Narradora:
Era meio da tarde quando o celular de D. Ramon tocou, olhando o visor, viu que era Júlio, atendeu prontamente.
-Alô, menino, está tudo bem?
-Oi D. Ramon, estou telefonando de Londres.
-Londres?
-Sim, encontrei o pai da Jade. Tenho muita coisa para explicar, mas estou nesse momento no aeroporto, voltando para Madri, ele e o irmão, estão indo comigo, ficarão em um hotel até termos conversado, aí o senhor vê com sua família a melhor maneira de contar a Jade a verdade sobre seu pai, mas de pronto já adianto que a mãe dela não foi abandonada por vontade própria da parte dele.
-Ótimo meu rapaz, sabia que poderia contar contigo, assim que chegar e puder, me procure.
Júlio despediu-se e sentou novamente ao lado de Richard, sentia pena de toda essa situação, um acidente estúpido que separou o que poderia ser hoje, uma família, um homem perdido em sua própria mente, que havia perdido muito de sua identidade, de seu passado.
Richard estava indo para Madri para tentar resgatar essas pontas soltas, mesmo sem poder lembrar, sabia que Jade era sim sua filha, olhou incontáveis vezes para a foto da garota, ela tinha seus olhos, mas não era apenas isso, seu coração lhe dizia que sim, que ela era sua filha, que cresceu em um orfanato, sem o amor, sem o carinho e a proteção de um pai, mas ele precisava entender o motivo que levou Grace a deixá-la, sabia que muitas mulheres entravam em depressão pós parto, teria sido esse o caso? Tantas perguntas sem resposta, desejava conseguir solucionar algumas dessas questões.
~*~
Para Natalie, trabalhar em uma empresa como a EVA (Escobar Vasquez Associados), era compensador e desafiador, devido ao fato de Theodoro ainda não ter assumido sua função, ela assumia como uma assistente de Lorenzo, tomava conta de tudo que era de competência de Theodoro, Lorenzo havia dito que mesmo após o filho assumir, ela continuaria com a mesma função, o que era bastante satisfatório, estava feliz com sua nova vida.
Mas as vezes tinha que resolver pendências que a faziam rir, como o fato de que descartar Andrea, filha de um dos diretores, ela se dizia namorada de Theodoro, Samuel, que fazia estágio na empresa depois da faculdade, havia lhe explicado que a garota era meio maluca, que Theodoro havia ficado uma vez com ela, o que bastou para que ela espalhasse que eram namorados.
~*~
Pela manhã, Jade levantou e se preparou para ir até o orfanato, havia tomado a decisão de conversar com a madre, ainda não tinha se convencido a ver sua verdadeira mãe, precisava descobrir o que ela havia dito para a madre, tantas coisas para decidir, às vezes pensava tanto, que sua cabeça doía, para ela era nítido o fato de que muitas crianças eram abandonadas por alguém egoísta, alguém que não tinha um pingo de amor por uma criança, não parecia ser seu caso, por isso queria entender, queria conseguir tirar de seu coração essa mágoa, queria um dia ter sua família, seus filhos, sem carregar esse peso.
Iria pedir para que Pamela a acompanhasse, afinal, ainda não dirigia, apesar de fazer aulas, Yago estava na escola e sabia que Pamela estaria em casa. Saiu de seu quarto e dirigiu-se ao quarto da amiga.
Jade bateu na porta do quarto de Pamela e a chamou, ouviu um resmungo e entrou.
-Pamela, eu vim te incomodar, posso?
-Oi Jade, fala aí, eu já estava acordada, só tava com preguiça mesmo.
-Então, eu queria ver se não está afim de sair comigo, eu queria ir lá no orfanato falar com a madre.
-Vai querer minha companhia? Hoje eu estou meio pra baixo.
-O que aconteceu?
-Nada não, só acho que é TPM mesmo.
-Hum, então tá. Eu quero sua companhia sim. Não estou nenhum pouco afim de sair de táxi.
-Ok, deixa eu tomar um banho rápido e logo saímos.
-Então, eu vou no meu quarto pegar meu celular que eu esqueci.
-Ótimo, te encontro lá em baixo, daqui uns quinze minutos, pode ser?
-Pode ser.
Pamela tomou banho e se arrumou rápido, desceu as escadas correndo, Jade estava no jardim de inverno com Esperanza, Olívia e Yolanda.
-Bom dia tia Olívia, tia Sue. A bênção abuela!
-Bom dia Pamela. - Responderam as tias.
-Bom dia minha linda. Deus que te abençoe!
-Jade eu vou tomar um café rápido e aí podemos ir.
-Está bem, mas não precisa correr tanto, ainda temos tempo.
-Tá ok.
-Vocês vão sair?
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Totalmente Seu
RomansaEssa é uma história de minha autoria, qualquer cópia é totalmente proibida, pois a história está devidamente registrada. Plágio é crime e passível de punição.
