Uma lembrança pode mudar tudo!
Após enfrentar a morte de frente, Alma Ferraz desperta de um sono profundo sem as memórias de um reino de fantasia. Durante a rotina do dia-a-dia, o ballet profissional deixa cada vez mais perto, John, um antigo amigo...
Quando acordei, a cabeça ainda latejava e o corpo doía, mas a aspirina que a minha mãe deixou para mim de madrugada estava fazendo efeito. Me espreguicei na cama e... A minha mãe deixou um comprimido para mim?! Eu não moro mais com ela!
A ansiedade instantânea me fez sentar com um movimento brusco. Isso foi um erro! Tudo doeu! Lembrei de repente de estar em um lugar lotado... bebendo?! Não acredito, estou de ressaca!
O torso nu ao meu lado, em quem eu ainda não tinha reparado, fez o meu sistema cardiovascular parar de funcionar! Dei um pulo, quase caindo da cama. O raciocínio conseguiu funcionar em meio ao meu colapso e identifiquei o lindo bordado de asas.
Não foi um sonho! O alívio se misturou com a empolgação. Ele voltou! E eu estava na cama dele. Não! Vestindo uma camisa dele. Não! A gente... não! E eu nem sequer me lembro!
Eu teria um ataque completo se estivesse deitada na cama de um estranho sem lembrar de nada. Mas aquele estranho ali já era conhecido.
Então ele desaparece, não fala comigo, não atende o telefone, não retorna ligação, simplesmente me ignora, agora volta — e estou agradecendo loucamente por essa parte! — e para esse tipo de coisa eu sirvo?! Canalha! Eu achando que ele fosse diferente.
Nesse momento vi uma jarra com água até à metade. Desci do colchão e dei a volta na cama sorrindo. Joguei a água na cara dele e saí correndo. Gael acordou esbravejando.
— Mas que... — o olhar dele cravou em mim. — O que foi isso?! — ele limpou o rosto com raiva.
— Nem se atreva a me olhar assim! — apontei o dedo.
— O que eu fiz agora?! — falou com irritação. Duvido que tenha ficado irritado durante a noitada!
— Olha bem para mim! Estou usando a sua roupa e você está seminu! — acusei.
— Seminu eu estaria se tirasse a calça. E além do mais — Gael cruzou os braços —, eu não tirei nenhuma peça de roupa sua. Você fez isso sozinha. Levou quase uma hora.
— Eu não...
— Isso — ele me cortou —, é claro, depois de ter vomitado no meu tapete! E no sofá. E ter usado as minhas almofadas como guardanapo. Eu devia ter esfregando lá a fuça do seu namorado de merda!
— Eu não tenho namorado! — gritei e a minha cabeça latejou, me deixando zonza. Ele riu do meu desconforto. Idiota!
— Então quem era o imbecil com você ontem? — caçoou.
— Vai ver era você, já que é na sua cama que eu vim parar. Não te dei autorização para tocar em mim.
— Você implorou! Isso é muito pior. — um misto de divertimento e desdém. — Estava quase te fazendo um favor!
— Miserável! — um ódio tão grande me ardeu no fundo da alma que chegou a chiar na superfície da pele.
Eu virei a mão na cara dele, mas ele me dominou com facilidade. Isso me deu ainda mais ódio! Ele torceu os meus braços para trás e me apertou contra o peito exposto. Não me beija! Senão a minha raiva vai toda embora!
— Quando vai se tornar complacente? — ele estava se divertindo.
— Nunca! — rebati, tentando me soltar.
A ponta do nariz começou a desenhar aleatoriamente pela minha bochecha, o hálito acariciando a minha pele e me fazendo arrepiar.
— Você precisa de um banho, está fedendo a álcool. — ele segurou os meus pulsos com uma mão só e desabotoou o primeiro botão da minha roupa.
— Não se atreva! — cuspi as palavras na cara dele. Ele não estava nem aí! Olhou com muita satisfação o decote cavado bem abaixo do seu nariz.
— Eu vesti isso em você, então tenho o direitode tirar. Além disso, a roupa é minha. E você também.
— Jura?! — o pulso dele parecia uma algema de ferro. — Chegou a essa conclusão porque eu transei com você sem ter a menor consciência da merda que estava fazendo?
— Não precisa ficar animadinha! A gente não transou ontem.
— Imagina! Você ficou cheio de intimidade e abusado atoa!
— Não foi culpa de uma longa e prazerosa noite de amor. — Gael rebateu. — Eu fiquei assim depois que você me agarrou e não queria mais soltar com medo que eu fosse embora. Nunca imaginei que tivesse sentido tanto a minha falta, Srta. Ferraz. — uma voz convencida e orgulhosa. — Depois você disse que me amava.
Droga. Acho que eu fiz mesmo isso.
— Aí aproveitou para pegar o que era seu por direito?!
— Eu já disse, não encostei em você. Ainda! Óbvio. — todo debochado. — Serei sempre um cavalheiro. Não me aproveito de seres indefesos. — os dentes beliscaram a pele exposta do meu pescoço, fazendo a minha respiração acelerar.
— Eu estou praticamente algemada. O que está fazendo não se encaixa em não se aproveitar de seres indefesos. — o meu corpo inteiro tinha se eletrizado com a trilha de beijos sobre a minha jugular.
— Ontem você estava indefesa, hoje você está lúcida!
O beijo com a intensidade da saudade e do desejo foi a arma que ele escolheu. Gael me engoliu naquela comunicação sensorial. O calor daquele corpo quente fazia a minha barriga gelar de adrenalina. O paladar daquela língua dentro da minha boca fazia o meu sangue ferver e o meu corpo pegar fogo.
Ele estava, naquele momento, reivindicando sua propriedade, e esclarecendo que pertencia a mim. Não sabia como ele continuava respirando, de tanto que eu o agarrava.
Uma carícia ia subindo pelas minhas coxas, quadril, cintura... A presilha do meu sutiã foi desabotoada com um toque simples.
— Já chega de agarração. — empurrei-o para longe e queria ter dito isso sem aquele riso imenso na cara, mas a sensação era tão boa que não consegui reprimir. — Depois a gente continua.
Me troquei no banheiro antes que ele tivesse tempo de me atacar e chamei um carro pelo aplicativo.
Gael abriu a porta da frente para mim com um sorriso atrevido e o cabelo bagunçado.
— Ah, e, só para você saber, você não é tão decente quanto pensa, Srta. Ferraz!
— Só para você saber, Sr. Ávila — passei sem esbarrar naquele peito deliciosamente quente. —, eu sei! — e fechei a porta atrás de mim.
Mas antes que eu chagasse ao portão, ele marchou na minha direção. Me jogou sobre o ombro e me arrastou outra vez para dentro! Os meus protestos foram ignorados! Isso era jeito de tratar uma dama?!
A porta se trancou, ela era tudo o que separava o lá dentro do lá fora. O resto... vocês já sabem!
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Pronto, os detalhes eu deixo para a imaginação fértil de cada um! kkkkkkkkk