Capítulo Cinquenta e Sete:

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Theo a soltou lentamente, enchendo o rosto dela de selinhos.
-Ah, minha pequena, eu nem acredito que você voltou para mim, finalmente. Agora, eu vou pegar nossos filhos, eles são lindos amor. — O rosto dele estava banhado de lágrimas, lágrima de alegria por ter sua esposa de volta, agora, tinha certeza de que sua vida estava completa, tinha novamente seu amor, a mulher de sua vida e seus filhos.
-Eu estou bem meu amor, não se preocupe mais, ainda não foi dessa vez que eu o abandonarei.
-Nem me fale uma coisa dessas Jade, não tem ideia do inferno que eu passei, em que eu tenho vivido desde que passamos por tudo aquilo.
-Eu imagino meu amor, você emagreceu, está com a barba por fazer, mas continua lindo como sempre. Agora, me ajude a me sentar para poder conhecer nossos filhos. — Theo a ajudou, elevou a cabeceira da cama e a ajeitou para poder abrigar em seus braços os filhos.
Pamela trouxe os dois bebês, um em cada braço. Theo pegou primeiro Alejandro.
-Bom, mamãe, esse é nosso Alejandro.
-Alejandro? Mas, mas como você... ah, claro, só pode ter sido o Marco.
-Sim, ele veio ontem visita-la e me disse que uma vez você havia dito que se tivesse um filho lhe daria esse nome, como nunca havíamos falado sobre nomes, eu achei que gostaria.
-Eu adorei meu amor, vejo que você cuidou muito bem deles.
-Claro que eu tive ajuda.
-Meu bebê, você é tão lindo meu Alejandro, a cara de seu pai. — Ela o pegou nos braços e levou seu rostinho até seus lábios depositando um beijo na testa de seu filho. Seu rosto também estava banhado de lágrimas.
-Meu amor, você vai dar muito trabalho para a mulherada, já vi tudo. — Theo sorriu ao ouvir as palavras dela.
-Jade, o Theo cuidou praticamente sozinho dos bebês, ele quase nem nos deixava ajudar, até mesmo o seu banho era ele quem lhe dava agora nos últimos dias. — Revelou Pamela. — É incrível a paciência que ele tem com os filhos.
Jade olhou para o marido agradecida, sua expressão era de amor.
-Obrigada meu querido, eu sabia que você seria um pai maravilhoso meu Theo. Eu amo você!
-Ah, minha querida, como é bom ouvir essas palavras de sua boca. Mas, agora mamãe, você vai conhecer nossa pequena Esmeralda, eu escolhi esse nome porque os olhos dela são idênticos aos seus, ela é sua cara meu amor. — Jade ajeitou Alejandro melhor em seu colo para poder acolher a pequena Esmeralda.
-Oi minha princesinha, você é tão linda meu anjinho. — Como se tivesse sido combinado, os dois ao sentirem o cheiro do leite em Jade, começaram a procurar com a boquinha.
-Ah, meu Deus, eles estão procurando o leite em mim, Theo, como eu faço?
-Calma amor, tenta dar mamar primeiro ao Alejandro que é o mais esfomeado, Esmeralda é mais calminha, assim como você.
-É prima, seu garotão puxou o pai até na falta de paciência, você vai penar com esses dois estressadinhos. — Disse Pamela, rindo.
-Mas, eu sei como domá-lo, eu tive um bom treinamento com o pai. Será que ele vai pegar em meu seio? Depois de todos esses dias? Quantos dias ao todo eu fiquei desacordada?
-Treze dias, meu anjo, eu contei todos.
-Depois de treze dias, como vocês estavam fazendo?
-As enfermeiras esgotavam seu leite a cada duas horas, você tem bastante leite, não se preocupe, primeiro, tentamos dar em um copinho, sabe, para não acostumá-los com o bico da mamadeira, mas eles choravam muito, aí, uma das enfermeiras trouxe uma chuquinha, mas mesmo assim eles não gostaram muito, principalmente Alejandro.
-Oh, meus amores, perdoem a mamãe! Só espero que vocês não estranhem agora.
-Tenta amor, eu acho que eles vão se deliciar mamando em você.
-Mas, eu nem sei como fazer direito.
-Por falar nisso, a enfermeira que foi buscar o leite deles já deveria ter voltado não, Theo? — Questionou Pamela.
-É verdade! Eu vou chama-la novamente, pedirei para que ela chame a doutora Carmen, ela irá ajuda-la. — Ele apertou novamente a campainha, alguns minutos depois a enfermeira voltou, ficou com cara abobada olhando para Jade.
-Então, agora não é mais necessário que me traga o leite dos meus filhos, só preciso que avise a doutora Carmen que minha esposa finalmente acordou, agora ela mesma poderá amamentar os filhos.
-Cla... claro senhor. — Ela respondeu gaguejando.
-Theo, coitada!
-Amor, eu pedi para que ela me trouxesse o leite para que os amamentássemos, ela disse que eles haviam acabado de mamar, só que eles não mamam o suficiente na tal chuquinha, os dois estavam chorando, imagine se eu tivesse que ver meus filhos chorando de fome e ainda tivesse que ficar esperando a boa vontade dela em me trazer o leite.
-Tudo bem, está certo!
-Ah, eu ai me esquecendo, Pam, liga lá para casa para avisar o pessoal.
-Claro, bem lembrado, eu também estava me esquecendo. — Jade estava encantada com os filhos, ela mal podia acreditar, não perguntara ainda, mas, desconfiava que estivera muito perto da morte, era evidente o alívio no olhar de Theo, ele devia ter sofrido muito mais do que lhe demonstrava, estava mais magro e ele nunca deixava a barba por fazer.
Depois que ficasse sozinha com Pamela conversaria com ela, não queria fazê-lo reviver esses momentos terríveis, tinha uma leve noção do sofrimento que havia sido trazer seus filhos ao mundo. Porém, sabia que ele só sairia dali se fosse para buscar algo para ela.
-Amor, eu estou com vontade de comer algo mais substancial, essa sonda aqui está me incomodando, será que se eu pedir a doutora não mandaria retirar?
-Acho que sim meu amor, você está sentindo fome?
-Ah, sei lá, eu só queria comer algo diferente.
-Assim que a doutora vier, eu falo com ela, vejo se eu posso ir lá na lanchonete do hospital comprar algo para você, tudo bem?
-Obrigada amor!
-Xii, já vi tudo, agora o Theo vai ficar ainda mais neurótico nos cuidados com você Jade. — Pamela disse, rindo do primo. — Jade apenas sorriu.
-Nossa amor, como eu senti falta desse teu sorriso lindo! Quando você sorri assim parece que ilumina tudo ao seu redor. — A doutora Carmen entrou no quarto, era claro que ela estava aliviada, já começava a se preocupar em demasia com sua paciente, estava preocupada também com Theo, ele não saia do lado da esposa por nada e no pouco tempo em que saíra, quase surtou, pelo que Olívia lhe contou ao telefone, explicando o que acontecera em casa.
Mas agora a alegria dele era evidente, seus olhos brilhavam ao olhar para a esposa com os filhos no colo.
-Ah, vejo que minha paciente preferida resolveu voltar para o mundo real.
-É doutora, já não era sem tempo não é?
-Sim minha querida, também acho. Theo, Pamela, agora eu preciso que peguem os bebês para que eu possa examiná-la. — Jade entregou os filhos ao marido e a prima e se deixou examinar.
Doutora Carmen a examinou e constatou que ela estava perfeitamente bem.
-Bom Jade, está tudo de acordo, tudo dentro do esperado. Está sentindo algo específico?
-Minhas pernas estão um pouco dormentes ainda, minha visão as vezes fica meio desfocada, mas acho que é normal, não?
-Sim, é normal, até por causa dos sedativos, pelo fato de você ter acabado de acordar.
-Eu também queria saber se dá para retirar a sonda naso enteral doutora. Eu queria comer algo mais substancial.
-Sem problemas, a sonda vesical eu também vou mandar retirar.
-Obrigada doutora. Amor, agora eu vou pedir para que você vá até a lanchonete e me traga algo bem gostoso para mim, por favor!
-Sim minha pequena, é claro. Tem alguma preferência?
-Acho que pode ser um x bacon, um refrigerante, algum doce, sei lá, pode escolher para mim. Pode ser doutora?
-Pode ser o que você quiser, eu autorizo. — Carmen respondeu, sorrindo.
-Tudo bem! Eu vou lá então. — Ele depositou um selinho em seus lábios e saiu, nesse meio tempo, a enfermeira aproveitou para retirar sua sonda vesical e a sonda enteral.
-Pam, agora me conte tudo, como ele estava, de verdade.
-Mal Jade, muito mal, hoje ele foi até em casa e surtou, socou o espelho do closet de vocês, quebrou-o todo deu muito trabalho para que tio Lorenzo, Enrique, Murilo, Sam e Yago, conseguissem conte-lo, ele estava totalmente descontrolado, ele chorou muito, dizendo que queria que você voltasse, que não aguentava mais ficar sem você, foi muito triste vê-lo daquele jeito, nunca havíamos o visto assim. — Jade sentiu seu coração doer por imaginar como ele havia sofrido.
-Mas em compensação, foi muito bonito e emocionante ver o cuidado, a paciência, o amor dele pelos filhos, ele se dedicou de corpo e alma a vocês.
-Eu estive muito perto da morte, não foi doutora?
-Sim Jade, você esteve realmente muito perto da morte, sinceramente teve momentos em que eu achei que iriamos perde-la, principalmente na hora do parto, você foi muito guerreira.
-Eu tenho lapsos de memória, quase não me lembro do parto, só do Theo me pedindo para ser forte, para não abandoná-lo, mas eu ouvia ele falar comigo enquanto estive dormindo.
-É normal, alguns pacientes relatam ouvir o que seus familiares lhes falam.
-E agora doutora, eu quero amamentar meus filhos, como eu faço.
-Essa é a parte mais fácil minha querida. Vamos tentar?
-É tudo o que eu mais quero.
-Então vamos lá. Pamela pegue o nosso Theo Júnior, é assim que eu o chamo, pois ele é a cara do pai. — A doutora disse divertida.
Jade apenas sorriu.
Pam deu o filho para que Jade tentasse amamenta-lo, Theo voltou nesse momento. Ela abriu a camisola que vestia, estava molhada pelo leite que havia escorrido.
-Então Jade, olha só, você vai pegá-lo o mais perto do seu seio, vai trazê-lo até o seio e não ao contrário, a barriguinha dele vai ficar encostada na sua barriga, vai pegar com os dedos polegar e indicador em forma de C no final da aureola, ou seja, do mamilo e vai colocar o mamilo inteiro dentro da boca do bebê, ele tem que sugar direito para não ferir o bico do seu seio, mas, antes de tudo isso, você vai fazer esse procedimento e vai esgotar um pouquinho do leite e vai passar em volta do mamilo, assim você estará "limpando" o bico do seio e ele vai sentir o gosto e o cheiro e vai pegar mais fácil, ele vai sugar com vontade, pode doer no início.
-Ok, vamos tentar. — Ela fez tudo como a doutora lhe instruíra e trouxe o filho até seu seio e lhe ofereceu, ele veio com a boquinha aberta e abocanhou com vontade sugando com força, ela apertou os lábios sentindo um pouco de dor ao descer o leite. Porém, a sensação de amamentar o filho era única, indescritível, seus olhos encheram-se de lágrimas, seus olhos procuraram os olhos de Theo e viu neles todo o amor que ele lhe dedicava, ele também estava emocionado.

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