Capítulo 30

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Os dois meses seguintes se passaram com uma rapidez anormal.

Outubro foi-se tão rápido quanto veio, e novembro estava tão corrido com a entrega dos últimos trabalhos antes das férias que, infelizmente, os dias voaram.

Quando dei por mim, dezembro já estava aqui. O clima já estava, antecipadamente, frio e a neve caía despreocupadamente ocupando ruas, calçadas e gramados.

No último dia de novembro eu entreguei os últimos trabalhos, satisfeita com todos eles, e me despedi de alguns professores. Então saí apressada pelos portões de entrada da escola.

Férias, finalmente!

Pelo menos eu tenho um período de descanso até o trabalho pesado começar de verdade.

O próximo semestre,que começara em meados de fevereiro, será uma espécie de reta final para o ensino médio e eu terei que estudar mais do que nunca para passar nos testes finais e ainda, quem sabe, conseguir uma bolsa para alguma faculdade.

Em fevereiro eu vou completar dezessete anos e vou ser oficialmente uma adulta na Inglaterra, e não tenho certeza de como me sinto sobre isso.

Parte de mim acha que tem a obrigação de arranjar um emprego e um apartamento imediatamente, e a outra parte pensa em Beatrice; Não é justo deixá-la sozinha no meio das brigas dos meus pais.
Porque eu sei que em algum momento elas vão voltar a acontecer e ela só tem 13 anos.

Sinceramente, é muita pressão.

Deixando esses pensamentos de lado, eu corri até o ponto de ônibus coberto.
Uma chuvinha fina e gelada caia sem parar acompanhada por grossos flocos de neve, o que tornava quase impossível ir para a casa caminhando.
O ponto de ônibus mais próximo estava quase vazio com exceção de uma mulher com muitas sacolas de compras.

Felizmente o ônibus vermelho não demorou a chegar ao ponto. Embarquei logo atrás da mulher, paguei o cobrador e então encontrei um lugar para me sentar.

O ônibus estava estranhamente vazio e silencioso. Encontrei um lugar ao fundo e me aconcheguei no banco.

As minhas bochechas estavam ardendo tanto quanto as minhas mãos expostas. Estupidamente me esqueci de vestir as luvas esta manhã, mas em compensação estou agasalhada dos pés á cabeça com agasalhos grossos, touca e uma bota, agora completamente encharcada por causa da neve.

Coloquei os fones de ouvido e dei play em uma música do Nirvana.
A viagem de ônibus foi rápida, mesmo com todo aquele gelo nas ruas, e em alguns minutos eu estava descendo no ponto mais próximo de casa.

Andei o restante do caminho com dificuldade. Parece que ninguém no meu bairro se preocupa em tirar a neve das calçadas, a camada de gelo estava tão grossa que alcançou meus tornozelos.

Cheguei em casa toda ensopada, deixei o casaco no cabideiro que a minha mãe fez questão de tirar da garagem assim que começou a chover, e adentrei a casa.

Dentro de casa o ar estava notavelmente mais quente e um cheiro gostoso de comida rondava o ar.

Todos já estavam almoçando, com exceção da minha mãe que ainda mexia em uma panela no fogão.

O olhar de Harry encontrou o meu quando pousei a mochila no chão e tirei a touca. Ele abriu um sorriso fraco ao qual eu retribui imediatamente.

- Finalmente você chegou! - minha mãe exclamou quando me viu e desligou o fogo em seguida - Está muito frio lá fora, não está? Fiquei com pena de você.

- Um pouco, mãe. - respondi e ela me deu um beijo antes de me puxar para a mesa.

Eu acho extremamente satisfatório que a minha mãe tenha escolhido tirar alguns dias de folga nesse natal, porque todo dia tem comida quente e pronta quando chego. Não que esse seja o único motivo, é claro.

Prisoners - h.sOnde histórias criam vida. Descubra agora