Capítulo 59

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Senti o olhar de Harry em mim enquanto me aproximava. Um olhar verde, trêmulo e sem um ponto fixo. Apesar de eu saber que ele está olhando para mim, o seu olhar parece distante ao mesmo tempo.

Talvez eu entenda essa sensação: estar olhando para algo, mas não estar realmente vendo isso. Os pensamentos nos cegam por alguns instantes e somos transportados para outro lugar. Não é uma sensação agradável.

Eu não tinha ideia do que fazer. E talvez eu estivesse mais perdida do que Harry, e ele parecia pasmo.
O que eu não entendo é porque ele está tão surpreso.

Observei enquanto Daisy deixou um selinho nos lábios de Harry, e senti minhas costelas apertarem, mas apenas desviei o olhar e me sentei. O mais longe possível de Harry.

- Então - Daisy disse enquanto se sentava ao lado de Harry - Harry, acho que você já conhece a Liz. - ela sorriu amavelmente.

Harry estava olhando para mim. Sem qualquer expressão, apenas um enorme vazio na sua face pálida. Acho que já não consigo entendê-lo como antes.

Mesmo com a timidez, mesmo com a dor no meu peito e a bola no meu estômago, eu sorri para ele. Um sorrisinho leve e amigável. Daqueles que se direciona aos namorados das suas amigas.

- Oi. - murmurei baixinho.

- Oi. - ele respondeu roucamente. E esta foi a primeira vez que eu ouvi a sua voz em meses.

- Nossa, vocês realmente se adoram. - Daisy ironizou - Qual é! Ajam como primos.

- Não somos primos, Daisy. - repeti, pelo que pareceu ser a milésima vez nesta semana.

- Que seja.

Daisy mordeu a unha do mindinho e observou ao redor.

- Ele já deve estar chegando, Liz...

- Quem deve estar chegando? - Harry foi o primeiro á perguntar.

- Chamei um cara para fazer companhia pra Liz.

Harry olhou para mim. Novamente, sem expressão.

Gostaria de olhar para ele e não sentir nada. Nenhum aperto no peito, nenhum sentimento de perda. Mas é difícil quando ele parece ainda mais irresistível. Mais especial.
Com o cabelo castanho arrepiado para todos os lados, com aqueles olhos verdes, aquela boca e com a camisa azul marinho destacando a sua pele.

Seus lábios se moveram:

- Achei que você não gostasse disso...

- Disso o quê? - indagou Daisy.

- De encontros arranjados.

- Não são os melhores, mas se não for assim ela nunca vai sair com ninguém.

Daisy sorriu para mim do outro lado da mesa, como se tivesse dito algo engraçado ou amigável.

- Hm... Tenho certeza de quê não é assim. - Harry murmurou. Percebi que sua voz parecia mais grave do que nunca, e mais rouca também. Mais ainda soava melódico aos meus ouvidos.

- Você não... - Daisy começou, mas eu a interrompi.

- Parem de falar de mim como se eu não estivesse aqui.

Um silêncio constrangedor se instalou na mesa, mas o silêncio ainda é melhor do que ouvir Harry e Daisy discutindo a minha vida amorosa.

- Ele chegou! - Daisy reclamou de repente.

Antes que eu pudesse evitar, virei meu pescoço para a entrada da lanchonete.

Edward Allen estava parado no hall de entrada e olhava para todos os lados, como se procurasse por algo. Ou alguém.

Prisoners - h.sOnde histórias criam vida. Descubra agora