A noite de sexta feira estava insuportavelmente quente, até mesmo para uma noite de verão. Tenho certeza de que se eu assistisse tv todas as manchetes seriam sobre o que parece ser a noite mais quente do ano em Londres.
Já passam das onze da noite, mas mesmo depois de um dia cheio de trabalho, não consigo dormir. Estou suando mesmo vestindo shorts e regata.
Depois de um tempo cansei de revirar na cama sem cobertores e decidi terminar um dos livros que o professor de inglês nos instruiu à ler nas férias. Há uma pilha deles, três vezes mais do que nos anos anteriores por ser o ano da formatura.
Antes eu costumava ficar frustrada por não ter todos os livros da lista, hoje, em meio à trabalho e estudos, eu sequer tenho tempo para lê-los.
Tenho em minhas mãos um livro de sonetos de shakespeare, incrivelmente bons. O lado bom das listas do meu professor é que elas vão para além do típico, como Romeu e Julieta, e incluem todos os curtos sonetos que a maioria das pessoas não sabem que existe.
Estou ligeiramente anestesiada com o soneto 76, que parece se encaixar perfeitamente em mim, quando ouço sons próximos.Não consigo decifrá-los rapidamente, mas sei que é algo fora de casa.
Fico alerta quando percebo que o som se parece com vozes e está mais perto da minha janela do que eu gostaria.
Fecho o livro e encolho as minhas pernas para cima da cama. A janela está escancarada por conta da minha falha tentativa de ventilar mais ar para o quarto, e isso só me faz sentir mais desprotegida.
Não tenho coragem suficiente para levantar e ir até a janela, mas continuo ouvindo murmuros.
- Liz! - ouço alguém gritar.
Não alguém, reconheço essa voz rouca em qualquer lugar. Ela soa perfeita, no entanto não quando está em um tom tão alto que é capaz de acordar os meus pais.
Corro descalça até a janela, quase tropeçando no meu baú de madeira, e me debruço contra a janela.
Harry está parado lá embaixo, entre a minha casa e a do vizinho, ele está vestido todo de preto, sei disso porque a sua figura se mistura bem à escuridão da noite. E seu olhar está fixo em qualquer no chão abaixo dos seus sapatos.
O choque de vê-lo depois de tanto tempo me paralisa. Será que estou sonhando? Delirando por causa do calor?
Quer dizer, eu estava lendo shakespeare e agora..
- Liz! - Harry grita novamente.
- Cala a boca, eu estou aqui! - sussurrei de volta para ele. Tudo o que eu não preciso agora é que meus pais vejam isso.
- Oh, você está aí! Eu não tinha visto. - ele olhou para cima e riu.
- Você está bêbado?
Meu estômago revirou. Achei que Harry estivesse lidando bem com tudo
- Não me julgue. Eu precisava de uma dose de coragem. - suas palavras saíram enroladas.
- Uma dose?
- Ok, talvez umas dez. - ele riu como se tivesse dito algo engraçado, mas voltou à ficar sério rapidamente- Pode me convidar para subir agora? Olhar para cima me deixa tonto.
- Harry, você não pode subir... Quer dizer, o que você está fazendo aqui?
- Eu já fui mais especial para você, não fui? - Não consigo ver a cor da sua íris, mas posso vê-las brilhando na escuridão- Agora eu não posso nem entrar - Harry balançou negativamente a cabeça e se sentou encostado á parede do vizinho.
- Nós já falamos sobre isso...
- Eu sei. Blá, blá, blá. Precisamos conversar sobre outra coisa, ou você acha que eu estaria aqui à toa?
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Prisoners - h.s
FanfictionEm um mundo onde todos vivem oprimidos por padrões, pessoas diferentes se sentem erradas. Em um mundo onde você precisa ser igual a todo mundo para ser aceito, existem pessoas como Liz Gray; oprimida por suas próprias inseguranças, vivendo nas sombr...
