Capitulo 102

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JULIETA: Você deve ter ficado feliz quando o Daryl veio trabalhar para você.

RYAN: Isso não foi planeado, mas devo reconhecer que foi no tempo certo.

JULIETA: Você pretendia dizer a ele sobre a Helena um dia, ou não?

RYAN: Talvez. Se fosse do meu interesse. Além disso, se isso tranquiliza você... Eu não concordei com a decisão do meu pai. Achei que era muito perigoso, mesmo com tudo sob o controle. Esse foi o primeiro atrito entre nós. Mas de qualquer maneira, ele está morto agora, que descanse em paz.


Ryan não parece ter ficado triste ao falar sobre a morte do pai. Ele até deixa claro uma indiferença que me incomoda profundamente.

Ele fala sobre pessoas como se fossem meros objectos. E é exatamente isso que sou para ele, sei que não tenho valor nenhum.

Quando não tivermos mais utilidade para ele, ele simplesmente se livrará de nós.


JULIETA: O que você ganha com tudo isso?

RYAN: Eu preciso de um funcionário eficiente, Daryl é o melhor que eu posso encontrar. Ele terá que trazer uma grande quantidade de cocaína pela fronteira mexicana. Eu não confio nas mulas tradicionais, as minhas mercadorias significam muito para mim. Eu só quero o melhor para os meus interesses. Se tudo correr como planeado, eu poderei controlar todo o mercado na costa oeste dos EUA.

JULIETA: A policia vai...

RYAN: A policia não vai fazer nada. Eu tenho amigos lá. Em cargos importantes.


Se eu conseguisse fazê-lo dizer alguns nomes.


RYAN: Veja, por exemplo... O Senhor Hamilton, conselheiro do prefeito, ou o comissario Stevenson...


Hamilton? Acho que esse é o cara que Allan estava investigando!


RYAN: Todos eles estão aos meus pés. Eu passei anos criando uma rede de trabalho eficiente. As pessoas pensam que ser criminoso não requer nenhuma habilidade.


Ryan abre um sorriso convencido.


RYAN: É o oposto! Não é qualquer idiota que consegue se dar bem e administrar um negocio assim.

JULIETA: Você quer aplausos?

RYAN: Não. Eu não pretendo desamarrar você.


Ryan coloca a sua arma de fogo ao seu lado, perto do meu telefone.

Pior do que tudo, a sensação de ainda estar no seu controle me apavora. Eu não consigo, de maneira alguma, pensar em uma saída.

Ryan olha para o seu lindo relógio e franze a testa.


RYAN: Me pergunto o que ele está fazendo. Ele já deveria estar aqui.

JULIETA: Acho que ele percebeu que era uma armadilha e decidiu pular fora.

RYAN: E decidiu desistir de você, se for o caso.

JULIETA: Se for a escolha dele...


Ryan se levanta de repente e começa a andar de um lado para o outro, bem na minha frente. O pequeno contratempo parece não agradá-lo.

Ele não está acostumado que as coisas não sejam do jeito dele.


JULIETA: Ligue para ele!

RYAN: Não, eu não quero deixá-lo desconfiado.

JULIETA: Deixe-me ligar, então.

RYAN: É a mesma coisa.


Ryan se dirige até a porta do escritório, com raiva, e abre abruptamente.


RYAN: Lana! Venha cá, agora.


Ela aparece em poucos segundos.


LANA: O que houve?

RYAN: Daryl não falou com você?

LANA: Se ele tivesse falado, você sabe que eu já teria dito.


Ela me dá um olhar de desprezo ao mesmo tempo que diz isso.

Amor em Alta VelocidadeOnde histórias criam vida. Descubra agora