Capítulo 25 - Ritual - Parte 3

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Olhando para o céu, Sesshoumaru avistou a pálida lua. A mãe havia dito qualquer coisa sobre aquilo ter alguma relevância, mas ele ainda não compreendia qual. Quando ele voltou a olhar para Satori, viu que a marca de lua crescente na testa dela estava brilhando com uma luz prateada.

Depositando a pequena caixa de madeira sobre a pedra, Satori buscou novamente o pergaminho. Abriu-o, leu-o uma última vez, gravando-o na memória, então voltou a guardá-lo. Depois, pegou novamente a caixa preenchida com o sangue de Rin, elevou-a ao alto e começou a recitar o encantamento:

"Fechais por um momento vossos olhos, Guardião dos Dias. Não olhais para este que usurpa vossos poderes, colhendo vida neste ramo de vida, fabricando aquilo que escreve os destinos. Fechais vossos olhos, Guardião dos Dias."

Sesshoumaru sentiu-se invadido por grande nostalgia, mas antes que compreendesse o porquê, sentiu Jaken puxando a manga de seu kimono. Voltou-se então para ele com um ar interrogativo.

– O que a senhora Satori disse, senhor Sesshoumaru? - ele sussurrou.

– Você não escutou?

– Escutei, mas não entendi.

Com o comentário de Jaken, Sesshoumaru encontrou a resposta para sua nostalgia. A mãe entoara o encantamento numa língua muito antiga usada pelas sacerdotisas dos youkais cachorros, quando os guerreiros partiam em grandes batalhas. Era um dialeto que ele conhecia muito bem, uma vez que sempre tomava parte nas mais importantes batalhas do clã, ao lado do pai.

– Outra hora eu te explico - disse Sesshoumaru ao servo e voltou a olhar para a mãe.

Satori ainda estava do mesmo jeito, segurando a caixa de madeira um pouco acima da própria cabeça. Nada de diferente parecia ter acontecido. Rin continuava sentada sobre os joelhos, mantendo-se em absoluto silêncio como a youkai havia ordenado.

Satori então abaixou a caixa e, no exato instante em que a depositou na pedra, uma espiral de energia mística surgiu vinda do nada e rodeou o corpo da regente, como uma amarra mágica. Ela pareceu se assustar por um mero instante.

Sesshoumaru ficou apreensivo, de algum modo ele intuiu que aquilo devia ser um contratempo.

Por alguns instantes, a regente permaneceu imóvel, mas então endireitou a postura. A marca de lua na sua testa brilhou com um brilho roxo, a face se transfigurou levemente para o aspecto youkai, com os globos oculares ficando maiores, oblíquos e totalmente vermelhos. Invocando todo seu poder, ela abriu os braços e quebrou a espiral de energia como se fosse fumaça. Em seguida, a face dela voltou à normalidade e a marca em sua testa parou de brilhar.

Jaken ficou impressionado, convicto de que aquilo fora a coisa mais formidável que já havia presenciado na vida. Sesshoumaru por sua vez, sentia-se apreensivo; não tinha certeza de que as coisas estavam de acordo com o planejado pela mãe.

– Muito bem, só há um jeito de saber se deu certo... - comentou Satori e pegou o pincel, então o molhou no suposto sangue dentro da caixinha.

Ao levantar o pincel, os youkais não tiveram dificuldades para perceberem que a coloração do líquido havia mudado de vermelho vivo para negro, Rin, no entanto, ficou na dúvida.

Embora tenha sido um gesto muito discreto, Sesshoumaru percebeu que a mãe soltara um suspiro de alívio.

– Agora tire seu kimono, menina - Satori mandou.

– Hã? - Rin retrucou e instintivamente cruzou os braços sobre o peito.

– Precisamos que tire o kimono e que deite de bruços.

As Crônicas de SesshoumaruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora