Uma lembrança pode mudar tudo!
Após enfrentar a morte de frente, Alma Ferraz desperta de um sono profundo sem as memórias de um reino de fantasia. Durante a rotina do dia-a-dia, o ballet profissional deixa cada vez mais perto, John, um antigo amigo...
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Alma estava fantástica em cima daquele palco! Não, isso é pouco. Muito mais do que isso. Ainda não inventaram um adjetivo que expresse realmente a beleza dela quando estava dançando. Alma e a dança se misturam tão intrinsecamente que não consigo mais distinguir quem é quem. Alma é o próprio sentimento. Ela é pura alma. É isso o que ela é no palco. Alma.
Embora sentisse um orgulho que me inchava o peito do talento da moça... confesso... que mesmo com o passar do tempo... não ficava mais fácil ver os dançarinos deslizando as mãos sobre toda aquela superfície.
Elisa dava alguns risos abafados quando a minha respiração faltava e eu bufava com aquelas mãos alheias escorrendo sobre as coxas da morena. Eu sei que é profissional! Eu sei disso e repito a mesma coisa para mim mesmo milhares e milhares de vezes, para ver se consigo realmente me acostumar. Se isso acontecer algum dia... conto para vocês.
Por que ela não podia sonhar em ser médica? Ou arquiteta? Ou paisagista? Ou qualquer outra coisa sem todo aquele contato?! Eu fazia o máximo que podia para ficar com a bunda pregada na cadeira, mas em certos momentos... eu praguejava. Elisa ria.
Eu estava no salão de festa esperando a beldade descer depois do ballet. Olhei a escadaria com arquitetura antiga e enfeitada quando um vulto negro me chamou a atenção. A cortina sedosa descia em cascata sobre os ombros e as costas em cachos negros. Tudo nela ela escuro aquela noite. Um vestido longo. Negro. Ela estava trajada como a própria noite.
Alma desceu de perfil, conversando com um colega que não precisava ficar olhando tanto o decote dela! A dama parou na base da escada de costas para mim, ainda conversando com o rapaz. A roupa não deixava nada além dos braços dela de fora. Que triste! O que eu iria acariciar se estava tudo coberto de pano?
Parece que a conversa dos dois acabou e o rapaz se afastou. Quando ela se virou...
O restante do salão desapareceu. A tatuagem bem feita da rosa dos ventos completamente formada descendo do meio dos seios até acima do umbigo mostrando-se em um decote ousado e profundo. O sinal dela sorriu para mim com um aceno glorioso, assim como o brilho exultante do olhar. Ela se aproximou, com passadas firmes e calmas. Eu tinha medo de piscar e a imagem desaparecer.
A moça não parou e eu senti os dedos dela acariciando o meu pescoço ao mesmo tempo em que tocava os lábios nos meus. Um beijo com gosto de saudade.
— Oi. — os olhos de buraco negro que me enfeitiçavam mais que bruxaria me saudaram com um brilho diferente. Uma noite que há muito tempo tinha me dito adeus. — Estranho lindo.
Isso foi um tapa! Foi há uma vida, a última vez em que ela me chamou assim. Toquei o desenho escuro e lindamente bordado. É real.
— Carissimi?
— Senti saudade. — uma voz doce e cheia de ternura.
— Você se lembra?
— De cada pedacinho! — fez uma careta engraçada. — Desculpe, ter demorado tanto.
Foi nessa hora que eu percebi a intensidade da saudade que estava sentindo dela. A minha Alma. Envolvi o corpo dela de encontro ao meu num abraço apertado, sentindo o perfume fresco de chuva e flor.
— Você voltou para mim. — falei com o rosto enterrado no cabelo dela.
— Eu me sinto inteira de novo. Adoro ser eu mesma outra vez! Senti saudade de mim! Isso é estranho, mas também é verdade. E adoro, principalmente — acariciou o meu rosto — me lembrar de você, Gael.
— Quando? Como? — eu não conseguia tirar os olhos daquele desenho.
— Ela me mandou um presente.
— Ela?! — estremeci ao ouvir isso.
— A criatura sagrada que te ajudou a encontrar a minha cura em Shangri-la.
— Não me diga. — cerrei os dentes. Raposa vira-lata trapaceira! — Tão doce e meiga a nossa Selva.
— Eu quero conhecê-la! — Alma pediu cheia de animação. — Eu quero voltar ao mundo Natural.
É claro que você quer. Isso é exatamente o que a Filha da Lua deseja. Selva era ardilosa e trapaceira, e mais uma vez cumpriu com a sua palavra. Ela devolveu as memórias da guardiã, mesmo que isso pudesse tê-la matado no processo.
O ponto aqui é: se Selva a quisesse realmente morta, Alma estaria morta. Não posso protegê-la o tempo todo. O que significava que se eu não a levasse para casa, Selva viria buscá-la. E a raposa já tinha deixado claro que não havia preço que ela não estivesse disposta a pagar.
Aquela rosa dos ventos era a minha direção, mas será que também poderia ser a minha solução? Alma cruzou os braços e a curva dos seios ficou mais evidente. Não era só a tatuagem que aquele decote estava exibindo com orgulho.
Levantei os olhos para o rosto dela e a morena estava me encarando com um sorriso atrevido.
— Já achou o que você perdeu no meu decote, caçador?! — provocou.
E o mesmo que eu podia apreciar ali todo mundo também podia.
— Tinha razão o cara da escada estar olhando tanto! — disparei e um riso faiscante saiu daquela boca com pura alegria.
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Olá, olá! Só um pouquinho de ciúmes :)
Prontos para um pouquinho de aventura? Já estão com saudade do mundo de lá? Semana que vem vamos lá passear.
E por hoje é só, tenham um ótimo feriado e até a próxima. Bjos!