Uma lembrança pode mudar tudo!
Após enfrentar a morte de frente, Alma Ferraz desperta de um sono profundo sem as memórias de um reino de fantasia. Durante a rotina do dia-a-dia, o ballet profissional deixa cada vez mais perto, John, um antigo amigo...
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— Você tem problemas. — o bailarino me empurrou.
O toque fez o gelo derreter e o fogo voltar. Que bom. Esse ódio pelo menos eu sabia que conseguia controlar. Dei as costas com o corpo queimando.
— Você é um idiota! — Alma gritou quando entrei no carro.
— Eu sou um idiota?! — o motor ligou e a morena me ignorou. — Essa babaquice toda só pode ser uma piada!
Não passou um minuto e a vibração do celular dela era o único som dentro do veículo afogado em silêncio.
— Se ele não parar de ligar para você eu vou dar meia volta e bater nele até ele engasgar com o próprio sangue. — guardião bastardo filho da puta!
— Está me assustando! — Alma cuspiu para mim.
Ela ia me bater com uma vassoura, ou uma frigideira. Depende do que encontrasse primeiro. O carro estacionou. Que soltem a fera!
— Nunca mais faça isso! — ela gritou a plenos pulmões na sala. — Nunca passei tanta vergonha na minha vida!
— Olha para mim, Alma Ferraz. Olha bem pra mim. — os grandes olhos de buraco negro ficaram bem perto quando me aproximei. — Acha que eu sou palhaço? — eu não estava gritando, mas estava fervendo! — Acha mesmo que vai jogar comigo? Sem nenhuma consequência?
— Por que está falando isso? — ela se afastou.
— Você, Alma Ferraz, estava deitada na minha cama ontem. Acha mesmo que pode fazer amor comigo e depois voltar correndo para o seu namoradinho como se nada tivesse mudado?
— Ele não é meu namorado.
— Então por que estava se esfregando com ele?!
Ela ficou puta com essa acusação.
— Foi só um abraço. — a voz ostentando puro ódio.
— Um abraço de quem sente tesão por você não é só um abraço!
— Ele já era meu amigo muito antes de você ser qualquer coisa minha! — Alma explodiu em fúria. — Só faz vinte e quatro horas que estamos juntos. Vai ser sempre assim?
— Me diz você. — ela puxou o elástico do pulso e prendeu o cabelo num rabo de cavalo bem alto. Linda. — Cada vez que eu virar as costas vai me largar e voltar correndo para ele?
— Você não é meu dono!
Que?! Que palhaçada! Vamos esclarecer uma coisinha sobre propriedade para a dama. Pelos vistos ela está com dificuldades para entender.
— Você é minha, agora. — me inclinei sobre ela. Uma só respiração para dois corpos. — Na mesma proporção e intensidade em que sou seu. Não faça de conta que isso é pouca coisa, carissimi, porque não é.
— Eu sei, Gael. — os olhos muito escuros costumavam fazer toda a minha resolução ceder, então me afastei. Era mais seguro manter alguma distância daquela criatura maravilhosa.
— Já é mais do que o miserável merece poder ser seu colega de trabalho. O que teria acontecido se não tivesse sido eu a levá-la para casa ontem?
— Eu não ia...
— Você nem ia se lembrar. — retruquei. — Talvez você não tivesse dito não. — vi a dúvida crescer nos olhos dela. — O seu amigo não ia ligar para o seu arrependimento. — acho que foi a primeira vez que duvidou da integridade daquele rapaz.
Alma suspirou, consternada. Estou perdendo ela. Outra vez.
— É ele que você quer? — esperei a noite estrelada me encarar de volta. — Eu não vou dividir você, Alma. Isso é um fato! Mas também não vou ficar no caminho da sua felicidade.
— Ele é só um amigo.
— Colega de trabalho. — corrigi.
Alma me estudou com um bico na boca por alguns segundos.
— Seria difícil ver outra garota grudada em você, então... é justo.
Ela cedeu?! Ela estava mesmo concordando comigo?!
— E só para você saber... — acrescentou. Um sorriso de orelha a orelha. — John nunca foi meu namorado. — que?! — Você me deixava confusa e eu tinha medo, então... inventei. Elisa me deu cobertura.
Tinha que ser! Aquela pirralha catarrenta vai ver só quando eu topar com ela!
Ouvi o barulho do motor parando lá fora.
— O que está fazendo?! — Alma me olhou desconfiada tirar a camisa e dasabotoar o cinto.
— Tirando a roupa! — o jeans deslizou para fora do meu corpo. A campainha soou. — Eu atendo. — avisei, usando nada mais do que o meu melhor sorriso e uma cueca boxer.
— Vai abrir a porta desse jeito?! — desespero.
— Claro! — a maçaneta fria girou. O miserável me olhou de cima a baixo. — Posso ajudar em alguma coisa?
— John! — Alma chegou passando por baixo do meu braço.
— Já está tudo bem claro, não precisa explicar nada. — ele virou as costas dispensando conversas. Poderia jurar que ele estava pensando o que foi que Alma viu em mim. Quando descobrir me avisa, também quero saber.
— Você é mau, Gael! — ela riu.
— Não quero ser o seu segredo dessa vez. — fechei a porta.
— Eu escondi você?
— E como fez esforço para isso! — ela caiu na risada. Olhei a residência em que me encontrava com mais atenção. — Essa casa é mais bonita do que a minha. Vou trazer as minhas coisas para cá.
— Você vai morar aqui?! — as gargalhadas se foram e ela quase engasgou.
— Vou! Ainda bem que me convidou.
— Não convidei nada!
— É claro que convidou. Não seja mentirosa! — me joguei no sofá. — Vem cá. — ela me olhou torto. — Anda logo, não faz manha. Venha aqui.
O brilho selvagem lampejou no olhar negro. Ela veio se aninhar no conforto de um colo quente que fazia de tudo pela sua atenção.
Sou carente, admito. Carente de amor, emocional e físico. Carente de quem é a minha droga. Carente do meu vício. Carente dela.
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Olá, olá! Desculpem o atraso :)
Bom, que Gael é ciumento a gente já sabe, mas convenhamos, ele tem lá seus motivos.