figura de Rosângela surgindo.
O sorriso no rosto da mãe da Penélope murchou no instante em que ela abriu a porta e deu de cara com a filha, e comigo. Claro, ela não desmanchou o sorriso tão descaradamente, mas a forma como os lábios dela congelaram o sorriso antes natural em algo forçado foi tão óbvio quanto seria se tivesse sido desfeito. E eu sinceramente não esperava o oposto daquilo, não depois de todos os emails pedindo para que eu me afastasse da sua filha. A essa altura, eu não tinha mais vontade de ser aceito por ela, apenas deixar claro que trato sua filha bem e sou o homem dela, ou seja, continuar com ela.
— Filha...você não disse que viria — Rosângela olhou da filha para mim, seu olhar cauteloso, sua expressão entregando todos os pensamentos que estavam se passando pela sua cabeça. Todos os emails que me enviou e que eu nunca respondi.
— Sim, eu queria fazer uma surpresa — o sorriso da Penélope foi o mais cínico possível. — Queria apresentar o Shane formalmente para toda a família, e meu tio queria conhecer ele também. Podemos entrar?