Capítulo 37 - Herdeiros

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Sesshoumaru despertou de repente e estranhou que o quarto ainda estivesse tão escuro, pois sentia que havia dormido por um longo tempo. Rin estava encostada junto ao seu corpo, dormindo muito quieta e tranquila.

Cuidadosamente, ele se levantou, procurou por seu hadajuban - o kimono branco que se usa por baixo do traje principal -, e o encontrou caído pelo chão. Vestiu-se e foi se sentar no umbral da janela, onde ficou contemplando o chegar da alvorada.

Sentia-se maravilhosamente bem, satisfeito e em paz. Pensou na noite de amor que tivera e sentiu-se contente por ter experimentado sensações novas e por ter proporcionado o mesmo a Rin. Por um bom tempo, ele permaneceu sentado ali, desfrutando da brisa fresca e justamente quando pensava que estava tudo bem e não havia com o que se preocupar uma ideia perturbadora cruzou sua mente.

– Mas espere... Ela já não pode ser afetada pela passagem do tempo, mas ainda assim nossos filhos serão meio-youkais.

Sua paz vaporizou e, prendendo o fôlego, ele se encheu de indignação e repugnância.

– Eu? Pai de um meio-youkai?

Ficou perplexo que até então não tivesse pensado nesse detalhe e se repreendeu furiosamente. Então disse a si mesmo que precisava impedir que Rin tivesse filhos seus, que precisava encontrar um novo sortilégio, e que não podia gerar filhos com ela. Estava convencido de que isso era o certo a se fazer, quando se lembrou que acabara de entregar seu coração a Rin e ainda dissera a si mesmo que não teria outras depois dela. Assim, se não fosse ter filhos com ela, não teria filho algum. A princípio, essa ideia o assustou, mas precisava se convencer de sua lógica.

– Com certeza é preferível não ter herdeiros a ser pai de um meio-youkai.

Angustiado, olhou na direção do leito e perguntou-se se já não seria tarde, pois derramara sua semente em Rin mais de uma vez naquela noite. Abaixou a cabeça e cerrou os punhos com ódio da própria insensatez. Lembrou-se de sua mãe dizendo que as humanas enfeitiçavam os youkais e começou a achar que isso era verdade.

Sentindo-se péssimo, ergueu a cabeça e olhou para Rin que continuava dormindo tranquilamente, sem nem imaginar suas aflições. Ficou olhando para ela e, aguçando os sentidos, sincronizou seu respirar com o dela e deixou-se inebriar com seu cheiro. Quando deu por si, estava de volta ao leito, abraçando-se a ela.

"Depois de tudo, ainda me deixo levar por essas bobagens. Pelo jeito, até o fim, minha razão tentará me afastar de você, Rin, mesmo meu coração já sabendo o que quer." ele pensou consigo. Depois deixou o espírito serenar e falou em um tom de sussurro:

– É claro que nós teremos filhos. E não importa se serão meio-youkais ou até mesmo humanos. Realmente não importa.

Passada a crise, ele fechou os olhos, mas antes que voltasse a dormir, disse ainda:

– E eu não serei estúpido de deixar que a morte me leve antes do tempo e assim não precisarei encomendar espadas que protejam nossos filhos. Se eles não forem suficientemente fortes, eu mesmo irei protegê-los. E nunca os abandonarei.

Rin se remexeu e resmungou e então Sesshoumaru silenciou para não acordá-la. Quando o silêncio voltou a reinar no quarto, ele buscou afastar a mágoa que sentia do pai, já que ele próprio conhecia o poder de um verdadeiro amor agora. Tentava ser compreensivo, mas era difícil, pois o fato que ele e sua mãe haviam sido rejeitados e abandonados sempre o atormentaria.

Ao menos podia se gabar que, diferente de seu pai, ele fora obstinado o bastante para recusar a imposição de um casamento arranjado. Tanto isso era verdade que ele estava casado com Rin agora. Casou-se por amor e geraria seus filhos com a mulher que amava, a despeito de ela ser uma humana.

As Crônicas de SesshoumaruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora