Capítulo 45 - Imprevísvel

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Mais de uma estação havia se passado desde o casamento de Inuyasha e Kagome, no final da primavera. Depois de um verão escaldante, as brisas de um outono gelado eram o prelúdio de um inverno tão gélido quanto o do ano anterior.

Naquele momento, um pouco antes do cair da noite, uma forte chuva alagava o vilarejo. Sesshoumaru e Miroku estavam no salão principal da ala leste, a que pertencia a Inuyasha e a velha Kaede. Inuyasha exibia um semblante enfermo, mas ainda assim ele relatava aquilo que se lembrava do ocorrido que o deixara naquele estado.

– Você e Kohaku mal tinham acabado de sair quando o ancião tocou o sino - dizia Inuyasha, olhando na direção do irmão. – Ele veio do vilarejo vizinho e me pediu que encontrasse um livro de feitiços que pertenceu aos ancestrais dele. Disse que o livro estava escondido em uma caverna, junto com outros itens de valor e que um youkai gigante havia sido enfeitiçado para ser o guardião dessa caverna, mas, com passar dos anos, o grandalhão ficou fora de controle, passando a atacar qualquer um que se aproximasse.

Miroku balançou a cabeça em negativa e o repreendeu, dizendo:

– Você foi muito imprudente de ter aceitado esse trabalho! Esse tipo de coisa que envolve criaturas enfeitiçadas sempre necessita de alguém com poder espiritual. Você me pediu que ficasse aqui e protegesse a mansão, mas não me falou nada sobre um monstro enfeitiçado. Se tivesse falado, eu teria ido com você.

– Reconheço que não levei isso em conta na hora, porque quando velho disse que pagava em ouro pelo tal livro a única coisa que consegui pensar foi que não podia perder o serviço.

– E pelo jeito a proposta lhe interessou tanto que você até convidou o Naraku para ir com você - comentou Sesshoumaru. – Quem diria?

– O problema todo foi que eu contava que Yeda poderia me ajudar, mas agora a barriga dela já está muito grande e, por causa do bebê, ela tem evitado se transformar em lobo. Por isso teve que ser o Naraku.

Depois de uma breve pausa, Inuyasha retomou o relato:

– Eu e ele nem chegamos a entrar na caverna quando o gigante nos atacou. O bicho nem era tão forte, mas tinha um veneno terrível e usava tanto na forma gosma como na forma de névoa. Eu estava no alto de uma árvore quando ele espalhou o veneno na forma de névoa e desabei no chão como uma mosca. Meu corpo inteiro ficou paralisado e se Naraku não tivesse me arrastado para longe, o grandalhão teria me pisoteado.

Miroku e Sesshoumaru ouviam atentamente.

– Como eu não estava mais em condições de lutar, Naraku me pediu a Tessaiga emprestada. Disse que também era capaz de empunhá-la por ser um meio-youkai. Foi horrível ver que ele conseguia manuseá-la com a maior facilidade, mas foi graças a isso que o gigante foi derrotado. Me lembro de ter visto o monstro se desintegrando, mas depois disso não me lembro de mais nada. Sei que perdi os sentidos e quando voltei a acordar estava estirado em uma carroça. Yeda estava lá também e o Toutousai.

Sesshoumaru tomou a palavra.

– Yeda disse que Naraku relutou muito em contar toda a história a ela e que só conseguiu arrancar a verdade dele por causa do elo mental que eles passaram a ter desde que ela absorveu o poder dele. Ela disse que Naraku arriscou a vida para salvá-lo do veneno daquele monstro.

Inuyasha bufou e disse:

– Pois foi o que eu imaginei.

– Naraku não apenas se arriscou para te salvar, como também te carregou nas costas por dois dias de viagem e ainda na forma humana - acrescentou Miroku.

– Na forma humana? Mas por quê?

– Porque ele também foi seriamente afetado pelo veneno e acabou passando à forma humana contra a própria vontade - esclareceu Sesshoumaru.

As Crônicas de SesshoumaruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora