Capítulo 33

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Pov's Harry

Parece que estou deitado há séculos e não apenas há algumas horas. Inquieto e perdido nos meus próprios pensamentos.

A casa toda está silenciosa e escura, a pouca claridade no quarto é a luz distante da lua que se infiltra pelas cortinas finas e claras do quarto

O sono simplesmente parece não querer vir.
Eu já perdi o senso de tempo, mas sei que estou há muito tempo encarando o trilho de madeira da cama de cima.

Os cobertores, o travesseiro, a escuridão, o cheiro floral de lustra-móveis no quarto, tudo parece estar me incomodando e eu só queria poder adormecer de uma vez.
Não dá pra evitar pensar em certas coisas desagradáveis quando estou sozinho.

Talvez a falta de sono seja por conta do quarto desconhecido, ou pelo fato de que o ar de Oxford parece muito menos familiar do que o de Londres, e não pelo aperto incoveniente no meu estômago

Neste momento eu só gostaria que ela estivesse acordada para me fazer companhia, para me distrair e fazer o aperto sumir.

Do outro lado do quarto, ela está deitada de lado na cama de baixo do outro beliche, me encarando com os olhos fechados, a pele pálida reluzindo na escuridão.

Tão perto, mas tão longe.

Sem dúvidas essa necessidade estranha de toca-lá é uma das coisas que tem me frustado ultimamente. Desde quando ela se tornou um talismã para afastar sonhos ruins ou algo assim? Porque agora eu automaticamente a associo á consolo?

É frustante porque confio nela como confio na minha mãe, em Gemma e no Louis. Pessoas que estão ao meu lado, literalmente, a minha vida toda.

E ela é uma garota, e eu a beijo... é estranho e perigoso.

Enquanto a observava, uma claridade estranha iluminou seu rosto. Ergui o pescoço do travesseiro e descobri que era o seu celular. Uma vibração e ele voltou a se apagar.

Com os dedos das mãos coçando eu me levantei, e andei com poucos passos leves até a sua cama.

Liz estava deitada de lado com os braços abraçando as pontas do cobertor; O rosto sereno, a boca entreaberta, as pestanas, que eram claras apesar do seu cabelo ser um tom mais escuro de castanho, tocando o topo das bochechas, o cabelo volumoso formando um arco em volta do rosto pálido e respingado de sardas.

Parei por um segundo apenas para olhá-la.
Em dois meses e meio a minha opinião sobre ela mudou bastante.

Agora, aos meus olhos, ela é interessante e cheia de personalidade, também bonita de uma maneira fora dos padrões. Tudo isso é muito diferente de tudo que eu a fazia acreditar nas nossas discussões, muito diferente de tudo que eu achava acreditar.

E olhando bem pra vocês duas, eu sei porque

Mudou tanto que eu nem sequer me importei quando a minha mãe disse que iria passar o natal fora de casa e que eu poderia escolher onde ficar. Não foi uma escolha difícil, nem remotamente.
Ao menos eu sei que tenho a companhia da Liz aqui, não estou sozinho.

O rosto redondo dela se tornou tão familiar para mim quanto o gosto dos seus lábios. Chega a ser assustador o fato de que eu consiga ligar as suas sardas como se fossem pontinhos em um plano.

Eu gostaria de beijá-la agora.

Afastei esse tipo de pensamento e alcancei o seu celular, pousado ao lado de seu travesseiro.
Seu celular é um Samsung antigo com os cantos descascados, parece que já foi bastante usado.

Prisoners - h.sOnde histórias criam vida. Descubra agora