Capítulo 11 - Ciumento

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"Ele vai brigar comigo! Vai sim!", afligia-se em pensamento Rin, tentando desajeitadamente guardar Tenseiga na bainha. "Com tanto lugar, essa bola tinha que ter caído justo aqui! Que droga!"

– O que faz aqui, Rin?

A voz austera do youkai branco a fez soltar um estridente grito de susto e derrubar a espada no chão de madeira, mas não antes de arranjar um corte num dos dedos.

Sesshoumaru se aproximou depressa, visivelmente preocupado.

– Me desculpe, senhor Sesshoumaru! Me desculpe! - ela desembestou afoita. – Não foi minha culpa! Eu estava jogando com o Shippou e Kohaku e daí a bola escapou aqui pra dentro...

– Temos que tratar desse corte, rápido - ele a interrompeu.

Só então, Rin pareceu perceber o machucado, e a dor resolveu se fazer notória apenas neste momento também; mas o corte fora superficial. Estava ajoelhada no chão e ele ali, logo a sua frente, segurando-lhe o pulso, e quando os olhos dourados encontraram os dela, ela sentiu o coração disparar e o rosto ficar corado. Mergulhando no brilho daqueles olhos, ela até se esqueceu da dor.

Furtando-se da expressão de nítida admiração da menina, Sesshoumaru desviou o rosto para o lado e sorriu discretamente, então pegou a espada caída, bem como a bainha. Levantando-se, deu uns passos rumo ao suporte na parede, onde a arma antes repousava, e tornou a depositá-la ali.

– Venha - chamou ele –, a senhora Kaede cuidará disso.

Rin se colocou de pé num instante e o acompanhou. Seguia logo atrás dele, silenciosamente, comprimindo o ferimento, no entanto, não resistiu permanecer quieta por muito tempo.

– O senhor está aborrecido comigo, não é mesmo, senhor Sesshoumaru?

Como estava de costas a ela, ele não conteve outro riso. Mesmo depois de cinco anos de convivência Rin ainda ficava muito intimidada em sua presença, e isso era perceptível na extrema formalidade com que ela o tratava.

– Por que eu estaria? - ele retrucou na típica seriedade.

Ela vidrou os olhos, achando que o motivo fosse muito óbvio, mas não tardou em responder e novamente num tom afoito:

– Porque eu derrubei a Tenseiga, entrei no quarto do senhor sem permissão, fiz bagunça lá, e...

– Rin! - ele a cortou numa potente exclamação, fazendo-a tremer de medo. – Eu não fiquei aborrecido.

Meio aturdida, ela demorou a compreender o significado daquelas palavras, e então expirou aliviada.

– Mas - acrescentou ele –, eu gostaria que você fosse mais cuidadosa consigo mesma.

A recomendação, feita de um modo bastante brando, fez Rin se deter no lugar, boquiaberta. Notando então o youkai olhar por sobre o ombro em sua direção, respondeu alto e de pronto:

– Sim, senhor Sesshoumaru! Eu tomarei mais cuidado! - e ela se curvou num gesto respeitoso, porém um tanto exagerado.

Pouco depois os dois estavam na ala da mansão que pertencia a Inuyasha e Kaede. Sesshoumaru ficou por perto, enquanto a anciã tratava da ferida da menina, comentando vez por outra que ela andava muito travessa.

ooOOOoo

– Está tão calado, senhor Sesshoumaru - comentou Jaken, ajoelhado sobre um futon, com um pergaminho nas mãos. – Algo o preocupa? - perguntou, sem desviar os olhos do pergaminho.

Depois de um bom tempo, o youkai branco, reclinado num móvel estofado, semelhante a um capitonê, com a cabeça apoiada na única mão, respondeu num tom desinteressado:

As Crônicas de SesshoumaruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora