Jade, já nos dias de completar sete meses, com a barriga enorme, estava com dificuldades para andar pois os bebês estavam cada vez maiores e ocupando todo o espaço que ela não tinha, seus pés inchavam todas as tardes, sentia uma certa dificuldade para respirar quando subia as escadas, o que despertava cada dia mais a preocupação de Theo e de todos da família.
Ela estava constantemente cansada, tanto que quase não faziam mais amor, ele tinha medo de machucá-la. As vezes quando o desejo se tornava quase insuportável, se satisfaziam se tocando com mãos e línguas.
Mesmo com todas as dificuldades, junto com Olívia, Yolanda, Anita, Natalie e Lílian, ela se desdobrou preparando uma festa beneficente para arrecadar fundos para o setor de Hematologia e Oncologia do hospital infantil. Theo ficava de cabelos em pé com tudo o que ela fazia.
Uma tarde, Theo chegou mais cedo do escritório, teria que viajar novamente para a Itália, infelizmente, dessa vez, ele iria com Joseph, Murilo e Natalie e ainda um dos diretores, mais precisamente o pai de Andrea. Não queria ter que deixá-la logo agora, mas, era um projeto dele, por isso sua presença era de extrema necessidade.
Sua maior preocupação era que ela saísse somente com os seguranças, já que Hidalgo ainda não havia sido capturado. Mas ela entendia isso e nunca saía sozinha, sempre ele, ou um dos primos ou seus irmãos estava com ela.
Chegou e Pamela lhe disse que ela estava na cozinha comendo alguma meleca, ele sorriu, pois sabia que ela sentia desejos irracionais por doces, foi atrás dela e ao chegar à cozinha, sentiu seu coração quase parar, ela estava em cima do segundo degrau das escadas que Francesca deixava na cozinha para alcançar os armários mais altos, Jade se equilibrava tentando pegar uma lata.
Para não assustá-la, ele se aproximou sem fazer barulho, segurou-a pela cintura e a desceu da escada.
–Theo! Oi amor, chegou cedo. — Ela disse feliz, olhando-a, ele nem teve coragem de chamar a atenção dela.
-Oi meu amor, o que estava tentando pegar com tanta dificuldade?
-A lata de leite em pó, estou com vontade de comer abacate, com leite em pó e leite condensado.
-Sei, mas porque não pediu para que uma das meninas ou mesmo a Francesca pegasse para você? Sabe que se arriscou? Poderia ter caído da escada, meu anjo. — Ele disse de maneira doce, delicada, para que ela não achasse que a recriminava, desde aquela noite, ele se policiava em tudo que falava para ela. A tratava como o mais delicado e raro diamante.
-Eu sei, mas é que a Francesca foi ao supermercado e as meninas estavam ocupadas, não quis tirá-las dos seus afazeres apenas para pegar uma lata para mim.
-Sabe que elas não se importariam. — Ele respondeu erguendo o braço e pegando a tão desejada lata.
-Obrigada amor! — Ela despejou uma generosa quantidade do leite em pó no abacate amassado e na geladeira pegou o leite condensado derramando-o por cima, Theo apenas olhava divertido. Pegando uma colherada levou a boca, suspirando deliciada.
–Isso é bom? — Ele perguntou tentando roubar um pouquinho dela, adorava abacate.
-Sim, é muito bom, mas faça o seu, esse aqui já tem dona.
-Hum, quer dizer que não vai dividir com o pai dos seus bebês? — Ela pereceu pensar um pouco, enquanto lambia os lábios.
-Ok, tá, experimenta. — Ela respondeu pegando uma colherada e levando até a boca dele.
-Ei não é que é bom mesmo?
-Eu não disse? Quando eu era criança fazíamos sempre lá no orfanato, o Marco Antonio quem me ensinou.
-Gostei, vou fazer para mim também. — Pegando o necessário, ele preparou para ele, sentando-se ao lado dela para lhe fazer companhia.
-O que estão devorando com tanta vontade? — Quis saber Pamela entrando na cozinha.
-Abacate amassado, com leite em pó e leite condensado.
-Credo, é bom isso?
-Pior que é, prima, quer experimentar?
-Manda aí.
-Pegue do Theo, o meu não divido com mais ninguém. — Os primos riram divertidos, em matéria de doces, depois que engravidara, Jade se tornara uma pequena devoradora. Theo ofereceu uma colherada do seu para Pamela, que apesar das restrições iniciais, acabou gostando.
-Hum, sabe que até que é bom? Onde você aprendeu isso Jade?
-Com o Marco Antonio quando era criança.
-Nossa, é bom mesmo, também quero.
-Amor, eu preciso conversar contigo, por isso cheguei mais cedo.
-Manda, pode falar.
-Eu vou precisar viajar novamente, para a Itália, dessa vez, iremos eu, Joseph, Natalie e Murilo, mas é por poucos dias, não se preocupe.
-Você estará de volta para a festa?
-Sim, claro, não perderia por nada essa recepção.
-Eu e os bebês iremos sentir sua falta.
-Eu também sentirei falta de vocês. Detesto ter que sair assim, logo agora, sem sabermos onde Hidalgo está e se planeja alguma coisa.
-Parece que o Júlio teve uma pista. — Revelou Pamela. –Ele ia conversar com o delegado Marcus.
-Tomara que seja mesmo, não aguento mais essa ansiedade e esses pesadelos que me atormentam. — Reclamou Jade.
Um dos motivos de Theo não querer viajar, era esse, Jade continuava a ter pesadelos praticamente todas as noites, cada vez mais intensos.
-Eu durmo com ela Theo, não se preocupe. — Pamela ofereceu.
-Obrigado prima. — Ele respondeu abraçando a esposa. -Se Deus quiser, logo esse doido estará preso novamente e dessa vez, sem chance de escapar, você vai ver meu amor.
-É o que eu espero Theo, é o que eu espero. Quando vocês irão?
-Amanhã à noite, quero ir o quanto antes, para poder retornar o mais rápido possível. Lilian virá ficar aqui na mansão, já que Joseph e Natalie viajarão também.
-Me prometa que levará os seguranças dessa vez, não quero mais que você saia sem eles, foram contratados para nos proteger, você e a mim, do contrário não o deixarei ir, pedirei ao abuelo e ao seu pai para que fique. — Theo viu em seus olhos que ela estava determinada, ela realmente faria isso pensou divertido, pior é que os convenceria totalmente, eles fariam tudo para que ela não ficasse nervosa.
-Tudo bem minha pequena, você tem razão, eu levarei os seguranças.
-Ótimo, antes eu falarei com eles.
-E o que dirá?
-Nada que seja da sua conta.
-Você anda muito marrenta ultimamente, mas esse biquinho é tão lindo. Fico pensando, será que nossos filhos puxarão esse lado seu?
-Tomara que sim. Quero ver você conseguir dizer não aos seus filhos, primo. — Pamela disse rindo da careta que Theo fez.
-Se já é difícil eu conseguir dizer não para a mãe deles.
-Só que eles não serão mimados, quero que conheçam o valor do trabalho duro, que saibam que nada na vida é fácil, que eles, apesar de terem a sorte de nascerem em uma família abastada, terão que correr atrás dos seus sonhos, que tenham consciência de que nem todos têm a mesma sorte que eles.
-Está certa meu amor, eles serão criados como nós fomos, aqui em casa, apesar de toda riqueza e dinheiro, nunca fomos mimados, sempre soubemos o valor do dinheiro, o valor do trabalho duro.
-É, isso é verdade Jade, o Theo por ser o mais velho, foi o mais cobrado, porque um dia ele será o herdeiro majoritário de todo o império que o abuelo criou, todos nós sempre tivemos consciência desse fato, Murilo, Enrique, Sam, Jean e Yago, sempre aceitaram isso sem qualquer restrição e o consideram um líder e na falta do abuelo e do tio Lorenzo, Theo liderará nossa família.
-Sim, eu fui criado com isso embutido em mim, meus filhos terão a mesma responsabilidade. Claro que tive presentes caros, muitos brinquedos, roupas de qualidade, estudamos em boas escolas, quando tive idade e aprendi a dirigir o abuelo me deu meu primeiro carro, que depois de dois anos meu pai o substituiu pelo que eu tenho até hoje, eles compraram o apartamento de Barcelona quando eu fui para a faculdade, sempre estudei nos melhores colégios, tive motorista, segurança, assim como meus irmãos e primos, mas aprendi a dar valor a tudo isso.
-Bom, para mim as coisas foram ainda mais difíceis, nem preciso enumerar, mas, ainda bem que a minha criação foi muito boa, as irmãs eram um amor, tinham crianças que chegavam e nos contavam que haviam ficado em orfanatos horríveis, onde eram maltratadas, surradas, espancadas, eu dava graças a Deus por viver ali.
-Crianças sem limites crescem adultos sem limites, assim como Hidalgo. Ele acha que tudo gira em torno dele, que tudo tem que ser da maneira que quer e não sabe ouvir um não, porque provavelmente nunca ouviu um não dos pais, se descontrolou totalmente quando você disse não a ele, meu amor.
-É verdade! Mas isso é culpa dos pais, só pode. Amar um filho é saber dizer não na hora certa. — Respondeu Jade pensativa.
-Amor, vamos subir? — Convidou Theo.
-Sim, amor, vamos.
-Não precisa nem dizer o que irão fazer. — Pamela riu.
Theo e Jade riram, ele a ajudou a se levantar e subiram devagar as escadas.
~*~
Guadalupe Romero, parou o carro luxuoso em frente a um casebre miserável, caindo aos pedaços, desceu pegando uma sacola cheia de mantimentos, estava com medo, nunca imaginara que um dia teria medo do adulto que seu filho se transformara, mas o pai lhe dera tudo o que queria, lhe fizera todas as vontades sempre, ela tentara colocar freio, mas Adalberto lhe cortava, dizia que o menino precisava já que eles nunca estavam por perto.
Enquanto esteve preso, não foi fácil encontrar um advogado para defende-lo, mas também, ele tinha que ir contra logo uma das famílias mais influentes da Espanha? Os Escobar Vásquez mantinham relações com o próprio rei, Adalberto acabou trazendo um advogado de fora, mas, mais uma vez fizera as vontades do filho, Guadalupe não sabia como o marido conseguira entregar uma arma ao filho dentro da prisão, tudo o que sabia era que agora, seu filho era realmente um assassino, ela até havia tentado esconder dele que a moça por quem ele se dizia apaixonado havia sobrevivido, mas, o pai, depois que ele conseguira fugir, lhe levara os jornais que noticiavam o casamento do jovem Vásquez com a tal moça.
Realmente, ela era belíssima e dava para entender o motivo que a levara preferir o noivo, ele também era lindo. Até nas fotos dava para ver a adoração nos olhos um do outro. Não acreditava nessa paixão desvairada que seu filho dizia sentir por ela, na verdade achava que seria mais um capricho de Hidalgo, como não conseguira nada com ela ele fizera todo esse estardalhaço, por não ser acostumado a ganhar um não, essa moça havia sido a única que se negara a ele.
–Oi filho. — Guadalupe cumprimentou ao abrir a porta. — Hidalgo estava deitado assistindo um programa na pequena televisão.
-Oi mãe, até que enfim, estava começando a sentir fome, cadê meu pai?
-Ele vem mais tarde.
-Será que ele já conseguiu descobrir o que eu pedi?
-Sim meu filho, mas, ele vai lhe dizer quando vier.
-Ótimo! Eu quero aproveitar que o idiota vai viajar, para agir.
-Não Hidalgo, deixe essa moça sossegada, ela está grávida meu filho, por favor, entenda que ela ama ao marido.
-Ela estava linda vestida de noiva, parecia uma princesa, deslumbrante! — Como sempre fazia, quando ela lhe pedia isso, ele mudou de assunto.
-Filho, filho, por favor, olhe para mim. — Ele a olhou, mas parecia que não a via realmente.
-Mãe, eu sei o que vai dizer, mas eu não quero ouvir, sei que ela está grávida, mas ele de alguma maneira a convenceu, ele a mantém presa, eu sei que Jade me ama, se ela ficar longe dele ela vai reconhecer isso. — Nesse momento Guadalupe entendeu que seu filho estava totalmente desequilibrado, ele perdera completamente a razão, a sanidade, não distinguia mais o certo do errado. Na verdade, essa distinção ele nunca teve mesmo, mas, nunca imaginou que chegaria a isso, o pior era que seu marido alimentava a loucura do filho. O que poderia fazer? Ela estava sozinha nisso.
Por toda a parte do quarto, haviam jornais e revistas com notícias sobre o jovem casal, ele recortara algumas fotos, separando os dois, mantendo apenas ela nas imagens.
-O que você vai fazer meu filho?
-Eu ainda não sei, mas, essa viagem desse playboyzinho, veio a calhar.
-Hidalgo, você está perdendo tempo meu filho, essa menina está mais protegida do que as princesas, do que a própria rainha, você não conseguirá chegar nem a dez metros dela.
-Mas eu não quero chegar perto dela, eu vou chegar perto dele, vou matar seu marido. Ele se acha o maioral e pelo que papai me disse nunca está com seguranças. É aí que eu vou atacar. — Guadalupe não sabia mais o que fazer, até que teve uma ideia, seria terrível, mas preferia isso, a ver seu filho se afundar ainda mais na loucura e fazer o que vinha prometendo, sabia que ele faria mesmo isso, que na primeira oportunidade mataria o jovem Escobar Vásquez, ela não podia permitir isso, a pobre moça estava grávida, pelo que noticiavam nos jornais, ela esperava gêmeos e deveria estar perto de nascerem, a coitada não merecia passar pela dor de perder o marido dessa maneira terrível.
Não contaria a ninguém, mas procuraria a família do jovem para contar tudo o que seu filho planejava, depois se entenderia com Adalberto, ele ficaria possesso, mas era a coisa certa a ser feita, ficara por tempo demais as margens da criação do filho, não foi uma mãe com mãos firmes na criação de seu menino, deu no que deu, ele cresceu sem limites.
Agora era a hora de agir, não permitindo que seu filho cometesse a pior coisa existente no mundo, que é tirar a vida de um inocente, o fato dele ter matado os dois na cadeia, não havia sido tão horrível já que eram bandidos, mas, matar um rapaz, que tudo o que fizera fora amar a mesma mulher por quem seu filho tinha uma obsessão ele não tinha culpa de ser correspondido nesse amor, precisava dar um jeito nisso.
~*~
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Totalmente Seu
RomanceEssa é uma história de minha autoria, qualquer cópia é totalmente proibida, pois a história está devidamente registrada. Plágio é crime e passível de punição.
