Capitulo 18

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Eu deveria ter dito a Daryl que a policia não iria encontrar nada no carro dele... acalmá-lo.


DARYL: Estamos quase lá!


O carro arranha as paredes algumas vezes. As latas de lixo no nosso caminho estão voando. Até um dos espelhos é arrancado do carro.


JULIETA: O Ryan não vai ficar zangado pelo carro?

DARYL: Ele vai me dar outro. Tem vários desses.


A voz de Daryl está completamente firme, como se nada estivesse acontecendo.


DARYL: Ele vai entender.

JULIETA: Eu tenho a sensação de que despistamos a policia.

DARYL: Chinatown pode ser um belo labirinto, quando não conhecemos bem as ruas daqui. E eu sei exactamente aonde estou indo, diferente deles. Eu conheço a região toda.


Daryl vira o rosto e pega o telefone do painel. Ele fala por alguns momentos, em chinês.

Não conseguindo me conter, eu pergunto para ele, quando ele termina a ligação.


JULIETA: Para quem você ligou?

DARYL: Um conhecido. Ele me devia um favor.


Ele vira em uma esquina, entrando em outra rua, ainda mais estreita.

De repente, ele apaga os faróis do carro e entra no estacionamento de um prédio. A porta está aberta. A entrada se fecha rapidamente, nos deixando no escuro.


DARYL: Nada melhor que desaparecer assim para despistar a policia.

JULIETA: Você acha mesmo que eles não vão procurar?

DARYL: Oh, é claro que eles vão procurar. Mas eles precisam saber onde exactamente procurar. É uma técnica velha, mas que sempre funciona.

JULIETA: Então não é a primeira vez que você foge da policia?


Daryl reclina o banco para se alongar, ele cruza os braços atrás da cabeça.


DARYL: É claro que não. E até hoje, sempre consegui escapar. Ou eles são muito incompetentes, ou eu sou bom assim mesmo.

JULIETA: Você consegue ficar fazendo piadas numa situação dessas?

DARYL: Não foi uma piada. Mas a policia geralmente é bem previsível. É como dizem, conheça o inimigo.

JULIETA: Você tem bastante autocontrole.


É a chance perfeita para descobrir mais sobre ele. Estou sozinha com ele, e nós precisamos esperar antes de sair... Tenho que aproveitar.


JULIETA: O que você fez no passado que te permite controlar os nervos assim?

DARYL: Não gosto de falar do meu passado. Não estou interessado.


Seria óptimo se ele tivesse respondido.


DARYL: Mas já que você quer saber... Eu estou acostumado a situações complicadas.


Eu me viro para ele, apoiada de lado sobre o banco. A silhueta dele é iluminada pelas luzes dentro do carro.

Os olhos dele estão fechados, parecendo quase relaxados. Chega a parecer que ele está dormindo.

Eu não me atrevo a perturbar ele e pego o telefone do meu bolso. 3 da manhã... eu vou estar morrendo no trabalho amanhã.


JULIETA: Daryl...


Ele continua de olhos fechados.


DARYL: Hmmm?

JULIETA: Você gosta do que faz?

DARYL: Que pergunta é essa? Não sou o tipo de pessoa que é forçada a fazer algo.


Ele pronuncia as suas palavras como um facto, com a voz firme.


DARYL: Você gosta de fazer perguntas.


O meu coração acelera, e começo a sentir medo.

Oh não, ele não pode suspeitar...


JULIETA: Eu gosto de aprender mais sobre as pessoas que me interessam.

DARYL: Oh, eu te interesso, então?


Eu gaguejo como uma idiota, pega na minha própria armadilha.

Amor em Alta VelocidadeOnde histórias criam vida. Descubra agora