Capítulo 53 - Puberdade

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PARTE 2 - Guerras Youkais

Era madrugada e Rin fingia dormir. Aflita, ela observava Sesshoumaru de pé, próximo à cama baixa na qual a filha dormia. Sendo uma youkai híbrida, Rini sofria uma vez por mês uma transformação que a transformava em uma humana comum.

Rin observava o marido, tentando decifrar o que ele estaria pensando. Se ele estaria parado ali preocupado com ela, ou lamentando por ser pai de uma híbrida. E, quando o primeiro raio de Sol adentrou o quarto e tocou o corpo da menina, a transformação começou. As orelhas humanas desapareceram e no alto da cabeça surgiram novamente o par de orelhas peludas.

Repentinamente, a quietude no quarto foi quebrada no momento em que Seishirou se ergueu de seu sono, com o rosto semitransfigurado e rosnando. Em questão de instantes, ele avançava feroz contra o pai.

Sesshoumaru não foi pego de surpresa pelo bote veloz do filho, e usou seu youki para conter as garras ainda bem pouco maduras, porém não menos letais.

Mais dormindo do que acordado, movido por um instinto cego, tudo que ocupava a mente do menino youkai era que havia uma ameaça ali.

Rin se colocou de pé, surpresa, mas não sentia medo de ver o filho naquele estado.

– Seishirou! - exclamou Rin. – Para já com isso!

O menino já estava no limiar da transformação e então a situação se inverteu, e agora era o pai quem via o filho como uma ameaça.

– Nem mais um passo, Rin! - mandou o youkai branco.

A situação era tensa, no entanto, os três se detiveram ao escutarem uma voz carregada de sono.

– O que acontecendo aqui?

Rini tinha se sentado na cama, com uma mão sobre o peito. A mãe não conseguiu não reparar que ela naquele momento estava com um olho de cada cor, o direito castanho e o esquerdo, dourado. A passagem para a forma híbrida ainda não tinha se completado de todo.

Seishirou se moveu rápido, buscando espaço na cama da irmã, ficando sentado junto a ela como um cão protetor, rosnando para o pai.

Os pais encaravam o filho com um misto de apreensão e preocupação no olhar. Aqueles surtos de selvageria estavam ficando mais e mais frequentes.

Foi então que aconteceu de Rini pular nas costas do irmão e logo os dois se engalfinhavam em uma briga, recheada de mordidas, rosnados e violentos arranhões.

Rin buscou refúgio nos braços do marido e implorou a ele:

– Faz alguma coisa, por favor.

– Fique calma, eles não vão se machucar.

– Vão sim. Faz eles pararem...

Seshoumaru então expandiu seu youki e exclamou em voz potente:

– Seishirou! Rini! Já chega!

As duas crianças se detiveram, encarando o pai com um ar assustado. E logo o rosto de Seishirou voltou à normalidade.

– Por que você atacou o seu pai, Seishirou? - Rin quis entender, sem disfarçar o inconformismo na voz.

O menino encarou a mãe, muito confuso. Sentia decepção dela, mas não conseguia entender as palavras, como se ela estivesse falando em outra língua.

– Ele se assustou com a minha proximidade, Rin. Sentiu meu youki como uma ameaça, por isso atacou.

– Mas, filho...

As Crônicas de SesshoumaruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora