Capítulo Cinquenta e Oito:

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Depois de ter tomado banho, Jade sentiu-se bem melhor, como era de se esperar, logo os bebês acordaram para nova mamada, ela já pegara o jeito, deu de mamar primeiro a Alejandro e depois para Esmeralda.
Theo trocou a fralda de Alejandro enquanto ela amamentava Esmeralda e depois, a própria Jade trocou Esmeralda com a ajuda dele. Estavam nesse processo quando a família chegou.
A alegria era geral, afinal, eles não viam a hora que ela acordasse, porém, tinham novidades, Grace havia entrado em trabalho de parto, Richard estava nesse momento com ela no hospital, doutora Carmen mesmo faria o parto, claro, seria cesariana devido à idade de Grace.
Jade ficou feliz por sua mãe e por suas irmãzinhas, sabia-se que seriam duas meninas, também estava feliz por ver sua família.
-Jade, minha filha, nem acreditamos quando Pamela ligou dando a notícia que você havia finalmente acordado e que estava bem, foram dias terríveis, esse último porém, foi o pior.
-É, eu já fiquei sabendo. — Theo, ouvindo o diálogo entre sua mãe e sua esposa, sentiu seus olhos encherem-se de lágrimas lembrando-se de seu desespero, foi um momento tenso para ele, no qual não suportara mais a pressão, não saberia dizer o que seria de si mesmo se ela não tivesse aguentado tudo o que aguentara, ou, se não tivesse acordado, tinha certeza de que se a perdesse um dia, enlouqueceria, não poderia viver sem ela, Jade era seu sol, seu tudo.
Todos queriam abraça-la, beija-la, os bebês entraram na onda, não dormiram enquanto todos estavam alí, até pereciam adivinhar que algo importante acontecia, era um momento importante para a família, um momento de alegria, de emoção, de felicidade.
Para Lorenzo e Olívia, era evidente a transformação de seu filho, os olhos dele voltaram a brilhar, seu sorriso era largo novamente, ele não saía do lado da esposa. Doutora Carmen dissera que provavelmente no dia seguinte ela voltaria para casa, não havia mais motivos para ela permanecer no hospital.

Lorenzo chamou o filho para conversarem, ele queria saber de Theo a história toda sobre a morte de Hidalgo antes de conversar com Juarez e Raul e decidirem qual seria o melhor passo.
-Diga papa, o que quer falar comigo? Algo a ver com o meu depoimento?
-Sim filho, você precisa se apresentar para o delegado, já passaram-se muitos dias, o delegado está sendo muito paciente até, mas ele precisa fechar o inquérito, parece que você não será indiciado, ele quer só pegar seu depoimento para apresentar ao juiz.
-Bom, agora eu acho que terei cabeça para pensar nisso, se Jade sair amanhã do hospital, dependendo do horário eu vou até a delegacia.
-Você vai continuar a sustentar a versão de que foi você quem atirou? Sua mãe já me contou tudo.
-Sim, eu não quero que Jade pense mais nisso, quero que ela volte para casa e se recupere, apenas isso, que cuide de nossos filhos sem se preocupar com essa história, só o que ela precisa é de sossego, de paz e do nosso apoio, do nosso amor.
-Sim filho, você está certo, isso é tudo o que ela terá, muito carinho e muito amor de todos nós. Eu vou conversar com seus tios, vamos ter que abrir para a família pelo menos.
-Claro papa, para a família pode falar a verdade, mas, para todos os outros, quem atirou, quem matou aquele infeliz, sou eu, até porque eu o teria feito de qualquer jeito, não o deixaria sair livre de maneira nenhuma, se não tivesse sido pela rapidez de raciocínio de Jade, essas horas com certeza eu poderia estar morto e sei lá o que teria acontecido a ela e aos meus filhos.
-Ela foi muito corajosa.
-Sim, ela foi, só espero que depois que a realidade cair sobre ela não voltem os pesadelos. Ela é incrível e eu a amo mais que tudo, todos esses dias só o que eu pensava era que eu não viveria sem ela, acho que se ela demorasse para acordar ou se Deus me livre ela não tivesse resistido, eu com certeza teria enlouquecido. Foi um alívio ouvir a voz dela me chamando, foi como se eu tivesse saído de um pesadelo, como se eu tivesse renascido.
-Eu entendo meu filho, eu sei que não foi nada fácil para você tudo isso.
-Foi tudo um inferno papa, ver meus filhos chorarem porque estavam com fome, foi algo que nunca mais eu quero passar por isso novamente, eles odiavam a tal chuquinha, era complicado fazê-los mamar ao menos um pouco, agora na mãe, eles mamam com vontade, até se fartarem.
-Bom, eu me sinto orgulhoso de você, mesmo com tudo isso cuidou muito bem deles, com carinho, com amor e paciência. Você está me saindo um ótimo pai.
-São meus filhos e eu os amo, além do mais, eu tive bons exemplos em casa.
-Obrigado filho!
-Eu conversei com ela sobre a possibilidade de eu fazer vasectomia.
-E ela?
-Ela concordou, disse que não queria tentar Deus, que já tinha tudo para ser feliz, além do mais eu propus a ela que se mais tarde quisermos ter mais filhos, poderíamos adotar, eu sabia que ela não resistiria a isso.
-É uma ótima proposta realmente. Sempre haverá crianças precisando de um lar, de amor, de cuidados, de uma família que lhe dê segurança. E vocês dois saberão dar tudo isso, nossa família receberia de braços abertos.
-Eu sei disso papa, Jade sabe o que é viver a espera de uma família, ela me disse que é difícil, que sofreu muito por isso. Bom, mas agora eu vou voltar para junto dela, o senhor tem passe livre para contar a família tudo o que aconteceu.
-Mas eu não sei o que aconteceu realmente.
-Ah, sim, claro. Eu e Jade saímos da festa e nos sentamos lá no banco, ela me pediu água e eu a deixei apenas alguns minutos para poder pegar água para ela, quando voltei, Hidalgo estava lá, com a arma na mão, ameaçando me matar se ela não fosse com ele, eu gelei quando o vi, até porque Jade estava muito próxima a ele, eu fui tentando enrolá-lo, perguntei como ele havia feito para entrar, ele me disse que foi quando o caminhão do buffet parou para se identificar na portaria, eu fui falando, fui desafiando-o, Jade entendeu o que eu queria fazer e foi se aproximando de mim aos poucos, até que ficou atrás de mim, eu a protegia com meu corpo, fui atiçando ele, o desafiando, dizendo que ele não ganharia de mim em um mano a mano, que eu até o deixaria dar o primeiro soco, até que ele aceitou e me deu o primeiro soco, foi só um, eu caí matando em cima dele, bati muito, não o deixei nem se defender, achei que ele havia desmaiado, mas quando eu lhe dei as costas, ouvi Jade gritar e logo o som do tiro, achei que ele havia atirado e que havia pegado nela, porque eu sabia que em mim não havia pegado, ela caiu de joelhos e eu fui socorre-la, aí, Jade me disse que ele iria me acertar, que era para eu ver se ela havia acertado, mas ela não tinha arma na mão, ela atirou e a jogou no chão, eu fui apenas para deixa-la tranquila, quando eu cheguei perto vi que ele tinha um tiro na lateral da testa e um punhal em uma das mãos, aí eu entendi o que ela quis dizer quando disse que ele iria me acertar.
-Por Deus filho, não é à toa que aconteceu tudo o que aconteceu.
-Acho que ela já estava tendo as dores, mas não soube identificar de momento, acho que ela achou que deveria ser pela tensão pela qual passamos. Por tudo isso eu assumi a culpa, eu queria ter o poder de apagar tudo isso da mente dela.
-Fez bem meu filho, eu concordo com você, deixe-a fora dessa sujeirada toda.
-Eu quero evitar ao máximo que seja necessário ela depor.
-Vamos dar um jeito, ao menos para isso o prestigio da nossa família vai valer.
-O medo dela era de que eu fosse preso, mas eu lhe garanti que não havia a menor possibilidade disso acontecer.
-Segundo Marcus, realmente você só irá cumprir uma burocracia.
-Eu entendo papa, eu irei, não fugirei da minha responsabilidade, eu sabia o que acarretaria ao assumir a culpa.
-Estaremos sempre do seu lado, sabe disso.
-Obrigado papa, eu sei disso. — Os dois entraram novamente no quarto, Jade ria feliz de algo que Lola havia dito, depois de mais um tempo, eles voltaram para casa, ficando Theo e Pamela com Jade.

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