Capitulo 101

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RYAN: A morte que eu vou dar a você não é nada parecida à morte do Orlov, essa durou vários minutos. Você já viu um homem morrer?

JULIETA: Adivinhe...

RYAN: É uma experiência bastante estranha. O rosto, especialmente. É possível dizer o momento exato em que a vida deixa o corpo.


Ele fala sobre isso como se estivesse falando sobre um show, como se isso não o afectasse.


RYAN: Mas quando a bala entra corretamente, tudo acaba em um único momento, pelo menos. Nem temos tempo para ver ou sequer sentir.


O cano da arma sobe pelo me pescoço lentamente e entra nos meus cabelos. Eu sinto outro arrepio e todos os meus músculos se contraem.

Tenho a sensação imediatamente de que vou desmaiar. Eu nunca estive tão perto da morte.

Ryan finalmente afasta a arma da minha cabeça e eu respiro novamente.


JULIETA: Você quer que eu o agradeça por me poupar de uma morte lenta?

RYAN: Cá entre nós, você deveria.

JULIETA: E o Daryl... o que você vai fazer com ele?

RYAN: Eu não decidi ainda. Talvez antes de colocar uma bala na cabeça dele, eu seja bonzinho e finalmente conte toda a verdade a ele.


Ryan continua com um sorriso sarcástico e eu temo o pior.


JULIETA: A verdade? Sobre o quê? Sobre mim? Ele já sabe tudo.

RYAN: Não, você não, Julieta! Por mais interessante que a sua história seja... Ele já sabe de tudo, como você disse. Não, eu estou falando sobre outra coisa! Algo muito mais antigo. Que aconteceu há uns cinco anos, por exemplo!


O sorriso de Ryan aumenta e eu tremo de pavor.

Ah não... não me diga que...


JULIETA: Você está falando sobre a Helena?

RYAN: Ah, vejo que você já conhece um pouco da história.


Meu desespero aumenta e eu volto a tentar soltar os meus pulsos. Se eu tiver que morrer... farei tudo o que eu puder para arruinar a vida dele também.

Eu sinto o pequeno gravador de voz no bolso de trás da minha calça. Discretamente, eu tenho pressionar o botão de gravação.

Ryan, que desviou o olhar por um breve momento, não percebe nada. Espero que isso resista à agua, caso ele mude de ideia sobre mim.

Eu continuo, esperando que a minha gravação possa ser útil um dia.


JULIETA: Mas como você está sabendo disso? O Daryl lhe contou?

RYAN: Não! Ele não precisou.


Ryan passa por mim e senta no canto da mesa.


RYAN: Eu já sei tudo o que há para saber. Naturalmente, isso é óbvio! Já que foi o meu pai quem ordenou o assassinato da Helena.

JULIETA: O quê?


Eu tenho a sensação de que vou explodir de raiva.

Quanto a Ryan, ele permanece relaxado, com o sorriso ainda preso em seus lábios.


RYAN: Ela estava atrapalhando as operações, ele teve que se livrar dela. Nas nossa família, somos o tipo de gente que resolve os nossos problemas! Mas ele também precisava encontrar um culpado, para finalizar as investigações. Ninguém melhor do que o nosso querido Daryl, que estava em crise depois de voltar do Iraque. Vitima de stresse pós traumático, ele matou a própria esposa em um momento de raiva.


Eu fico chocada com as suas confissões.

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