Capitulo 29

4K 244 22
                                        

De repente, os olhos de Daryl me analisam da cabeça aos pés.


DARYL: Foi o Ryan que te deu esse vestido?


Eu fico nervosa, meios envergonhada. Me esqueci completamente disso...


JULIETA: Eu só peguei emprestado, eu vou devolver para ele.

DARYL: Você fica bem nele.


É um elogio bem simples. Mas mesmo assim, eu fico desconcertada. Será que é porque vem do Daryl?


DARYL: O Ryan deve ter ficado feliz.


Eu sinto um pouco de lamento na voz dele. É quase como se ele estivesse com ciúmes?


JULIETA: Não muito, acho que ele não queria ficar envergonhado do meu lado.

DARYL: Eu duvido.


Eu olho para o lado por um instante.


JULIETA: Hm... Eu estou começando a ficar cansada.

DARYL: Desculpa, eu estou te segurando aqui sem motivo.

JULIETA: Você quer me acompanhar até o meu prédio?

DARYL: Você não tem medo de eu descobrir onde você mora de verdade dessa vez?


Eu percebo o sorriso dele antes de responder.


JULIETA: Você vai acabar descobrindo de qualquer forma, não é?

DARYL: Não necessariamente. Eu só sei que você não mora aqui. E se você tiver algo a esconder, eu vou respeitar isso.


Eu tenho a sensação de que ele também está escondendo alguma coisa... e que ele está me pedindo, implicitamente, para não fazer perguntas sobre tudo.


JULIETA: Certo. E, sendo honesta... Não me incomoda saber que você sabe onde eu moro. Vai ser mais fácil assim, quando você precisar me deixar aqui no meio da noite!

DARYL: O que aconteceu da ultima vez não te assustou?

JULIETA: Não! Bem, sim, na hora, mas pensando agora... foi inacreditável.

DARYL: Mas podia ter sido bem pior.

JULIETA: Felizmente, não foi o caso, então está tudo bem.

DARYL: Vamos esperar que sempre acabe desse jeito.


Nós começamos a andar na direção do meu prédio sem perceber.

As costas das minhas mãos tocam as das mãos de Daryl regularmente, e os meus dedos estão tremendo um pouco. Eu chego a ter arrepios.


DARYL: Você está com frio?

JULIETA: Eu consigo aguentar.

DARYL: Espera.


Ele pára e tira a sua jaqueta, então a coloca sobre os meus ombros.


JULIETA: Você não precisava, mesmo! Além disso, é tão clichê.


Dessa vez, ele se explode rindo.


DARYL: Às vezes, o cliché tem um lado bom. E eu prefiro um cliché a uma gripe.


Dessa vez, é a minha vez de dar risadas.


JULIETA: Acho que você está certo.


Eu levanto os braços para evitar que a jaqueta caia no chão. Ela exala a colónia de Daryl, uma colónia que entra na minha cabeça e me cativa.

Nós chegamos na entrada do meu prédio.


DARYL: Você pode ficar com a minha jaqueta, eu não vou precisar dela por enquanto.

JULIETA: Tem certeza?

DARYL: Sim.

JULIETA: Obrigada por me acompanhar, de qualquer forma. Apesar de não ter sido necessário.

DARYL: Não quero dizer que você não deveria ter pedido. Eu queria te acompanhar. Mas se foi contra a sua vontade, eu peço desculpas.

JULIETA: Não, não, claro que não, eu fico feliz também, eu juro.


Ele levanta o braço, trazendo os dedos na direção da minha bochecha. No ultimo momento, logo antes dele me tocar, ele afasta a mão.

Amor em Alta VelocidadeOnde histórias criam vida. Descubra agora