Capitulo 68

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Um dos meus colegas de trabalho olha para mim, parecendo suspeitar de algo.


«Ligação ON»

JULIETA: É claro que eu aceito passar a noite com você! Que horas a gente se encontra no meu prédio?

DARYL: Não, não na sua casa. Na minha.



Eu quase dou um pulo.

Na casa dele... ele está me convidando para a casa dele, ele quer revelar mais...



DARYL: Julieta? Se você não quiser, tudo bem. Nós podemos tentar outra coisa.

JULIETA: Não, não, pelo contrário, eu fico bem contente!

DARYL: Eu não quero te incomodar, ou pior, te obrigar a vir.

JULIETA: Você já me conhece bem, e sabe que não sou de fazer isso. A que horas eu devo ir? Você vem me buscar? Eu não me sinto obrigada a aceitar nada. Eu consigo me virar.

DARYL: Umas 7h30. E certo, eu te dou o endereço.



As palavras dele ainda são diretas, quase frias demais.

Sempre é difícil saber como as pessoas estão se sentindo por mensagem de texto... Mas bem, ele deve estar se sentindo melhor em relação a mim. Se ele me convidou, é porque ele quis!



JULIETA: Tudo bem por mim. Eu vou estar aí no horário! Até mais tarde, Daryl!

DARYL: Até mais.

«Ligação OFF»


Eu coloco o telefone de volta sobre a mesa e dou um enorme sorriso.

Eu tenho vontade de abrir as minhas asas e me sinto revigorada para terminar o meu trabalho.

Eu disse para ele que conseguia chegar lá sozinha... Mas eu não percebi o endereço que ele me deu.

Ele mora em Watts, um bairro pobre e perigoso de Los Angeles. Eu provavelmente vou pedir para ele me trazer de volta para casa.

Eu sei que eu disse que não precisava de carona, mas... Eu não sabia que ele morava em um lugar desses.

Na verdade, é meio estranho que ele more num lugar assim. Eu aperto o passo, com pressa para chegar no prédio onde o Daryl mora.

Eu não me sinto nem um pouco confortável. É fácil ver que não sou daqui.

Quando eu vejo a varanda, não consigo conter o meu alivio.


DARYL: Tudo bem? Você parece meio agitada.

JULIETA: Sim, sim, estou bem. Vamos entrar?


Ele parece perceber o meu desconforto e me convida, fazendo um gesto com a mão.

O apartamento do Daryl não está tão acabado quanto parece do lado de fora. Está tudo limpo, organizado e bem decorado.

A mesa já está arrumada, e o delicioso perfume de um prato indiano preenche a sala. Eu finalmente me sento no sofá, deixando a minha bolsa no chão, ao lado dos meus pés.


DARYL: Tem certeza de que está tudo bem?

JULIETA: Digamos que fiquei surpresa pela região.


Ele levanta uma sobrancelha.


DARYL: Porquê?

JULIETA: Eu achava que o Ryan te pagava melhor...

DARYL: Ele me paga melhor que isso, mas eu prefiro não chamar a atenção. E além disso, eu moro aqui há três anos, e nunca nada aconteceu comigo. Mas eu entendo porque você se sente assim. E apesar de nada ter acontecido comigo, eu acho que é melhor eu te levar de volta para a sua casa. Mesmo sabendo que você conseguiria voltar sozinha.

JULIETA: Eu acho que vou aceitar a sua oferta.


Eu não me vejo cruzando Watts no meio da noite. E eu não sei se algum táxi concordaria em vir para cá.

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